Se você foi ao cinema esperando ver o clássico arqueiro alegre da floresta de Sherwood, pulando de árvore em árvore de calça verde para saquear carruagens de nobres corruptos, provavelmente tomou um choque de realidade com A Morte de Robin Hood (The Death of Robin Hood, 2026). O novo longa-metragem escrito e dirigido por Michael Sarnoski — cineasta elogiado por Pig: A Vingança (2021) e Um Lugar Silencioso: Dia Um (2024) — e produzido pela prestigiada A24 é tudo, menos uma aventura medieval escapista.
A produção se apoia nas raízes mais lamacentas, violentas e originais das baladas inglesas medievais para desconstruir um mito de 800 anos. O filme nos apresenta a um Robin Hood (Hugh Jackman) envelhecido, amargurado e isolado no ano de 1247. Ele não é um salvador do povo, mas sim um “assassino mercenário” e assaltante (“murderous brigand”) que admite ter roubado e matado por puro egoísmo, ganância e prazer pelo sangue.
Com uma narrativa densa e atmosférica que divide opiniões, o desfecho do filme foge dos clichês de batalhas heroicas e se encerra de maneira silenciosa, íntima e profundamente devastadora em uma pequena ilha. A seguir, explicamos em detalhes os mistérios e as decisões morais que explicam a cena final.
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O que acontece no final do filme A Morte de Robin Hood?
Quem envenenou Robin Hood? Como ele morre no final?
Uma das principais dúvidas do público ao sair da sessão é se Robin Hood foi assassinado ou se tirou a própria vida. O filme estabelece que a morte de Robin é, na verdade, um ato de suicídio assistido (ou morte consensual) orquestrado por ele e pela prioresa Irmã Brigid (Jodie Comer).
Após sobreviver a um violento e terrível massacre na fazenda de seu antigo companheiro, João Pequeno (Bill Skarsgård), no qual foi brutalmente ferido, Robin é levado quase sem vida para o isolado priorado de São Clemente, liderado pela Irmã Brigid. No local, ele é tratado com sangria (bloodletting), uma técnica médica medieval comum para drenar o “sangue ruim” e curar infecções.
No clímax, ao descobrir que Robin foi o responsável direto por uma das maiores tragédias de sua vida, Brigid inicia mais uma sessão de sangria. No entanto, sabendo que continuar respirando só trará novos inimigos e colocará em risco a segurança do priorado e da órfã Pequena Margaret (Faith Delaney), Robin pede a Brigid para deixar o ferimento aberto e não estancar a hemorragia. Ele impede fisicamente que ela feche o corte e pede que ela termine o que começou. Brigid, entendendo que manter aquele homem vivo é prolongar um ciclo eterno de vinganças sangrentas, silenciosamente consente e permite que ele sangre até a morte em sua cama.
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A chocante revelação do Leproso: quem era Guy of Gisborne?
Durante o segundo ato no priorado, Robin Hood desenvolve uma curiosa amizade com um morador leproso do local, cujo rosto está totalmente coberto por bandagens. O personagem, interpretado de forma irreconhecível por Murray Bartlett, serve como uma âncora moral para a reabilitação de Robin. No entanto, no leito de morte do homem, a verdade vem à tona: o leproso era na verdade Guy of Gisborne, o arqui-inimigo lendário de Robin.
Anos antes, em seus tempos de banditismo, Robin poupou a vida de Gisborne após um confronto, mas decepou sua orelha esquerda, fazendo a promessa cínica de que “em outra vida eles seriam parceiros de bebida”. Vivendo agora em paz na congregação pacífica, Guy perdoa Robin e diz que aquela convivência no priorado era, de fato, aquela “outra vida”.
Antes de dar o último suspiro, Guy of Gisborne implora a Robin para que ele nunca revele sua identidade real à Irmã Brigid. O motivo é estarrecedor: Robin Hood e seu bando foram os monstros que, décadas atrás, trancaram as portas de uma casa com o marido e os filhos de Brigid dentro e atearam fogo, queimando-os vivos.
