O cinema brasileiro encontra no gênero true crime uma de suas fontes mais ricas de histórias. Contudo, poucas produções conseguem equilibrar a tensão de uma invasão armada com o surrealismo do cotidiano nacional tão bem quanto Assalto à Brasileira. Dirigido por José Eduardo Belmonte e roteirizado por L.G. Bayão, o longa-metragem reconstrói o emblemático roubo à agência central do Banestado, ocorrido em Londrina no ano de 1987.
Em vez de apostar em um tom sombrio e violento, a produção abraça a comédia dramática e o absurdo da situação. O resultado é uma obra dinâmica, divertida e profundamente sintonizada com as contradições sociais do país no final dos anos 1980.
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História do filme Assalto à Brasileira
A trama de Assalto à Brasileira gira em torno de Paulo (Murilo Benício), um jornalista experiente que acaba de ser demitido e vive um momento de incertezas na carreira. No dia 10 de dezembro de 1987, ele vai até a agência central do Banestado, em Londrina, para sacar a sua rescisão e o FGTS. O que deveria ser um procedimento de rotina se transforma em um caos quando sete homens armados e encapuzados invadem o prédio de três andares e anunciam o assalto.
Percebendo que está no centro do maior acontecimento da cidade, Paulo enxerga no crime a oportunidade perfeita para conseguir um grande furo jornalístico e dar a volta por cima. Ele se oferece para intermediar a comunicação entre os líderes da quadrilha, Moreno (Christian Malheiros) e Barba (Robson Nunes), e o policial Fonseca (Paulo Miklos), que comanda o cerco policial do lado de fora. Enquanto negociadores tentam controlar a crise, Paulo circula livremente pelo banco entrevistando reféns e colhendo depoimentos que revelam os bastidores do drama.
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Crítica do filme Assalto à Brasileira
Um tom único entre o suspense e a tragicomédia
Um dos maiores méritos de José Eduardo Belmonte em Assalto à Brasileira é a escolha de tom. Em vez de seguir a fórmula tradicional de filmes de assalto hollywoodianos, o diretor constrói um thriller com alma de comédia brasileira. A narrativa se aproxima de clássicos como Um Dia de Cão (1975), de Sidney Lumet, no qual os assaltantes não são criminosos frios e calculistas, mas sim amadores acuados pelo desespero econômico.
A fotografia assinada por Leslie Montero emula com precisão a estética dos anos 1980, utilizando uma textura que lembra antigas fitas VHS e arquivos de televisão. Esse apuro visual ajuda a colocar o espectador no centro do Plano Cruzado, época marcada por inflação galopante e insatisfação popular.
Elenco afinado e atuações de destaque
O elenco é o coração da produção. Murilo Benício entrega uma atuação leve e carismática, transitando com naturalidade entre o desespero e o oportunismo de Paulo. O trabalho rendeu ao ator o prêmio de Melhor Ator no Festival de Brasília.
Do lado dos assaltantes, Christian Malheiros e Robson Nunes destacam-se pela humanidade que conferem a Moreno e Barba, respectivamente. Em vez de vilões assustadores, a dupla constrói figuras quase populares, que conquistam a empatia dos reféns. Paulo Miklos cumpre bem o papel do rígido policial Fonseca, encarregado de conter a multidão e manter o controle do cerco.

Final explicado do filme Assalto à Brasileira
O desfecho da negociação e a fuga no ônibus
Após sete horas de tensão e negociações intensas, o policial Fonseca cede às exigências dos criminosos. O grupo exige a quantia de 30 milhões de cruzados em dinheiro vivo e um ônibus de turismo com os vidros cobertos por cortinas e papéis fumê para impedir a visão dos atiradores de elite.
Para garantir a saída em segurança do banco, os assaltantes formam um cordão humano com os reféns amarrados pelos pulsos. Os criminosos embarcam no veículo levando 14 reféns como garantia de vida, incluindo o jornalista Paulo.
A emboscada na estrada e o paradeiro de Barba
A fuga não se mantém pacífica por muito tempo. Na rodovia em direção ao estado de São Paulo, as forças policiais montam um bloqueio e iniciam uma perseguição violenta com direito a tiroteio. O ônibus tem os pneus estourados a tiros, forçando os criminosos a abandonarem o veículo e se esconderem na mata com os reféns e as sacolas de dinheiro.
