Quando sua vida parece virar de cabeça para baixo, sempre acontecerá algo que vai impactar um pouco mais; isso é o que acontece na vida das famílias Dashwood em Razão e Sensibilidade, livro escrito por Jane Austen em 1811 e que ganha mais uma adaptação cinematográfica com a assinatura de direção de Georgia Oakley, que traz aqui uma ótima visão da vida no século XIX e uma crítica à sociedade aristocrata dessa época.
Com a morte súbita de Henry Dashwood, as leis de sucessão deixam toda a sua fortuna para seu filho do primeiro casamento, John. Manipulado por sua esposa ambiciosa, John deixa a Sra. Dashwood e suas filhas — Elinor, Marianne e Margaret — praticamente desprovidas de recursos. Forçadas a abandonar Norland Park, o lar onde cresceram, as quatro se mudam para Barton Cottage, um chalé simples no litoral de Devonshire disponibilizado pelo bondoso Sir John Middleton.
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Crítica do filme Razão e Sensibilidade (2026)
O filme aborda uma história muito simples e improvável de como as irmãs Dashwood lidam com a vida; cada detalhe construído aqui chega a ser impressionante; a maneira como as duas personagens são construídas ao longo da história parece fundir-se um pouco com o que já conhecemos de comportamento hoje em dia.
Elinor, representando a razão, traz ao público a visão de como é viver naquele século sendo uma mulher que precisa gerenciar o lar e abdicar de seus desejos para dar apoio à sua família e esperar algo que aparentemente não vira e se conformar muitas das vezes.
Já Marianne trabalha o lado da sensibilidade com maestria, sendo aquela que explora a chave para o desconhecido que vai nos dar uma visão além das entrelinhas e abrir portas para outros personagens se encontrarem dentro de si. Claramente, aquela inspiração que todos precisam para seguir sempre.
O que torna esse filme mais interessante é que ele não fica te rodeando de takes longos e diálogos perdidos; a direção faz questão de trabalhar bem diálogos básicos e diretos, mas com um toque quase teatral na atuação, passando por momentos que mais parecem quadros sendo pintados.
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Pintura em movimento
A fotografia trabalhada pelo francês Arnaud Potier é um deleite; parece que o pensamento de cada take específico foi feito para lembrar que aquele filme vai muito além de uma adaptação, é uma obra de arte.
A sensação que dá, com cada detalhamento pensado, é feita para que o espectador admire aquilo e pense mais sobre o que cada sentimento passa; o trabalho de cores e filtros são os mais bonitos possíveis, chega a parecer um sonho, mas com aquele toque de realidade para lembrar que aquele é um mundo possível daquela época.
Tanto a direção geral quanto a fotográfica buscaram inspiração em pinturas dos séculos XVIII e XIX a melhor parte disso tudo é que não ficamos apenas com posições de câmeras e filtros, mas o figurino que deixa tudo ainda mais imersivo.
Cada roupa parece ser pensada para o sentimento e posição de personagens, mas mesmo com características distintas, ainda assim parece pertencer a dois séculos atrás. Não existe uma visão modernista da época como vemos em obras como Bridgerton, que tenta emular uma era vitoriana, mas com traços e trejeitos contemporâneos, com trilhas de músicas atuais ao som de violinos.
Os personagens aqui têm uma aparência suja quando devem ter; suas roupas enfrentam o tempo quando têm de enfrentar o melhor de tudo. Algumas cenas de bailes parecem retratar bem o que eram os bailes daquela época, com salões cheios e praticamente apertados, como em quadros antigos.

Atuação encantadora
O trabalho de atuação de Esmé Creed-Miles é algo fora do comum; o que essa atriz entrega em sentimentos te faz ficar o tempo todo vidrado e torcendo por sua reviravolta e a realização de seus sonhos. Em certos momentos, ela ofusca algumas atuações; parece ser claramente uma garota daquela época.
Ela encontra uma forma de convencer o público de seu sofrimento; existe uma cena em que você acaba tendo um ataque de pânico junto dela. Parece que seus sentimentos ultrapassam a tela e você se torna Marianne, tamanho seu magnetismo.
Não poderia deixar de ressaltar também o trabalho de Daisy Edgar-Jones, que faz o papel da irmã mais velha. Sua preocupação com todo o futuro da família e o peso de ser aquela que pode mudar a vida de sua mãe e irmãs através do casamento deixam Elinor uma peça muito importante, e também encontramos aquela vontade de ver com que ela vença essas barreiras.
Ela transparece ser uma moça bem decidida do que quer, mesmo que sua atitude seja brusca e doa muitas das vezes. Um aspecto interessante que me chamou a atenção foi o fato de ela parecer muitas das vezes com Anne Hathaway; seria equivalente a uma sucessora de uma atriz de peso para outra.
O núcleo masculino ganha forma também através de atores que são muito bons à sua proposta: George MacKay e Herbert Nordrum são o ponto alto e sentimental em vários momentos. A evolução de Nordrum como o Coronel Brandon deixa o espectador encantado ao ver que o personagem, que tinha tudo para soar rígido ou desagradável, demonstra profunda sensibilidade.

Uma ótima adaptação sem enrolação
O maior trunfo desse filme é a falta de exageros e a leveza do correr da história, que não parece e nem quer te enrolar. Ela vai direto ao ponto e não cria personagens aleatórios descaracterizados para a época; cada um aqui funciona da maneira que tem de funcionar.
A falta de exagero deixa você concentrado em acreditar que a virada pode vir a qualquer momento, e cada cena seguinte, como uma pintura, te dá a curiosidade de qual será o próximo momento e onde vamos parar com a próxima viagem ou cenário escolhido para seguir a história.
Talvez seja muito desinteressante para pessoas que não acompanham filmes com essa temática mais simples e historicamente apuradas. Embora o romance seja o eixo central, nenhuma ação moderniza o perfil da protagonista, apesar de certos traços aparentemente contemporâneos; a obra assemelha-se à escrita de uma mulher de dois séculos atrás, considerando o contexto, pois constitui uma crítica à época; nesse sentido, pode ser interpretada como uma versão bem-sucedida de Adoráveis Mulheres, que concentra um mundo e uma família sendo estruturada através da perseverança de mulheres fortes e inteligentes.
Onde assistir e data de lançamento de Razão e Sensibilidade (2026)
Razão e Sensibilidade tem distribuição da Universal Pictures e estará disponível nos cinemas a partir de 15 de outubro, também em versões acessíveis.
Trailer do filme Razão e Sensibilidade (2026)
Ficha técnica
| Informação | Detalhe |
| Título Original | Sense and Sensibility |
| Título Nacional | Razão e Sensibilidade |
| Direção | Georgia Oakley |
| Roteiro | Diana Reid (baseado na obra de Jane Austen) |
| Direção de Fotografia | Arnaud Potier |
| Elenco Principal | Daisy Edgar-Jones, Esmé Creed-Miles, George MacKay, Herbert Nordrum, Caitríona Balfe, Fiona Shaw, Frank Dillane, Bodhi Rae Breathnach |
| Empresas Produtoras | Focus Features, Working Title Films |
| Distribuição | Universal Pictures |
| País / Ano de Lançamento | Reino Unido / Estados Unidos |
| Gênero | Drama / Romance de Época |













