Sabe aquela série que chega de mansinho e, de repente, te dá um soco no estômago emocional? É bem o caso de Alma Gêmea, o novo dorama nipo-coreano que estreou na Netflix em 14 de maio de 2026.
Promovida inicialmente para atrair os fãs de produções BL (Boys’ Love), a série de oito episódios escrita e dirigida por Shunki Hashizume rapidamente mostra que não está aqui para entregar um romance açucarado. Pelo contrário, é uma obra densa que fala sobre traumas, solidão e como tentamos sobreviver quando a vida parece não dar trégua.
Sinopse
A história acompanha Ryu Narutaki (Hayato Isomura), um jovem japonês que jogava hóquei no gelo na universidade e que foge para Berlim após um evento trágico. Consumido pela culpa depois que seu melhor amigo, Arata Oikawa (Koshi Mizukami), tenta tirar a própria vida ao lidar com a rejeição e com o fato de ter sido tirado do armário à força, Ryu tenta recomeçar na Alemanha ao lado da amiga de infância Sumiko Shinonome (Ai Hashimoto).
É lá que ele cruza o caminho de Johan Hwang (Ok Taec-yeon), um ex-boxeador sul-coreano que tenta proteger a irmã mais nova, Su A (Lee Jae-yi), enquanto carrega suas próprias cicatrizes físicas e emocionais. Os dois se conhecem após Johan salvar Ryu de um incêndio em uma igreja, e a partir daí acompanhamos a vida deles se entrelaçando ao longo de uma década, passando por Berlim, Seul e Tóquio.
Crítica do dorama Alma Gêmea, da Netflix
Muito além do BL tradicional
Se você der o play em Alma Gêmea esperando os clichês fofos, declarações de amor arrebatadoras ou grandes beijos que marcam os doramas BL, pode ir tirando o cavalinho da chuva. A série é muito mais um drama queer slice-of-life focado na conexão humana do que um romance clássico.
A intimidade entre Ryu e Johan é construída no silêncio, no companheirismo e nas dores divididas. A escolha da direção de focar no peso emocional em vez da atração física é ousada, mas pode frustrar quem esperava ver um relacionamento mais bem definido nas telas.

Atuações que carregam a dor
O ponto mais alto da série, sem dúvidas, é o elenco. Hayato Isomura entrega um Ryu carregado de culpa e exaustão, transitando perfeitamente do garoto inocente do início para um adulto paralisado emocionalmente. Do outro lado, Ok Taec-yeon surpreende muito.
Acostumado a papéis mais carismáticos e intensos, aqui ele nos dá um Johan contido, engolindo a própria fragilidade para parecer o cara durão do boxe. A dinâmica entre os dois é palpável e realista. Vale destacar também Ai Hashimoto como Sumiko, que traz uma maturidade enorme para a tela e mostra que almas gêmeas também podem ser platônicas.
A melancolia exaustiva e os tropeços da edição
Onde Alma Gêmea escorrega feio é no ritmo e no roteiro. O tom da série é tão melancólico que chega a ser cansativo; parece que os personagens não têm um segundo de paz. A cada momento de felicidade, vem uma tragédia absurda logo em seguida, o que tira um pouco do realismo que a série tanto busca.
Além disso, a edição e o roteiro deixam a desejar em vários momentos. Algumas tramas parecem não ter propósito, como certas cenas militares ou momentos de nudez gratuita. Os diálogos às vezes soam super engessados e pouco naturais (com personagens gaguejando ou repetindo o início das frases sem necessidade), e os saltos temporais de dez anos muitas vezes te deixam perdido na linha do tempo. Até a resolução da história do Arata parece apressada e pouco condizente com a gravidade de uma tentativa de suicídio.
O cenário como um terceiro protagonista
Visualmente, a série é um espetáculo. A fotografia de Shunki Hashizume usa as cidades de forma genial para refletir os sentimentos dos personagens: Berlim é o terreno neutro de luz plana onde os dois se permitem existir fora da pressão social; Seul é sufocante e claustrofóbica com enquadramentos fechados; e Tóquio traz um ambiente mais doméstico e pesado.
A única ressalva técnica fica por conta da trilha sonora, que em alguns momentos toca umas músicas alegres que não têm nada a ver com o clima de luto ou seriedade das cenas — embora a música tema, “Our Hearts“, cantada por STUTS and butaji com a AiNA THE END, seja linda.
Conclusão: vale a pena ver Alma Gêmea?
No fim das contas, Alma Gêmea é uma experiência intensa e agridoce. Não é uma série para relaxar ou para ver o amor vencendo todos os obstáculos com fogos de artifício. É sobre a exaustão de viver e sobre encontrar alguém que, mesmo nos seus piores dias, te dá um motivo para não desistir.
Se você gosta de dramas profundos, quietos e que machucam um pouquinho, vale a maratona. Mas, se você estiver num dia ruim e querendo ver algo leve e feliz, passe longe, porque essa série vai sugar a sua energia.
Onde assistir ao dorama Alma Gêmea?
Trailer da série Alma Gêmea (2026)
Elenco de Alma Gêmea, da Netflix
- Hayato Isomura
- Ok Taec-yeon
- Ai Hashimoto
- Koshi Mizukami
- Yutaro Furutachi
- Lee Jae-yi
- Chihiro Kato
- Ken Yasuda
- Kaho Minami
- Tomokazu Miura


















