A franquia idealizada por Sam Raimi lá nos anos 1980 sempre flertou com os extremos, misturando o horror absoluto com doses cavalares de humor ácido. No entanto, desde o brutal remake de 2013 comandado por Fede Álvarez, a saga vem mudando de rota e mergulhando em um tom muito mais denso e sério. Lançado para cravar de vez essa nova identidade, A Morte do Demônio: Em Chamas (Evil Dead Burn) não tem a menor intenção de fazer você rir.
Comandado pelo diretor Sébastien Vaniček, o novo capítulo é uma experiência incômoda, claustrofóbica e que testa todos os limites do espectador ao jogar baldes de sangue na tela. É, sem sombra de dúvidas, a aposta mais nojenta e frenética da saga até aqui.
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Sinopse
A trama acompanha a jornada de Alice (Souheila Yacoub), uma jovem recém-viúva que busca refúgio e conforto na isolada casa de campo da família de seu falecido marido, William (George Pullar). O que deveria ser um momento de cura e reconciliação familiar logo se transforma em um pesadelo implacável.
Quando trechos do famigerado Livro dos Mortos, o Necronomicon, são recitados acidentalmente, uma força demoníaca ancestral é despertada no local. Um a um, os membros da família, incluindo sua sogra Susan (Tandi Wright) e seu cunhado Joseph (Hunter Doohan), começam a ser possuídos. A partir daí, a visita de Alice se converte em uma luta sangrenta e desesperada pela sobrevivência contra as entidades conhecidas como Deadites.
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Crítica do filme A Morte do Demônio: Em Chamas
O terror visceral e a aposta nos efeitos práticos
Se tem uma coisa que A Morte do Demônio: Em Chamas faz bem, é resgatar a essência orgânica do terror. O diretor Sébastien Vaniček foi categórico nos bastidores ao exigir o uso de efeitos práticos e abrir mão do CGI para criar o horror visual, principalmente nas cenas envolvendo fogo e mutilações. Essa escolha artística entrega ao público um longa extremamente biológico e visceral, com sujeira na lente e imperfeições que o digital dificilmente conseguiria replicar.
O festival de “gore” não poupa ninguém: dedos são arrancados, gargantas dilaceradas e peles são esfoladas com um realismo agonizante. O trabalho de maquiagem é tão impecável e incômodo que atinge o objetivo de Vaniček: deixar a plateia fisicamente exausta e contorcendo-se na poltrona.

O peso do trauma e o fim da comédia
Diferente de clássicos como Uma Noite Alucinante 3, onde o protagonista Ash Williams soltava piadas enquanto lutava contra o mal, o novo longa abandona totalmente o tom pastelão e abraça uma escuridão impiedosa. Para sustentar isso, o roteiro assinado por Vaniček, Florent Bernard e Sam Raimi vai além do banho de sangue e encontra fôlego nos traumas humanos.
O filme usa o passado da protagonista, marcado por um relacionamento abusivo e violência doméstica com seu falecido marido, como um pano de fundo complexo. Os demônios que a perseguem soam quase como uma manifestação física de suas cicatrizes emocionais. Além disso, a dinâmica tóxica da família — cheia de brigas que lembram o longa Festa de Família — dá uma camada extra de tensão antes mesmo das possessões começarem.
Ritmo frenético e atuações de peso
Em vez de perder tempo construindo uma lenta atmosfera de suspense, Vaniček prefere pisar no acelerador. Com a história confinada a poucos cenários, a montagem é rápida, nervosa e cheia de piruetas de câmera que desorientam e sufocam o espectador de forma proposital. A escalada de horrores não dá tempo para respiro. No centro desse caos, a performance de Souheila Yacoub é brilhante.
Ex-ginasta, a atriz entrega uma atuação extremamente física, vulnerável e cheia de camadas, fugindo do estereótipo clássico da “final girl” imediata. Vale destacar também o elenco de apoio neozelandês (já que o filme, com custo em torno de US$ 15 a 20 milhões, foi rodado na Nova Zelândia), que traz um frescor dramático surpreendente, com menção honrosa ao ator Erroll Shand, que entrega um dos Deadites mais assustadores e animalescos da saga recente.
Censura, recepção e as surpresas pós-créditos
Curiosamente, o filme era tão repulsivo que precisou sofrer cortes a pedido da Sony Pictures para escapar da classificação “NC-17” (proibido para menores de 17 anos) nos Estados Unidos e conseguir a desejada classificação “R”. Mesmo com essa adaptação, a crítica abraçou a produção: o longa chegou a bater 92% de aprovação inicial no Rotten Tomatoes e logo estabilizou em sólidos 80% (com nota 58 no Metacritic).
Para os fãs da franquia, a grande cereja do bolo está guardada para o final. Fique na cadeira, pois existem duas cenas pós-créditos. A cena no meio dos créditos é focada na avó da família, agora uma Deadite sem uma das mãos, tentando pegar as pernas de uma motorista na beira da estrada. Já a cena final é uma conexão direta com A Morte do Demônio: A Ascensão.
Em um crematório, uma garotinha vê a alma de Ellie (a assustadora mãe do filme anterior, interpretada por Alyssa Sutherland) surgir no reflexo de um espelho. Ellie quebra o pescoço da menina e avisa, direto para a câmera: “A mamãe voltou”, garantindo que a possessão está longe de terminar.
A Morte do Demônio: Em Chamas é bom?
A Morte do Demônio: Em Chamas não é um filme para os fracos de estômago. Ele cumpre exatamente o que promete ao consolidar de vez a fase séria e violenta da franquia, deixando a comédia bizarra do passado apenas na memória dos fãs mais nostálgicos.
Com efeitos práticos fantásticos, um ritmo eletrizante e um subtexto dramático que dá peso real às mortes, a obra prova que a saga iniciada por Sam Raimi ainda tem muita lenha para queimar. Se você busca uma experiência de puro desespero no escurinho do cinema, o ingresso vale cada centavo.
Onde assistir ao filme A Morte do Demônio: Em Chamas?
O filme estreia nesta quinta-feira, 9 de julho de 2026, exclusivamente nos cinemas brasileiros.
Trailer de A Morte do Demônio: Em Chamas (2026)
Elenco do filme A Morte do Demônio: Em Chamas
- Souheila Yacoub
- Hunter Doohan
- Luciane Buchanan
- Tandi Wright
- George Pullar
- Erroll Shand
Ficha técnica
- Título Original: Evil Dead Burn
- Título no Brasil: A Morte do Demônio: Em Chamas
- Data de Lançamento (Brasil): 9 de julho de 2026
- Direção: Sébastien Vaniček
- Roteiro: Sébastien Vaniček, Florent Bernard e Sam Raimi
- Estúdio/Distribuição: Warner Bros. (Produção / Nova Zelândia) / Sony Pictures (Apontada em distribuição)
















