A Netflix acaba de lançar a tão aguardada continuação do spin-off de La Casa de Papel, mas com uma jogada de mestre na estratégia de marketing: em vez de chamá-la de temporada 2, a plataforma a batizou como Berlim e a Dama com Arminho (Berlín y La Dama del Armiño).
O objetivo dessa mudança é atrair não só os fãs antigos, mas também novos assinantes que desejam uma aventura independente, sem sentirem a pressão de fazer a “lição de casa” assistindo à temporada anterior (agora renomeada silenciosamente para Berlín e As Joias de Paris).
Vendida sob o lema “ele não rouba, ele faz arte”, a série aposta todas as suas fichas no carisma imbatível do seu protagonista para nos conduzir por um mundo de muito luxo, esquemas criminosos e um bocado de tensão melodramática.
Sinopse
Nesta nova trama, somos transportados para as ruas ensolaradas e históricas de Sevilha, onde Berlim (Pedro Alonso) e Damián (Tristán Ulloa) reúnem o seu antigo bando — composto por Keila (Michelle Jenner), Bruce (Joel Sánchez), Cameron (Begoña Vargas) e Roi (Julio Peña Fernández).
O plano espetacular da vez parece ser o roubo de uma das maiores obras de Leonardo da Vinci, A Dama com Arminho. Mas, como é de praxe na franquia, o assalto é apenas um pretexto, um verdadeiro “cavalo de Troia”. O alvo real é o esnobe Duque de Málaga (José Luis García-Pérez) e sua esposa, a Duquesa (Marta Nieto), um casal poderoso que cometeu o gravíssimo erro de tentar chantagear Berlim.
Essa audácia acorda o lado mais vingativo e sombrio do líder da gangue, que, no meio de toda a confusão, ainda tem seu coração balançado por Candela (Inma Cuesta), uma carterista geniosa e nova integrante da equipe.
Crítica da temporada 2, Berlim e a Dama com Arminho
O assalto perde espaço para o melodrama
Quem for dar o play esperando o nível de adrenalina e a urgência dos planos milimétricos e quase impossíveis de La Casa de Papel pode acabar frustrado. Os criadores Álex Pina e Esther Martínez Lobato decidiram focar muito mais nas fraquezas emocionais dos personagens do que no roubo em si.
O golpe genial logo fica em segundo plano para dar lugar a obsessões românticas e conflitos internos do grupo, como o relacionamento intenso entre Berlim e Candela ou as crises sentimentais dos demais membros da gangue. A sensação que fica é de que o roteiro estica situações desnecessariamente, criando subtramas que interrompem a fluidez narrativa e parecem existir apenas para preencher o tempo dos longos episódios.
Infelizmente, com exceção da dinâmica do protagonista, muitos personagens secundários acabam esvaziados ou presos a estereótipos, perdendo aquela química coletiva afiada que marcava o grupo original.

Pedro Alonso carrega a série nas costas
Apesar das falhas evidentes na condução da história, Pedro Alonso prova mais uma vez que é a alma desse universo. Ele entrega um Berlim absolutamente magnético: elegante, irritante, narcisista e absurdamente romântico, tudo ao mesmo tempo.
A série acerta ao não mostrar apenas o criminoso frio calculando variáveis, mas sim o líder carismático que escuta, manipula e consola sua equipe com uma teatralidade única. O charme do show mora justamente aí: o espectador não assiste à série pela perfeição do assalto, mas para ver Berlim falando sobre o amor com a elegância de um aristocrata trágico, mesmo diante de uma arma carregada.
Um deslumbre visual que disfarça a repetição
Visualmente, a produção é impecável. A série transforma a Espanha em um verdadeiro paraíso cinematográfico de luxo, filmando não só em Sevilha, mas também em cenários deslumbrantes de Madrid, San Sebastián, Peñíscola, Barcelona e Valência. Há um trabalho lindíssimo de fotografia que abraça os tons dourados, luzes quentes e locações imponentes, quase nos vendendo um pacote de turismo de luxo.
Aliada a isso, a trilha sonora e as escolhas musicais (como o uso envolvente da banda Cigarettes After Sex) elevam a carga dramática de várias cenas. Entretanto, fica a nítida impressão de que essa estética de videoclipe é usada muitas vezes para maquiar a fragilidade de um enredo previsível e as fórmulas já exaustivamente recicladas da franquia.
Conclusão: Berlim e a Dama com Arminho é boa?
Berlim e a Dama com Arminho cumpre o seu papel de ser uma fantasia criminal divertida e bastante glamurosa, servindo como um bom entretenimento de fim de semana. Contudo, a ausência de uma urgência narrativa real e a dependência exagerada de romances e do charme do seu ator principal escancaram os sinais de fadiga de uma franquia que se recusa a acabar.
É uma série que vale o seu tempo se você for fã incondicional de Pedro Alonso ou quiser se encantar com a beleza das cidades espanholas. Mas, se você estiver em busca de um roteiro engenhoso de tirar o fôlego, talvez seja melhor aceitar que essa obra faz muito mais charme do que arte.
Onde assistir à temporada 2 série Berlim: a Dama com Arminho?
Trailer de Berlim e a Dama com Arminho (2026)
Elenco da temporada 2 de Berlim: a Dama com Arminho, da Netflix
- Pedro Alonso
- Michelle Jenner
- Tristán Ulloa
- Begoña Vargas
- Julio Peña
- Joel Sánchez
- Inma Cuesta
- Paul Zinno
















