Há algo de fascinante na forma como o público consome cinema na era das redes sociais. Um filme pode ser sumariamente condenado às traças durante sua exibição nas telonas, cercado por manchetes catastróficas de arrecadação, para apenas dois meses depois ser resgatado como uma espécie de “obra incompreendida” no calor do lar. É exatamente esse o turbilhão vivido por Supergirl (2026), o segundo longa-metragem do novo Universo DC (DCU) arquitetado por James Gunn e Peter Safran.
Enquanto o mercado financeiro de Hollywood ainda faz contas para mensurar os estragos de sua passagem pelos cinemas, os espectadores que finalmente colocaram os olhos na produção em casa estão se fazendo uma única pergunta: afinal, por que diabos esse filme recebeu tanto ódio?
Antes de revelarmos o caminho das pedras para você dar o play nessa aventura espacial sem colocar a mão no bolso — sim, já é possível assistir “de graça” se você for assinante de uma das maiores plataformas do mercado —, acompanhe a nossa viagem pelos bastidores, segredos e desdobramentos morais da garota mais abusada da DC Comics.
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Do “flop” milionário ao voo no topo do mundo
A matemática das bilheterias de super-heróis costuma ser implacável. Produzido com um orçamento estimado entre US$ 170 milhões e US$ 186 milhões — somados a robustos US$ 120 milhões investidos em marketing global —, Supergirl precisava ultrapassar a casa dos US$ 300 milhões para começar a dar lucro aos cofres da Warner Bros. Pictures.
Contudo, ao chegar às salas de exibição em 25 de junho de 2026, o longa encontrou uma tempestade perfeita. Enfrentando uma concorrência esmagadora de títulos como Toy Story 5, Homem-Aranha: Um Novo Dia e o épico A Odisseia, de Christopher Nolan, o filme arrecadou apenas US$ 126,4 milhões mundialmente (sendo US$ 72,3 milhões na América do Norte e US$ 54 milhões no mercado internacional). O baque foi ampliado por uma queda brutal de 74% a 77% em sua segunda semana de exibição, consolidando um prejuízo estimado entre US$ 100 milhões e US$ 120 milhões para o estúdio.
Para piorar o clima, vazaram relatos de bastidores apontando sérios atritos criativos entre o co-CEO James Gunn e o diretor Craig Gillespie. O estúdio chegou a testar dois cortes diferentes do filme com o público: a versão do diretor tinha 11 minutos a mais e dava maior destaque ao vilão Krem, enquanto a versão que chegou aos cinemas cortou excessos para agilizar a narrativa.
Mas a história não parou por aí. Poucas horas após ser lançado no catálogo digital sem custo adicional para os assinantes, o filme protagonizado por Milly Alcock virou um verdadeiro fenômeno. A obra assumiu o 1º lugar no ranking de filmes mais assistidos em 23 países (incluindo Reino Unido, Espanha, Portugal, Austrália e Polônia) e cravou a 2ª posição no ranking global da plataforma, segundo dados do FlixPatrol. Nas redes sociais e no Reddit, milhares de pessoas que ignoraram o longa nos cinemas passaram a elogiar a produção, destacando que a taxa de aprovação do público no Rotten Tomatoes (72%) reflete muito melhor a qualidade do longa do que a média da crítica especializada (53%).
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O que nós achamos do filme
Esqueça aquela heroína ensolarada e certinha apresentada nas séries de TV da Warner. A Supergirl de Milly Alcock é uma figura machucada, cínica e deliciosamente imperfeita. Enquanto seu primo Clark Kent (Superman) foi criado por pais amorosos no Kansas e aprendeu a ver o melhor das pessoas, Kara Zor-El cresceu em um pedaço agonizante de seu planeta destruído (Argo City), assistindo à sua mãe e à sua cultura morrerem gradativamente.
Sob a direção afiada de Craig Gillespie (Eu, Tonya e Cruella), Supergirl se recusa a ser mais uma história de origem tradicional. O filme se estabelece como um divertido e melancólico road movie espacial, onde o desejo de justiça se confunde perigosamente com a sede de vingança.
