O filme “Antártida” (2026) chega aos cinemas de todo o Brasil nesta quinta-feira, 17 de setembro. Dirigido por Bruno Safadi, com roteiro de Claudia Jouvin, o longa reúne no elenco nomes como Andrea Beltrão, Leandra Leal, Marina Ruy Barbosa, Antonio Calloni, Lázaro Ramos e João Vitor Silva.
“Antártida” inaugurou a edição deste ano do Festival de Cinema de Gramado e recebeu o reconhecimento especial “hors-concours”, ou seja, fora de competição. Com 94 minutos de duração, o longa transita entre o drama e o suspense psicológico ao abordar a violência de gênero e as relações de poder que se estabelecem entre os personagens diante de uma situação extrema.
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Sinopse: o que acontece na trama?
Na trama, cientistas e militares se preparam para enfrentar o rigoroso inverno em uma base brasileira na Antártida. Tudo muda após a primeira noite, quando Inês (Marina Ruy Barbosa) sofre uma violência brutal e todos os homens da base passam a ser considerados suspeitos.
Em meio ao clima de tensão e desconfiança, a subcomandante Elisabeth (Andrea Beltrão) lidera uma investigação em busca do responsável, com o apoio das mulheres da base.
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Crítica: vale a pena assistir ao filme Antártida?
Assisti a “Antártida” no Festival de Cinema de Gramado, em agosto deste ano. Na ocasião, direção e elenco destacaram que o filme é, sobretudo, uma história sobre solidariedade feminina. E, de fato, é. Mas não somente.
Na trama, Inês, personagem vivida por Marina Ruy Barbosa, sofre um estupro enquanto trabalha na base brasileira na Antártida. A partir desse momento, todos os homens da estação passam a ser considerados suspeitos.
As mulheres da base se unem, movidas pelo medo e pela necessidade de resolver a situação. Como espectadora e mulher, percebi essa tão mencionada solidariedade feminina como uma consequência natural das circunstâncias, como mais um dia de nossas vidas. Elas se unem porque não têm outra escolha. Não há outra saída.

O pacto do silêncio masculino
Em Gramado, pouco ou nada foi falado sobre a postura assumida pelos homens da base, tanto pelo agressor quanto pelos demais. E foi justamente aí que o filme despertou minha atenção: “Antártida” lança luz sobre o pacto silencioso da masculinidade e sobre a forma como ele se manifesta dentro de uma sociedade patriarcal.
Ao longo da trama, as mulheres são submetidas a microagressões machistas o tempo inteiro. Depois do estupro, porém, algo ainda mais perturbador se torna evidente: diante da possibilidade de um dos próprios colegas ser o agressor, os homens parecem mais preocupados em proteger uns aos outros e preservar a própria posição do que em enfrentar o problema.
Foi por isso que saí da sessão com uma pulga atrás da orelha. Mais do que um filme sobre solidariedade feminina, “Antártida” também pode ser lido como uma história sobre a “broderagem”, esse pacto silencioso entre homens que, em determinadas circunstâncias, contribui para preservar privilégios e manter estruturas de poder.
Qualidade técnica e produção de nível internacional
Outro ponto que me chamou atenção foi a escala da produção “à la” Hollywood. Embora toda a história se passe em uma base na Antártida, as filmagens foram realizadas em estúdio, no Rio de Janeiro. Antes de assistir, confesso que estava cética. Pensava: “Vixe, vai parecer fajuto”. Mas, durante a sessão, em nenhum momento tive essa sensação.
No fim das contas, sim, vale a pena assistir a “Antártida”. Além de provocar reflexões sobre violência de gênero, machismo e relações de poder, o longa entrega aquilo que se espera de um bom suspense: tensão, desconfiança e entretenimento.
Ficha técnica
| Informação | Detalhes |
| Título Original | Antártida |
| Ano de Produção | 2026 |
| Data de Estreia | 17 de setembro de 2026 |
| País de Origem | Brasil |
| Gênero | Drama / Suspense psicológico |
| Duração | 94 minutos |
| Classificação Indicativa | Não recomendado para menores de 16 anos |
| Direção | Bruno Safadi |
| Roteiro | Claudia Jouvin |
| Elenco Principal | Marina Ruy Barbosa, Andréa Beltrão, Lázaro Ramos, Leandra Leal, Antonio Calloni, João Vitor Silva |
| Distribuição | Paris Filmes |













