capa do filme A Morte do Demônio Em Chamas de 2026

‘A Morte do Demônio: Em Chamas’ é o banho de sangue mais insano (e nojento) da franquia

Foto: Sony Pictures / Divulgação
Compartilhe

A franquia idealizada por Sam Raimi lá nos anos 1980 sempre flertou com os extremos, misturando o horror absoluto com doses cavalares de humor ácido. No entanto, desde o brutal remake de 2013 comandado por Fede Álvarez, a saga vem mudando de rota e mergulhando em um tom muito mais denso e sério. Lançado para cravar de vez essa nova identidade, A Morte do Demônio: Em Chamas (Evil Dead Burn) não tem a menor intenção de fazer você rir.

Comandado pelo diretor Sébastien Vaniček, o novo capítulo é uma experiência incômoda, claustrofóbica e que testa todos os limites do espectador ao jogar baldes de sangue na tela. É, sem sombra de dúvidas, a aposta mais nojenta e frenética da saga até aqui.

➡️ Compre na AMAZON com frete grátis e rápido!

Sinopse

A trama acompanha a jornada de Alice (Souheila Yacoub), uma jovem recém-viúva que busca refúgio e conforto na isolada casa de campo da família de seu falecido marido, William (George Pullar). O que deveria ser um momento de cura e reconciliação familiar logo se transforma em um pesadelo implacável.

Quando trechos do famigerado Livro dos Mortos, o Necronomicon, são recitados acidentalmente, uma força demoníaca ancestral é despertada no local. Um a um, os membros da família, incluindo sua sogra Susan (Tandi Wright) e seu cunhado Joseph (Hunter Doohan), começam a ser possuídos. A partir daí, a visita de Alice se converte em uma luta sangrenta e desesperada pela sobrevivência contra as entidades conhecidas como Deadites.

➡️ Siga o canal FLIXLÂNDIA no WhatsApp

Crítica do filme A Morte do Demônio: Em Chamas

O terror visceral e a aposta nos efeitos práticos

Se tem uma coisa que A Morte do Demônio: Em Chamas faz bem, é resgatar a essência orgânica do terror. O diretor Sébastien Vaniček foi categórico nos bastidores ao exigir o uso de efeitos práticos e abrir mão do CGI para criar o horror visual, principalmente nas cenas envolvendo fogo e mutilações. Essa escolha artística entrega ao público um longa extremamente biológico e visceral, com sujeira na lente e imperfeições que o digital dificilmente conseguiria replicar.

O festival de “gore” não poupa ninguém: dedos são arrancados, gargantas dilaceradas e peles são esfoladas com um realismo agonizante. O trabalho de maquiagem é tão impecável e incômodo que atinge o objetivo de Vaniček: deixar a plateia fisicamente exausta e contorcendo-se na poltrona.

cena do filme A Morte do Demônio Em Chamas
Foto: Sony Pictures / Divulgação

O peso do trauma e o fim da comédia

Diferente de clássicos como Uma Noite Alucinante 3, onde o protagonista Ash Williams soltava piadas enquanto lutava contra o mal, o novo longa abandona totalmente o tom pastelão e abraça uma escuridão impiedosa. Para sustentar isso, o roteiro assinado por Vaniček, Florent Bernard e Sam Raimi vai além do banho de sangue e encontra fôlego nos traumas humanos.

O filme usa o passado da protagonista, marcado por um relacionamento abusivo e violência doméstica com seu falecido marido, como um pano de fundo complexo. Os demônios que a perseguem soam quase como uma manifestação física de suas cicatrizes emocionais. Além disso, a dinâmica tóxica da família — cheia de brigas que lembram o longa Festa de Família — dá uma camada extra de tensão antes mesmo das possessões começarem.

Ritmo frenético e atuações de peso

Em vez de perder tempo construindo uma lenta atmosfera de suspense, Vaniček prefere pisar no acelerador. Com a história confinada a poucos cenários, a montagem é rápida, nervosa e cheia de piruetas de câmera que desorientam e sufocam o espectador de forma proposital. A escalada de horrores não dá tempo para respiro. No centro desse caos, a performance de Souheila Yacoub é brilhante.

Ex-ginasta, a atriz entrega uma atuação extremamente física, vulnerável e cheia de camadas, fugindo do estereótipo clássico da “final girl” imediata. Vale destacar também o elenco de apoio neozelandês (já que o filme, com custo em torno de US$ 15 a 20 milhões, foi rodado na Nova Zelândia), que traz um frescor dramático surpreendente, com menção honrosa ao ator Erroll Shand, que entrega um dos Deadites mais assustadores e animalescos da saga recente.

