Crítica | 'Entre Pai e Filho' prova que a Netflix aprendeu a lucrar com o caos e a rapidez

Crítica | ‘Entre Pai e Filho’ prova que a Netflix aprendeu a lucrar com o caos e a rapidez

Foto: Netflix / Divulgação
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Sabe aquela história que te prende no sofá justamente por ser caótica e absurdamente dramática? A nova aposta da Netflix, Entre Pai e Filho (do espanhol Entre padre e hijo), criada pelo veterano roteirista chileno Pablo Illanes, é o exemplo perfeito desse fenômeno.

A plataforma decidiu abraçar a recente febre das “microsséries” – um formato de consumo ultrarrápido que dominou aplicativos asiáticos como o ReelShort – e entregou um thriller novelesco mexicano fragmentado em 20 episódios de apenas 10 minutinhos.

O resultado é uma experiência audiovisual frenética, construída sob medida para ser devorada de uma só vez, misturando o suco do melodrama latino com um suspense cheio de tensões obscuras.

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Sinopse

A narrativa segue Bárbara (Pamela Almanza), uma advogada inteligente e muito bem-sucedida que viaja para a enorme fazenda da família de seu noivo, o piloto viúvo Álvaro (Erick Elías). O que era para ser apenas uma visita para estreitar laços vira de cabeça para baixo quando ela esbarra com Iker (Graco Sendel), o problemático e sedutor filho de seu parceiro.

A química é instantânea e inegável, fazendo com que Bárbara mergulhe num romance proibido dentro da mesma casa que seu futuro marido. Ao mesmo tempo, a protagonista decide bancar a detetive e passa a investigar o que realmente aconteceu com Fernanda, a ex-esposa de Álvaro e mãe de Iker, cujo sumiço nunca foi bem explicado, colocando-a em rota de colisão com a perigosa matriarca da família, Margarita (Carmen Delgado).

Crítica da série Entre Pai e Filho, da Netflix

O formato “TikTok”: inovação viciante ou armadilha?

O maior chamariz de Entre Pai e Filho é, sem dúvida, a sua estrutura em minicapítulos. Com a série entregando ganchos enormes e reviravoltas chocantes a cada 10 minutos, você mal tem tempo de respirar, o que torna quase impossível não dar o play no próximo episódio. A produção inteira tem um pouco mais de 3h20 de duração, sendo o “fast-food” ideal para maratonar em uma tarde descompromissada.

O problema dessa agilidade extrema é que a série sacrifica toda a sua profundidade moral em prol do ritmo alucinado. Em vez de construir uma verdadeira tensão psicológica, a trama apenas salta de um escândalo para outro, apostando quase inteiramente no valor de choque em vez de dar substância às emoções.

Entre Pai e Filho 2026 crítica da série da Netflix - Flixlândia (1)
Foto: Netflix / Divulgação

Muito drama, pouco raciocínio

Se você fechar os olhos, a sensação é de estar lendo uma história caótica do Wattpad que de repente ganhou vida, ou assistindo a uma clássica novela mexicana em velocidade x2.0. Apesar de toda a teia de intrigas sobre a morte de Fernanda – que envolve também a solitária filha Gaby (Natalia Plascencia) e a adolescente Leo (Ivanna Castro) –, a história nunca fica muito difícil de decifrar.

A própria protagonista toma atitudes inacreditavelmente ruins; Bárbara é vendida pelo roteiro como uma advogada de elite brilhante, mas parece deixar o cérebro na gaveta quando as coisas esquentam, o que chega a ser involuntariamente cômico em certas cenas. É uma verdadeira farofa de choro, intrigas e olhares sensuais que te entretém pelo caos, mas não convence pelo roteiro.

Elenco tentando salvar o texto

É injusto culpar os atores pela superficialidade da trama, pois eles tentam amarrar as pontas soltas de um texto raso. Pamela Almanza até tenta dar alguma humanidade e vulnerabilidade para Bárbara, mas esbarra numa personagem engessada, sem “energia de protagonista”. Erick Elías entrega um pai frustrado de forma sólida, mas todo o trauma e negligência dele ficam restritos aos diálogos de superfície, nunca sendo aprofundados pela obra.

Graco Sendel se destaca no olhar e atração física inicial, porém Iker rapidinho se revela um interesse romântico unidimensional. Até a vilania suprema da sogra maquiavélica Margarita – que mata maridos envenenados e contrata assassinos – soa um pouco caricata devido à rapidez com que tudo explode na tela.

Conclusão: vale a pena ver Entre Pai e Filho?

No fim do dia, Entre Pai e Filho é o ápice do entretenimento “trash chic”. Visualmente, a série é caprichada, desfilando pelas telas com uma fotografia infinitamente superior às microsséries comuns que circulam pelas redes sociais. O formato é perfeito para reter a atenção de quem não tem paciência para episódios de uma hora cheios de encheção de linguiça.

Entretanto, se você procura um thriller psicológico maduro, lógico e cheio de dilemas morais super trabalhados, passe longe. É o tipo exato de série feita para você desligar a mente depois de um dia estressante: você vai ficar vidrado com a velocidade das fofocas e traições, mas esquecerá de absolutamente tudo assim que começar a rolar a tela de créditos.

Onde assistir à série Entre Pai e Filho?

Trailer de Entre Pai e Filho (2026)

YouTube player

Elenco de Entre Pai e Filho, da Netflix

  • Pamela Almanza
  • Erick Elías
  • Graco Sendel
  • Natalia Plascencia
  • Ivanna Castro
  • Carmen Delgado
Escrito por
Taynna Gripp

Formada em Letras e pós-graduada em Roteiro, tem na paixão pela escrita sua essência e trabalha isso falando sobre Literatura, Cinema e Esportes. Atual CEO do Flixlândia e redatora do site Ultraverso.

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