Sabe aquele episódio que te deixa com o coração na mão e, ao mesmo tempo, coçando a cabeça de tanta frustração? É exatamente essa a sensação que o sétimo e penúltimo episódio da 5ª temporada de The Boys entrega.
A série, que construiu sua fama quebrando tabus e rindo da cara dos clichês de super-heróis, agora nos coloca de frente com o abismo absoluto antes de sua conclusão definitiva. Com apostas altíssimas e a promessa de um confronto final sangrento, o episódio nos lembra por que amamos essa equipe disfuncional, mesmo tropeçando feio em algumas de suas próprias narrativas.
Sinopse
No episódio intitulado “O Francês, a Mulher e o Homem Chamado Leitinho de Mãe“, acompanhamos as consequências desastrosas da imortalidade recém-adquirida pelo Capitão Pátria (Homelander), que agora comanda o país de dentro do Salão Oval com mão de ferro.
Enquanto a propaganda da Vought tenta vendê-lo ao público como o novo Deus, Billy Bruto e Hughie buscam soluções desesperadas e acabam presos pelo telepata Sinapse. Paralelamente, o restante dos The Boys foca no Plano B: replicar os níveis absurdos de radiação do Soldier Boy em Kimiko, na esperança de fritar o Composto V no sangue do Capitão Pátria. No meio do caos, perdas irreparáveis acontecem, testando o limite de todos os envolvidos.
Crítica do episódio 7 da temporada 5 de The Boys
A ascensão do falso Deus e o novo mundo político
A série nunca foi sutil, mas ver o Capitão Pátria literalmente esmagando a cabeça do presidente Calhoun apenas por ele não ser um “verdadeiro crente” eleva o nível de terror político da trama. É assustadoramente cômico como ele despacha exigências absurdas — desde o banimento do aborto e do “leite de nozes”, até a obrigatoriedade da amamentação —, transformando Ashley na nova Presidente dos Estados Unidos simplesmente por sobrevivência corporativa.
O toque de mestre fica para o bizarro número musical liderado por Oh-Pai (Oh Father, interpretado genialmente por Daveed Diggs), que traz uma vibe distorcida de Hamilton misturada com culto fascista. A sátira afiada de The Boys continua brilhando nesses momentos absurdos.

Retornos desperdiçados e problemas de roteiro
Nem tudo são flores (ou sangue bem espalhado). A forma como a série incluiu os personagens de Gen V foi, para dizer o mínimo, decepcionante. Os fãs esperaram muito para ver Marie Moreau e Jordan Li entrarem na briga, apenas para vê-los sendo rapidamente escanteados por Luz-Estrela (Annie) sob o pretexto de que “Marie não consegue controlar seus poderes”. É um furo de continuidade gigantesco que ignora todo o desenvolvimento da garota na série derivada, soando quase como um desrespeito a quem acompanhou o spin-off.
Outro que sofre com um roteiro conveniente é o Soldier Boy. Depois de toda a tensão, ele simplesmente recusa o papel de “Jesus” do parque temático do filho, diz que vai para Bogotá atrás de drogas e mulheres, toma um mata-leão do Capitão Pátria e volta direto para a câmara criogênica. É um uso muito anticlimático para o personagem, assim como o destino patético de Profundo, que é expulso dos Sete e proibido de entrar no oceano por um tubarão-martelo dublado por Samuel L. Jackson (uma participação hilária, mas que o deixa sem rumo na narrativa).
Corações partidos: Leitinho e os demônios de Bruto
No lado emocional, o episódio acerta em cheio ao dar a Leitinho uma nova história de origem para o seu apelido. Diferente da versão nojenta dos quadrinhos originais, a série nos mostra que ele ganhou o apelido na infância ao ser zoado por nutrir e salvar um pombo machucado. É um momento lindo e sensível que contrasta perfeitamente com a loucura do universo de The Boys.
Já Bruto abraça de vez a escuridão. Através das memórias escavadas pelo telepata Sinapse, confirmamos que Kessler (Jeffrey Dean Morgan) é apenas uma alucinação de um antigo parceiro de esquadrão que morreu graças à liderança inconsequente de Bruto. A cena deixa claro que ele sacrificará quem for necessário para cumprir sua missão genocida com o vírus, consolidando-o como um dos grandes vilões da trama.
O sacrifício do Francês
A coroa do episódio, no entanto, vai para a tragédia envolvendo o Francês. Após convencer a apática Mana Sábia (Sage) a ajudar nos cálculos da radiação usando um discurso inesperado sobre o “amor”, o químico percebe que o plano perfeito esbarrou na falta de tempo com a chegada do Capitão Pátria. Escondendo Kimiko em um duto de zinco, o Francês atrai o vilão, abre o urânio e os banha em radiação.
O Capitão Pátria sangra e foge, mas o estrago no corpo humano do Francês é fatal. Vê-lo sucumbir nos braços de Kimiko, após prometer no início do episódio que eles teriam uma família e se mudariam para a França, é um golpe baixo (e brilhante) no coração do espectador. Foi uma morte digna, impactante, silenciosa no final e que elevou drasticamente as apostas da série.
Conclusão
Este penúltimo episódio é um saco de emoções mistas. Enquanto entrega o humor característico da série, atuações excelentes e uma despedida devastadora e corajosa para um personagem tão amado como o Francês, ele também sofre com decisões preguiçosas de roteiro e resoluções apressadas (estamos olhando para você, núcleo de Gen V).
Contudo, as peças estão indiscutivelmente no tabuleiro para o grand finale. Com o Capitão Pátria descobrindo que pode voltar a ser mortal e Bruto disposto a liberar um vírus letal no mundo, o palco está montado não para um resgate heroico, mas para uma verdadeira carnificina. Que venha o desfecho.
Onde assistir à série The Boys?
Trailer da temporada 5 de The Boys
Elenco da 5ª temporada de The Boys
- Karl Urban
- Jack Quaid
- Antony Starr
- Erin Moriarty
- Jessie T. Usher
- Laz Alonso
- Chace Crawford
- Tomer Capone
- Karen Fukuhara
- Nathan Mitchell
- Colby Minifie
- Susan Heyward
- Valorie Curry
- Daveed Diggs

