Nos dias seguintes, após uma intensa caçada policial no matagal, seis dos sete assaltantes são localizados e presos pelas autoridades, incluindo Moreno. Quase todo o montante de dinheiro roubado (cerca de 25 a 27 milhões de cruzados) é recuperado pela polícia.
Contudo, Barba (Robson Nunes) consegue despistar os cercos policiais e escapar da região sem deixar rastros. Ele se torna o único integrante da quadrilha a nunca ser capturado pelas autoridades. Paulo, por sua vez, consegue sobreviver ao episódio sem ferimentos e transforma sua experiência dramática em um furo jornalístico inesquecível.
Cena pós-créditos do filme Assalto à Brasileira
O filme não tem bem exatamente cena pós-créditos, mas “mid-credits”, com depoimentos dos reféns reais do assalto ao banco em 1987. É muito divertido permanecer sentado na cadeira durante as letrinhas para acompanhar os relatos sobre os acontecimentos e conferir que, de fato, o filme foi fiel aos acontecimentos.

Quem está no elenco de Assalto à Brasileira
O longa-metragem conta com um elenco de peso que reúne diferentes gerações da dramaturgia brasileira:
- Murilo Benício como Paulo (jornalista recém-demitido)
- Christian Malheiros como Moreno (líder dos assaltantes)
- Robson Nunes como Barba (comparsa e líder dos assaltantes)
- Paulo Miklos como Fonseca (comandante da Polícia Militar e negociador)
- Fernanda de Freitas
- Yohama Eshima
- Laura Luz
- Fernando Mais
- Vertin Moura
- Luiz Thunderbird
- Augusto Madeira
- Matheus Macena
A história real por trás do filme Assalto à Brasileira
A premissa absurda de Assalto à Brasileira é inspirada em fatos reais ocorridos na manhã de 10 de dezembro de 1987, data em que Londrina comemorava seu aniversário de 53 anos. Naquele dia, sete homens invadiram a agência central do Banestado no Calçadão da cidade e mantiveram mais de 300 pessoas sob a mira de armas. Este permanece como o assalto a banco com o maior número de reféns da história do Brasil.
Na época, o país vivia o colapso do Plano Cruzado, com inflação descontrolada, congelamento de salários e forte rejeição ao sistema financeiro e ao governo do presidente José Sarney. Por conta desse cenário, cerca de 5 mil pessoas se aglomeraram do lado de fora da agência para acompanhar a operação e começaram a torcer abertamente pelos ladrões, tratando-os como “Robin Hoods” revoltados contra o sistema bancário.
Dentro do banco, a polidez e o amadorismo dos criminosos geraram situações inusitadas: os assaltantes pediram lanches e refrigerantes para os reféns, deram dinheiro do próprio bolso para uma idosa que temia perder a aposentadoria e conversaram amigavelmente com os funcionários.
O episódio histórico já havia sido relatado no livro-reportagem Assalto à brasileira (1988), do escritor Domingos Pellegrini, e no documentário Isto (não) é um assalto (2018), dirigido por Rodrigo Grota.
Onde assistir
O filme Assalto à Brasileira estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, dia 5 de novembro de 2026, com distribuição da Galeria Distribuidora. O longa-metragem pode ser conferido nas principais redes de cinema do país.
Trailer do filme Assalto à Brasileira (2026)
Ficha técnica
| Parâmetro | Detalhes |
|---|---|
| Título original | Assalto à Brasileira |
| Ano de lançamento | 2026 |
| Duração | 90 minutos |
| Gênero | Comédia / Drama Policial |
| Direção | José Eduardo Belmonte |
| Roteiro | L.G. Bayão (baseado na obra de Domingos Pellegrini) |
| Elenco principal | Murilo Benício, Christian Malheiros, Robson Nunes, Paulo Miklos |
| Fotografia | Leslie Montero |
| Produtoras | Santa Rita Filmes, Grupo Telefilms, +Galeria |
| Distribuição | Galeria Distribuidora |
| Premiações | Festival de Brasília (Melhor Ator, Melhor Ator Coadjuvante e Júri Popular) |