Para nós, do Flixlândia, o grande trunfo do longa é abraçar as cicatrizes de sua protagonista. Kara bebe em planetas de sol vermelho para anular seus poderes temporariamente e anestesiar o luto com ressacas galácticas. Quando ela se une à jovem alienígena Ruthye Marye Knoll para caçar o criminoso que feriu seu amado supercão Krypto, o filme ganha uma dinâmica no melhor estilo Thelma & Louise intergaláctico. E por falar no cachorro: Krypto é simplesmente o verdadeiro dono do filme, roubando cada cena em que dá as caras!

Quem é quem no elenco de Supergirl (2026)
O elenco reunido pela DC Studios é um espetáculo à parte, misturando novos talentos do audiovisual com astros consagrados de Hollywood:
Milly Alcock (Kara Zor-El / Supergirl)
Consagrada mundialmente como a jovem Rhaenyra Targaryen na série A Casa do Dragão, a atriz australiana entrega uma atuação visceral e carismática. James Gunn chegou a declarar que a escalação de Alcock foi “a melhor da sua vida”.
Eve Ridley (Ruthye Marye Knoll)
A revelação da série O Problema dos 3 Corpos interpreta a jovem e corajosa alienígena que contrata os serviços da heroína para vingar a morte de seu pai.
Matthias Schoenaerts (Krem das Colinas Amarelas)
Conhecido por atuações marcantes em A Garota Dinamarquesa e The Old Guard, o ator belga encarna o odioso gângster e pirata espacial que desencadeia a caçada.
Jason Momoa (Lobo): Após interpretar o Aquaman no antigo universo da DC, o astro realiza o sonho de sua vida ao assumir o papel do mercenário e caçador de recompensas intergaláctico Lobo, ostentando seu charuto e pilotando uma moto espacial.
David Corenswet (Kal-El / Clark Kent / Superman)
O novo Homem de Aço do cinema faz uma participação afetiva e fundamental na reta final da trama.
David Krumholtz (Zor-El) e Emily Beecham (Alura In-Ze)
Conhecidos por seus papéis em Oppenheimer e na série 1899, respectivamente, os atores interpretam os pais biológicos de Kara em flashbacks emocionantes.
Diarmaid Murtagh (Drom Baxton)
Ator de séries renomadas como Outlander e Vikings, interpreta o braço-direito de Krem.
Seth Rogen
O astro da comédia americana faz uma rápida e divertida ponta dando voz a um alienígena no ônibus espacial.

Bastidores, locações reais e o charme carioca da divulgação
A produção de Supergirl fugiu das fórmulas óbvias. Com roteiro assinado por Ana Nogueira (The Vampire Diaries) — que impressionou tanto a diretoria que assinou um contrato exclusivo com o estúdio —, o filme utilizou os estúdios da Warner Bros. Studios Leavesden, na Inglaterra, mas também gravou em cenários naturais deslumbrantes.
Para simular a superfície de planetas alienígenas e paisagens desérticas e hostis, a equipe rodou cenas nas vastas montanhas da Escócia e nos cenários vulcânicos e gélidos da Islândia. A trilha sonora impactante foi composta por Claudia Sarne, acrescentando camadas de tensão e melancolia às batalhas.
Um detalhe delicioso para os fãs brasileiros: em junho de 2026, poucos dias antes da estreia nos cinemas, a estrela Milly Alcock, o diretor Craig Gillespie, a roteirista Ana Nogueira e o produtor Peter Safran desembarcaram no Rio de Janeiro para a turnê de divulgação. Em pleno clima de Copa do Mundo, a equipe se juntou à torcida carioca para assistir ao jogo da Seleção Brasileira, esbanjando simpatia em eventos na Cidade Maravilhosa!
A HQ que inspirou o filme e o planeta “Bilquis”
A produção é diretamente baseada na aclamada minissérie em quadrinhos Supergirl: Mulher do Amanhã (2021-2022), escrita por Tom King e ilustrada pela aclamada desenhista brasileira Bilquis Evely. Indicada ao prestigiado Eisner Awards, a HQ redefiniu a personagem na cultura pop.
O filme foi extremamente fiel ao tom e à essência da HQ, mas promoveu alterações inteligentes para o ritmo de cinema:
- O destino de Krypto: Na HQ, o cão é atingido por uma flecha e passa a história sob cuidados veterinários na Terra. No filme, ele é envenenado por uma toxina letal, criando uma corrida contra o tempo de 72 horas para obter o antídoto.
