crítica do filme Clika 2026

‘Clika’ é uma uma peça promocional em forma de filme

Foto: Divulgação
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O universo da música regional mexicana e o movimento dos corridos tumbados deram um passo ousado ao invadir o catálogo da HBO Max com o longa-metragem Clika – Sonho e Perigo. Fruto da produtora da gravadora Rancho Humilde, com idealização do empresário Jimmy Humilde e direção de Michael Greene, o filme escala o cantor JayDee (vocalista do grupo Herencia de Patrones) para liderar uma história sobre ambição e busca pelo sonho americano.

No entanto, a transição dos palcos para o cinema se provou um terreno escorregadio. Enquanto o público abraçou a produção por conta do peso cultural, a crítica especializada recebeu o projeto com frieza, apontando atuações engessadas e uma narrativa repleta de fórmulas batidas.

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Sinopse

A trama gira em torno de Chito (JayDee), um jovem de origem mexicana que trabalha colhendo pêssegos em Yuba City, na Califórnia, enquanto dedica suas poucas horas livres a compor faixas de rap e corridos em um estúdio caseiro ao lado dos amigos. A vida de sua família vira de cabeça para baixo quando a mãe, Mari (Nana Ponceleon), atrasa o pagamento de impostos e da hipoteca, ameaçando a perda da casa da família enquanto tenta sustentar os estudos de medicina do filho caçula, Chuy (Josh Benitez).

Desesperado para arrumar dinheiro rápido, Chito aceita trabalhar no transporte ilícito de maconha para seu tio Alfredo (Concrete). A reviravolta acontece quando um vídeo de Chito cantando viraliza na internet, arremessando-o ao estrelato musical, ao mesmo tempo em que a rotina perigosa no submundo começa a ameaçar sua carreira, suas amizades e sua segurança.

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Crítica do filme Clika – Sonho e Perigo

Atuação engessada e falta de carisma em cena

O grande calcanhar de Aquiles de Clika está na performance do seu próprio protagonista. JayDee, que faz sua estreia como ator, entrega uma interpretação distante e monocórdica no papel de Chito. Em vez de demonstrar a dor e o peso de um jovem dividido entre o crime e a arte, o artista passa a maior parte do tempo em tela com uma postura rígida, olhares perdidos e uma fala sem variação tonal.

Curiosamente, a energia do cantor surge de verdade quando ele assume o microfone nas poucas cenas de apresentação ao vivo. O problema é que a direção de Michael Greene economizou nas sequências musicais, deixando o público preso a longos momentos dramáticos comandados por uma atuação robótica.

crítica do filme Clika 2026
Foto: Divulgçaão

Roteiro previsível e furos de lógica

Escrito a seis mãos por Michael Greene, Sean McBride e Jimmy Humilde, o roteiro tenta equilibrar a jornada da ascensão musical com o suspense de um drama policial. O filme busca inspiração em clássicos como 8 Mile, Purple Rain e Selena, mas passa longe de alcançar a mesma intensidade dramática. O texto peca por clichês excessivos e por uma falta perceptível de verossimilhança.

Em determinado trecho da história, Chito chega a faturar cerca de 70 mil dólares por mês fazendo entregas de droga para o tio — uma quantia exagerada que tira qualquer sensação realista de perigo ou urgência financeira. No ato final, o longa ainda força mudanças de tom confusas e entrega uma mensagem moral dúbia sobre o crime e a fama.

Trilha sonora pulsante e destaques dos coadjuvantes

Apesar dos tropeços na condução da história, Clika não é um desastre completo e guarda seus momentos de entretenimento. As faixas musicais interpretadas por JayDee trazem uma autenticidade real e funcionam como o verdadeiro motor de energia do filme. Além disso, o elenco secundário tenta compensar a falta de experiência do protagonista.

Veteranos como Eric Roberts, interpretando um chefão do crime, roubam a cena em aparições de menos de cinco minutos. O longa também marca a última atuação póstuma do ator Peter Greene (famoso por Pulp Fiction) como o Tenente Jones, além de contar com uma ponta do rapper Master P (Percy Miller) e a veia cômica de DoKnow (Daniel ‘DoKnow’ Lopez) no papel do amigo Blunt. Por outro lado, o roteiro peca ao deixar as poucas personagens femininas, como a namorada Candy (Laura Lopez), presas a papéis superficiais e sem profundidade.

Clika é um bom filme?

No fim das contas, Clika funciona muito mais como uma peça promocional ou um presente para a base de fãs dedicada de JayDee e da Rancho Humilde do que propriamente como uma obra cinematográfica marcante. Essa divisão fica evidente nos números: o longa registrou apáticos 10% de aprovação dos críticos no Rotten Tomatoes e nota 4.2 no IMDb, mas conquistou 91% de avaliação positiva por parte do público.

Para quem busca apenas curtir a trilha sonora e a representação da cultura mexicana-americana, o filme cumpre seu papel em rápidos 83 minutos. Porém, quem procura um drama profundo e bem atuado sobre os bastidores da música vai encontrar um resultado raso e cheio de oportunidades perdidas.

Trailer do filme Clika – Sonho e Perigo

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Elenco de Clika – Sonho e Perigo (2026)

  • JayDee (como Chito)
  • Concrete / Cristian E. Gutierrez (como Alfredo)
  • Daniel ‘DoKnow’ Lopez (como Blunt)
  • Laura Lopez (como Candy)
  • Nana Ponceleon (como Mari)
  • Josh Benitez (como Chuy)
  • Eric Roberts
  • Peter Greene
  • Percy “Master P” Miller

Ficha técnica

  • Título Original: Clika
  • Ano de Lançamento: 2026
  • Direção: Michael Greene
  • Roteiro: Michael Greene, Sean McBride e Jimmy Humilde
  • Produção: Rancho Humilde / Sean McBride e Jimmy Humilde
  • Duração: 83 minutos (1h 22min)
  • Gênero: Drama / Crime / Musical
  • Classificação Indicativa: R (conteúdo de drogas, linguagem forte e material sexual)
  • Distribuição / Streaming: Sony Pictures / HBO Max
Escrito por
Juliana Cunha

Editora na ESPN Brasil e fã de cultura pop, Juliana se classifica como uma nerd saudosa dos grandes feitos da Marvel.

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