Censura, recepção e as surpresas pós-créditos

Curiosamente, o filme era tão repulsivo que precisou sofrer cortes a pedido da Sony Pictures para escapar da classificação “NC-17” (proibido para menores de 17 anos) nos Estados Unidos e conseguir a desejada classificação “R”. Mesmo com essa adaptação, a crítica abraçou a produção: o longa chegou a bater 92% de aprovação inicial no Rotten Tomatoes e logo estabilizou em sólidos 80% (com nota 58 no Metacritic).

Para os fãs da franquia, a grande cereja do bolo está guardada para o final. Fique na cadeira, pois existem duas cenas pós-créditos. A cena no meio dos créditos é focada na avó da família, agora uma Deadite sem uma das mãos, tentando pegar as pernas de uma motorista na beira da estrada. Já a cena final é uma conexão direta com A Morte do Demônio: A Ascensão.

Em um crematório, uma garotinha vê a alma de Ellie (a assustadora mãe do filme anterior, interpretada por Alyssa Sutherland) surgir no reflexo de um espelho. Ellie quebra o pescoço da menina e avisa, direto para a câmera: “A mamãe voltou”, garantindo que a possessão está longe de terminar.

A Morte do Demônio: Em Chamas é bom?

A Morte do Demônio: Em Chamas não é um filme para os fracos de estômago. Ele cumpre exatamente o que promete ao consolidar de vez a fase séria e violenta da franquia, deixando a comédia bizarra do passado apenas na memória dos fãs mais nostálgicos.

Com efeitos práticos fantásticos, um ritmo eletrizante e um subtexto dramático que dá peso real às mortes, a obra prova que a saga iniciada por Sam Raimi ainda tem muita lenha para queimar. Se você busca uma experiência de puro desespero no escurinho do cinema, o ingresso vale cada centavo.

Onde assistir ao filme A Morte do Demônio: Em Chamas?

O filme estreia nesta quinta-feira, 9 de julho de 2026, exclusivamente nos cinemas brasileiros.

Trailer de A Morte do Demônio: Em Chamas (2026)

YouTube player

Elenco do filme A Morte do Demônio: Em Chamas

  • Souheila Yacoub
  • Hunter Doohan
  • Luciane Buchanan
  • Tandi Wright
  • George Pullar
  • Erroll Shand

Ficha técnica

  • Título Original: Evil Dead Burn
  • Título no Brasil: A Morte do Demônio: Em Chamas
  • Data de Lançamento (Brasil): 9 de julho de 2026
  • Direção: Sébastien Vaniček
  • Roteiro: Sébastien Vaniček, Florent Bernard e Sam Raimi
  • Estúdio/Distribuição: Warner Bros. (Produção / Nova Zelândia) / Sony Pictures (Apontada em distribuição)
Escrito por
Wilson Spiler

Formado em Design Gráfico, Pós-graduado em Jornalismo e especializado em Jornalismo Cultural, com passagens por grandes redações como TV Globo, Globonews, SRZD e Ultraverso.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Procuram-se colaboradores
Procuram-se colaboradores

Últimas

Artigos relacionados
Terra à Deriva 2 Destino crítica do filme 2026
Críticas

‘Terra à Deriva 2: Destino’ é um gigante científico e filosófico que exige fôlego do espectador

Se você achou que o cinema chinês de ficção científica ia parar...

anistia 79 filme documentário 2026
Críticas

‘Anistia 79’ expõe o lado trágico por trás da volta dos exilados

A matéria-prima de Anistia 79 é um potinho de ouro documental: quase...

Sobrenatural Agora Entre Nós filme 2026
Críticas

‘Sobrenatural: Agora Entre Nós’ inverte as regras do medo

Chegar à sexta produção de uma franquia de terror é um feito...

Coração Partido filme 2026
Críticas

‘Coração Partido’ aposta em clichês e melodrama para conquistar o público jovem

Coração Partido (2026) é um drama romântico adolescente dirigido por Michael Vaynberg....

Demi Lovato no filme Camp Rock 3
Críticas

‘Camp Rock 3’ e a delicada linha entre a nostalgia e a nova geração

Se você passou o fim dos anos 2000 colado na frente do...

Meu Próprio Filho filme documentário da Netflix de 2026
Críticas

Como ‘Meu Próprio Filho’ transforma um sequestro bizarro em reflexão dolorosa

Quando pensamos em documentários de crimes reais, o nosso cérebro já está...