- A inclusão de Lobo: O mercenário Lobo não aparece na HQ original, mas foi adicionado pelo roteiro para estruturar a história em três atos e injetar ação imediata.
- Homenagem à artista brasileira: Durante a caçada espacial, Kara e Ruthye visitam um planeta batizado de “Bilquis” — um lindo easter egg em homenagem à ilustradora Bilquis Evely.
Final explicado de Supergirl (2026)
A decisão moral de Kara e a vingança sem sangue nas mãos da amiga
O clímax de Supergirl ocorre em um planeta hostil iluminado por dois sóis: um verde (que anula os poderes de Kara e a envenena) e um amarelo. Após uma batalha extrema pela sobrevivência, os poderes da heroína retornam assim que o sol verde se põe, e o vilão Krem é finalmente rendido.
É aqui que o filme promove sua mudança mais drástica e comentada em relação aos quadrinhos:
- A preservação de Ruthye: Com o vilão ajoelhado, a jovem Ruthye empunha a espada de seu pai para se vingar. Kara intervém e a convence a não matar Krem, explicando que tirar uma vida deixaria uma marca eterna e destruiria a inocência da garota. Ruthye, chorando, abaixa a arma.
- A execução por Kara: Assim que a jovem vira as costas, a Supergirl pega a espada e atravessa Krem sem hesitação. Ela declara que um golpe é pelo envenenamento de Krypto e o outro por tudo o que o pirata fez a Ruthye. Kara decide “sujar as próprias mãos” e carregar o fardo moral do assassinato para evitar que a jovem amiga perdesse a própria alma. A roteirista Ana Nogueira e o diretor Craig Gillespie revelaram que essa escolha sempre esteve no roteiro para deixar claro que Kara não é uma escoteira idealista como seu primo Superman.
- O reencontro em família: Após libertar as prisioneiras e se despedir de Ruthye, Kara decide parar de fugir e viaja para a Terra. O filme termina na casa de Clark Kent, com os dois primos conversando sobre o futuro. O clima dramático é quebrado por Krypto, que totalmente curado, rouba um pedaço de chocolate e faz uma bagunça gigantesca, fazendo Clark gritar desesperado: “Ele pegou o chocolate! Krypto, chocolate não, volta aqui!”.
Filme Supergirl tem cena pós-créditos?
Se você está acostumado a ficar sentado na poltrona do cinema até as luzes se acenderem, saiba que Supergirl NÃO possui cena pós-créditos. O filme se encerra definitivamente após a divertida cena familiar com Krypto roubando o chocolate na casa de Clark Kent.
Apesar de o diretor ter cogitado gravar um material extra durante a produção, o corte final manteve o encerramento redondinho e sem ganchos escondidos nos letreiros.
O futuro de Kara Zor-El no DCU: teremos ‘Supergirl 2’?
Embora um filme solo com o título de “Supergirl 2” ainda não tenha sido anunciado formalmente devido ao resultado das bilheterias, a presença da heroína está mais do que garantida no novo universo compartilhado.
O produtor Lars P. Winther e o próprio James Gunn confirmaram que Milly Alcock terá um papel central em Superman: Man of Tomorrow, a sequência do filme do Homem de Aço que chega aos cinemas na metade de 2027. Agora estabelecida na Terra, Kara terá fricções e dinâmicas intensas ao lado do primo vivido por David Corenswet, além de estar confirmada em um terceiro projeto secreto da DC Studios.
Afinal, onde assistir ao filme Supergirl ‘de graça’ online?
Depois dessa viagem interestelar, chegou a hora de sanar a dúvida que não quer calar!
Se você não quis gastar dinheiro nos cinemas ou prefere não pagar taxas individuais de aluguel digital nas plataformas digitais, o filme Supergirl estreou oficialmente no catálogo da HBO Max.
Isso significa que, se você já é assinante da HBO Max, pode assistir ao filme completo “de graça” (sem nenhum custo adicional sobre a sua assinatura). O longa-metragem também conta com uma versão acessível com interpretação em Libras.
E aí, pronto para maratonar o filme mais injustiçado do ano no conforto do seu sofá? Prepare a pipoca, esconda os chocolates do seu cachorro e boa sessão!