Por que Robin confessa seus crimes para a Irmã Brigid?
Mesmo diante do apelo de Guy of Gisborne para manter o segredo e simplesmente assumir o papel de novo guardião da ilha, a consciência de Robin não suporta viver sob uma máscara de mentiras. Desesperado por uma expiação real de seus “débitos de sangue”, ele vai até a praia, encontra Brigid olhando para o oceano e confessa toda a verdade sobre o massacre de sua família.
A reação de Brigid é de completo horror e repulsa física. Contudo, em uma das viradas mais profundas e maduras do roteiro de Michael Sarnoski, a prioresa se recusa a assassiná-lo ou entregá-lo para vingança imediata. Ela reconhece que sua própria jornada espiritual e a fundação daquele priorado de cura em solo sagrado só existiram porque ela foi forçada a renascer das cinzas deixadas pela crueldade de Robin. Ela resume que a terrível violência do passado acabou se transformando, de forma misteriosa, no motor de equilíbrio cósmico para salvar e curar tantas outras vidas.

O mistério por trás da mentira final de Robin Hood
No momento exato de sua morte, a pequena e traumatizada Margaret entra no quarto. Para poupar a menina do horror daquela cena e esconder seu braço ensanguentado, Robin enfia o braço sob os lençóis. Em seus momentos derradeiros, ele toma uma decisão que sintetiza a tese central do filme de Michael Sarnoski: ele conta uma mentira heroica para a órfã.
Apesar de ter passado o filme inteiro quebrando seu próprio mito e dizendo que as canções dos menestréis eram “mentiras sobre mentiras”, Robin decide presentear Margaret com o conto de fadas. Ele diz que ele e o pai dela, o lendário João Pequeno (cujo nome verdadeiro ele confirma, pedindo para que ela guarde o segredo), eram bravos heróis que “roubavam de pessoas ruins para dar aos pobres” e que seu pai a amava profundamente.
Ele então a ajuda a erguer o arco e flecha de madeira que havia feito para ela e a orienta a mirar na janela. Robin explica que disparar a flecha simboliza a liberação, o ato de soltar e não carregar mais o peso do passado. O arqueiro morre sem dor no instante exato em que a menina solta a corda e a flecha cruza o céu cinzento da Irlanda do Norte.
O que dizem Hugh Jackman e Michael Sarnoski sobre o desfecho?
Em entrevistas exclusivas cedidas a portais como o ScreenRant, os realizadores do longa-metragem trouxeram detalhes sobre as gravações e as intenções temáticas da marcante cena de despedida de 8 páginas, que foi gravada em tomadas contínuas em apenas um dia de filmagens.
O diretor Michael Sarnoski detalhou a inspiração na antiga balada britânica e o contraste pretendido em cena:
“Toda a ideia por trás do filme era, primeiro, que a história original sempre me fascinou porque havia algo sobre esse homem de ação morrendo em um quarto de igreja silencioso e ensolarado. Isso sempre falou comigo.” “Eu gostei da ideia de que no final começa como uma execução por vingança e depois se transforma em uma morte misericordiosa, um suicídio assistido, e se torna como se a morte em si fosse algo que os dois descobrem juntos. O que esse falecimento silencioso em um quarto de igreja ensolarado entre essas duas pessoas parece?”
Sobre a carga dramática e a atmosfera no set de filmagem, Sarnoski revelou que o momento foi avassalador para a equipe técnica:
“Havia algo que, de imediato, eu soube que precisava ser esse tipo de momento silencioso, transcendente e espiritual. Era uma cena de oito páginas, e nós filmamos tudo em um único dia em tomadas contínuas. Foi profundamente emocional de filmar. Toda a equipe estava chorando enquanto filmávamos.”
