Alerta Apocalipse resenha crítica do filme 2026 Flixlândia

‘Alerta Apocalipse’ é um caos divertido, mas deixa a sensação de que poderia ir além

Foto: Imagem Filmes / Divulgação
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Sabe aquele filme que chega com uma “carteirada” de peso no pôster, dizendo ser do mesmo roteirista de Jurassic Park e dos produtores de Zumbilândia? Pois é, Alerta Apocalipse (Cold Storage) tenta ganhar a gente logo de cara com essa promessa. Mas a verdade é que, na prática, a gente sabe que essa mistura nem sempre sai como o esperado.

Baseado no livro de David Koepp, o filme é uma daquelas produções que deixa a gente num dilema: é uma galhofa genial ou uma oportunidade desperdiçada? A resposta, curiosamente, fica no meio do caminho. É uma aposta segura para quem quer desligar o cérebro, mas que deixa aquela pulga atrás da orelha de que poderia ter sido muito mais insano.

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Sinopse

A premissa é simples e contida, o que até ajuda no suspense inicial. A história se passa, em sua maior parte (cerca de 80%), dentro de um armazém de autoatendimento. O local foi construído em cima de uma base militar desativada que escondia um segredinho nada agradável: um organismo parasita extraterrestre altamente mutável e com potencial de extinção em massa.

Acompanhamos Travis (Joe Keery) e Naomi (Georgina Campbell), dois funcionários que estão lá vivendo o tédio do turno da noite e lidando com seus próprios dramas pessoais. O caos começa quando a temperatura sobe e o tal fungo resolve “acordar”, espalhando destruição. Para tentar conter a bagunça biológica, entra em cena Robert Quinn (Liam Neeson), o único cara que entende o tamanho da encrenca, já que lidou com isso 20 anos atrás.

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Resenha crítica do filme Alerta Apocalipse (2026)

A “salada mista” de gêneros

O diretor Jonny Campbell, vindo de séries como Westworld e Doctor Who, tenta equilibrar pratos difíceis aqui. O filme se vende como uma fusão de comédia, terror e ficção científica. E, olha, tem momentos em que essa mistura funciona muito bem, abraçando o absurdo de um jeito caricato e quase cartunesco,. Há cenas genuinamente engraçadas e nojentas, como uma barata zumbi dançando ao som de Blondie, que mostram que o filme tem seus lampejos de brilho.

No entanto, o filme parece ter medo de chutar o balde de vez. Em vez de mergulhar de cabeça na loucura total de um fungo que transforma gente e bichos em monstros grotescos, o roteiro às vezes freia para tentar desenvolver dramas que não colam muito, como um romance forçado entre os protagonistas jovens. É como se o filme quisesse ser Zumbilândia, mas tivesse medo de ser tão anárquico quanto.

Alerta Apocalipse 2026 resenha crítica do filme Flixlândia
Foto: Imagem Filmes / Divulgação

Um elenco de peso em situações bizarras

O elenco é, sem dúvida, o ponto mais curioso dessa produção. Temos nada menos que três indicados ao Oscar no meio dessa confusão de gosma e tiros: Liam Neeson, Lesley Manville e Vanessa Redgrave. Ver atores desse calibre num filme “pipocão” de monstro é, no mínimo, interessante.

Liam Neeson faz o que sabe fazer de melhor: o veterano sério e comprometido, o que acaba sendo engraçado justamente pelo contraste com a situação ridícula ao redor dele. Já Joe Keery, o eterno Steve de Stranger Things, entrega carisma, mas sofre um pouco com o estigma. O personagem dele, Travis, soa quase como um spin-off do Steve, o que pode agradar aos fãs, mas mostra uma certa repetição de arquétipo. A química dele com Georgina Campbell é simpática, mas as tentativas de profundidade dramática na relação dos dois acabam soando como “barriga” no filme, atrapalhando o ritmo frenético que a gente esperava.

Efeitos práticos x cervos de CGI

Visualmente, Alerta Apocalipse é oscilante. Quando a produção aposta na maquiagem e nos efeitos práticos dos infectados (especialmente numa mumificação que rola logo na abertura), o resultado é rigoroso e impressionante. Dá para ver que houve um carinho ali.

Por outro lado, quando dependem de computação gráfica, a coisa desanda. Tem uns cervos em CGI que são, sendo bem gentil, problemáticos. Mas, para ser justo, como o filme assume esse tom meio cartoon e exagerado, a gente acaba perdoando esses deslizes técnicos porque eles, de certa forma, combinam com a “vibe” descompromissada da obra.

Potencial x realidade

O maior pecado do filme talvez seja a sensação de “quase”. A ideia de uma extinção global causada por um fungo num depósito de aluguel é genial para uma sátira, mas a narrativa segue trilhos muito conhecidos, cheios de clichês de bases secretas e decisões erradas.

O filme entretém, é rápido e honesto em sua proposta de ser um passatempo, mas fica aquela sensação de que, se tivesse abraçado o caos completamente, seria memorável. Acaba sendo um entretenimento seguro demais para um tema tão “nojento”.

Conclusão

Alerta Apocalipse é aquele típico “filme de shopping”. Não vai mudar a sua vida, não é o terror mais assustador do ano e nem a comédia mais inteligente. Mas, se a ideia é sentar na poltrona, esquecer dos problemas e ver Liam Neeson lidando com um fungo assassino ao lado de jovens carismáticos, ele entrega o que promete: diversão honesta e ligeira.

É uma produção que funciona melhor se você não criar expectativas de ver uma obra-prima. É um filme B com orçamento de A (pelo menos no elenco), que diverte justamente por não se levar tão a sério, mesmo que a gente saia do cinema pensando que ele poderia ter sido muito mais doido.

Onde assistir ao filme Alerta Apocalipse?

O filme estreia nesta quinta-feira, 29 de janeiro de 2026, exclusivamente nos cinemas brasileiros.

Trailer de Alerta Apocalipse (2026)

YouTube player

Elenco do filme Alerta Apocalipse

  • Liam Neeson
  • Joe Keery
  • Georgina Campbell
  • Lesley Manville
  • Vanessa Redgrave
  • Sosie Bacon
  • Darrell D’Silva
  • Daniel Rigby
  • Rob Collins
  • Ellora Torchia
  • Aaron Heffernan
  • Andrew Brooke
Escrito por
Wilson Spiler

Formado em Design Gráfico, Pós-graduado em Jornalismo e especializado em Jornalismo Cultural, com passagens por grandes redações como TV Globo, Globonews, SRZD e Ultraverso.

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