Crítica do filme live-action Moana de 2026

‘Moana’ em live-action acerta na nostalgia, mas peca na falta de inovação

Foto: Disney / Divulgação
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O novo live-action de Moana chega aos cinemas carregando uma responsabilidade enorme e uma dúvida que paira sobre boa parte do público e da crítica: era mesmo necessário refazer uma animação de 2016 que ainda está tão fresca na nossa memória?

A Disney decidiu apostar alto e trazer a aventura polinésia para o mundo “real” logo na esteira do sucesso bilionário da animação Moana 2. O resultado final é uma jornada que divide opiniões, entregando muita nostalgia e respeito à cultura, mas que esbarra nas limitações inevitáveis de se tentar transpor a magia de um desenho animado para a ação com atores.

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Sinopse

A premissa continua sendo aquela que a gente já conhece e ama. Acompanhamos a história de Moana (Catherine Laga’aia), a jovem e destemida filha do líder da ilha de Motunui, que sente desde pequena um chamado irresistível do oceano. Quando sua terra natal passa a ser ameaçada por uma antiga maldição que afeta severamente as colheitas e a pesca, ela decide contrariar as regras locais e atravessar o vasto mar aberto.

Sua principal missão é recrutar o semideus Maui (Dwayne Johnson) e forçá-lo a devolver o coração roubado da deusa Te Fiti, em uma odisseia cheia de perigos, criaturas míticas e autodescoberta para salvar o seu povo.

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Crítica do filme live-action Moana (2026)

O conforto do “copia e cola”

Se você espera grandes surpresas, riscos ou reviravoltas na trama, é melhor alinhar as expectativas. A direção de Thomas Kail optou por navegar em mares extremamente seguros, entregando uma adaptação que repete a estrutura, o tom e quase cena por cena da animação original.

Para muitos, essa escolha serviu para evitar desastres recentes do estúdio – como as polêmicas alterações no roteiro de Lilo & Stitch (2025). Por outro lado, essa fidelidade cobrou seu preço, fazendo o longa frequentemente passar a sensação de ser uma obra feita apenas por caprichos comerciais, sem uma forte identidade própria.

As raras inovações no texto são pequenas pinceladas modernas, como a menção a uma líder ancestral mulher (mostrando que Moana não é uma exceção feminina no comando da ilha) e o momento divertido em que Maui afirma ser um herói “de mulheres e homens, sem discriminação”.

Novo trailer do live-action de ‘Moana’ mostra Dwayne Johnson como Mauí e revela data de estreia veja!
Foto: Disney / Divulgação

O show de The Rock e o desafio de Catherine

O grande pilar e motor do longa é, inegavelmente, Dwayne Johnson. Voltando ao personagem ao qual deu voz há uma década, The Rock traz um carisma magnético e rouba a cena toda vez que aparece. Ele teve a chance de aprofundar a vulnerabilidade de Maui, exibindo as rachaduras na armadura de um semideus que tenta mascarar com arrogância os traumas de ter sido rejeitado quando bebê. A caracterização tem um valor emocional extra para o ator, já que o visual do semideus (com exceção da peruca, bastante criticada) foi fortemente inspirado no avô de Johnson, o lendário lutador samoano Peter Maivia.

Já a australiana Catherine Laga’aia, que tinha apenas 17 anos durante as filmagens, enfrentou o enorme desafio de assumir um papel consagrado. A sua recepção variou entre os críticos: alguns consideraram que a sua atuação carece um pouco do magnetismo absoluto e da presença marcante da versão animada, enquanto outros exaltaram os seus vocais limpos e a sua competência nas cenas musicais. O elenco de apoio também brilha e ancora a narrativa, com o destaque merecido para a atuação calorosa e quase mística de Rena Owen na pele da Vovó Tala.

Tropeços visuais no mar do CGI

A transição da estética colorida, vibrante e intencionalmente exagerada da animação para a ação com atores revelou-se um problema. O excesso de fundos em computação gráfica prejudicou o visual da obra, e até o oceano — que é um elemento vivo e central na história — chegou a soar artificial em algumas cenas.

Os amados mascotes também sofreram nessa travessia: personagens como o porquinho Pua, o galo Heihei e o caranguejo gigante Tamatoa caíram na armadilha do “vale da estranheza”. Ao adotar visuais híbridos e fotorrealistas, eles perderam grande parte das suas expressões hilárias e do carisma cartunesco, resultando em sequências que não transmitem o mesmo impacto visual original.

Uma trilha sonora que pulsa forte

Se os efeitos visuais deixam a desejar, a parte musical é um triunfo, impulsionada pela experiência de Thomas Kail no teatro. Os números musicais estão grandiosos e respeitam a bagagem cultural polinésia. Na cena que abre o filme com “Seu Lugar” (Where You Are), a coreografia enche a tela com uma autêntica dança nativa que eleva o material original. Da mesma forma, “De Nada” (You’re Welcome) utiliza de forma criativa o físico de Dwayne Johnson com fantásticos efeitos de iluminação.

O grande presente para os fãs do universo é a inclusão da canção inédita “Along The Way“, escrita por Lin-Manuel Miranda, que serve como um belíssimo encontro histórico das gerações da franquia, juntando as vozes de Catherine Laga’aia, Auli’i Cravalho (a voz original de Moana) e Dwayne Johnson.

Live-action de Moana é bom?

Em sua essência, o live-action de Moana prova que nem tudo precisava ser refeito, mas, felizmente, a adaptação está longe de arruinar o legado maravilhoso da franquia. É um entretenimento seguro, abraçado ao fator nostalgia e sem nenhuma vergonha de reciclar um formato que deu certo, entregando momentos musicais lindíssimos para ser vistos em família.

Se a animação continua imbatível na perfeição do seu desenvolvimento, o live-action se contenta em velejar de forma competente pela segurança das águas rasas, rendendo um mergulho ainda divertido, embora previsível.

Onde assistir ao filme Moana?

O filme estreia nesta quinta-feira, 9 de julho de 2026, exclusivamente nos cinemas brasileiros.

Trailer de Moana (2026)

YouTube player

Elenco do live-action de Moana

  • Dwayne Johnson (Maui)
  • Catherine Laga’aia (Moana)
  • Rena Owen (Vovó Tala)
  • John Tui (Chefe Tui)
  • Frankie Adams (Sina)

Ficha técnica

  • Título: Moana
  • Estúdio: Disney
  • Direção: Thomas Kail
  • Roteiro: Jared Bush e Dana Ledoux Miller
  • Duração: 120 minutos
  • Composição Musical: Lin-Manuel Miranda, Opetaia Foa’i, Mark Mancina
Escrito por
Juliana Cunha

Editora na ESPN Brasil e fã de cultura pop, Juliana se classifica como uma nerd saudosa dos grandes feitos da Marvel.

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