O astro Hugh Jackman explicou sua abordagem para a atuação, despindo-se de qualquer vaidade:
“Tenho certeza de que há alguns trejeitos, mas, na verdade, eu realmente tentei despir qualquer truque, técnica, e apenas permitir que fosse. Acho que há uma melancolia real no final que me tocou como ser humano, como artista, como ator, de alguém que finalmente quer viver, tem um motivo para viver, mas abre mão disso pelo bem de outra pessoa.”
Sobre a escolha paradoxal de mentir para a menina na hora de sua morte, Jackman acrescentou:
“Ele conta uma mentira completa sobre quem ele é e quem ele foi para essa jovem garota, para dar a ela uma história com a qual ela possa viver e que a faça se sentir bem e seguir em frente. E essa ideia de que alguém conta uma mentira, conta uma história para o benefício de outra pessoa e também para garantir e permitir a si mesmo morrer… Então ele se torna heroico.”
Principais dúvidas sobre o final de A Morte de Robin Hood
Para ajudar você a navegar pelas principais dúvidas que circulam na internet, preparamos este bloco de perguntas e respostas diretas sobre o encerramento do filme.
O final de A Morte de Robin Hood é baseado em uma história real?
O filme é uma adaptação livre e sombria da balada folclórica anônima do século XVII intitulada Robin Hood’s Death (A Morte de Robin Hood). Na balada original, Robin Hood também encontra seu fim em um leito após ser submetido a uma sangria excessiva e criminosa conduzida por sua prima, a prioresa de um convento. O diretor Michael Sarnoski modernizou a psicologia da história original para criar um desfecho mais íntimo e humano entre os dois.
Por que o filme muda o tamanho da tela (aspect ratio) no meio da história?
Trata-se de uma escolha visual do diretor de fotografia Pat Scola junto com o diretor. O primeiro ato (violento e sombrio) é gravado no formato widescreen expansivo 2.39:1 (ou 2.4:1), capturando a lama e a brutalidade das batalhas campais. No momento em que Robin acorda no priorado, a tela encolhe para o formato vertical 1.66:1, criando um ambiente íntimo, claustrofóbico e solar, que força o espectador a focar no drama interno e na aproximação moral dos personagens.
Maid Marian aparece em A Morte de Robin Hood?
Não. O filme descarta os elementos românticos tardios que foram adicionados à lenda ao longo dos séculos e foca exclusivamente nas baladas mais antigas do personagem. Logo no início do filme, Robin afirma categoricamente para a andarilha Wainwright que nunca amou Maid Marian e que ela sequer existe em sua história.
A Morte de Robin Hood tem cena pós-créditos?
Não há nenhuma cena pós-créditos ou gancho oculto ao término da exibição. O filme se encerra de maneira definitiva e solene, respeitando a proposta artística e fechando completamente o arco de redenção de Robin Hood.
Ficha técnica
- Título Nacional: A Morte de Robin Hood
- Título Original: The Death of Robin Hood
- Direção: Michael Sarnoski
- Roteiro: Michael Sarnoski
- Baseado em: Robin Hood’s Death (balada anônima do século XVII)
- Elenco Principal: Hugh Jackman (Robin Hood / Randolph), Jodie Comer (Irmã Brigid), Bill Skarsgård (João Pequeno / Edward), Murray Bartlett (O Leproso / Tiestto / Guy of Gisborne), Noah Jupe (Arthur / Godwyn), Faith Delaney (Pequena Margaret), Clive Russell (Elderfather / Ancião), Jade Croot (Wainwright)
- Direção de Fotografia: Pat Scola
- Montagem/Edição: Andrew Mondshein
- Trilha Sonora: Jim Ghedi
- Empresas Produtoras: Lyrical Media e Ryder Picture Company
- Distribuição (Brasil): Imagem Filmes
- Produção/Distribuição (EUA): A24
- Ano de Lançamento: 2026
- Duração: 122 minutos
- Gênero: Drama / Thriller















