Cortina de Fumaça crítica da série da Apple TV Plus 2025.

‘Cortina de Fumaça’, quando o incêndio começa cedo demais – e ameaça apagar a tensão

Foto: Apple TV+ / Divulgação
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Inspirada em eventos reais e com um elenco de peso, “Cortina de Fumaça” (Smoke, no original) chega ao Apple TV+ com dois episódios trazendo a promessa de entregar um suspense envolvente no universo dos incêndios criminosos.

Criada por Dennis Lehane, autor por trás de sucessos como Ilha do Medo e Sobre Meninos e Lobos, a série busca ir além do gênero policial, explorando os traumas humanos, a psicologia dos criminosos e as zonas cinzentas da moralidade.

Inspirada em eventos reais e baseada no podcast Firebug, a mais nova colaboração entre Lehane e o ator Taron Egerton, repetindo a parceria que rendeu elogios em Black Bird promete mergulhar na mente de incendiários em série por meio da dupla de investigadores Dave Gudsen (Egerton) e Michelle Calderone (Jurnee Smollett).

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Sinopse

Na trama, Dave Gudsen, ex-bombeiro e atual investigador de incêndios criminosos, está obcecado por dois casos semelhantes: diferentes focos de fogo surgindo de forma coordenada, com métodos caseiros, porém letais. Para apoiá-lo na investigação, é convocada a detetive Michelle Calderone, uma policial em crise pessoal e profissional, afastada do prestígio após o fim de um relacionamento com seu superior.

Enquanto os dois tentam entender os padrões dos ataques, o público é apresentado ao estranho Freddy Fasano (Ntare Guma Mbaho Mwine), um cozinheiro solitário que parece nutrir um impulso incontrolável de provocar incêndios. Mas o que parecia uma caçada linear ganha contornos mais sombrios com uma revelação inesperada no fim do segundo episódio: talvez o predador também esteja muito mais perto do que se imagina.

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Crítica da série Cortina de Fumaça

Taron Egerton entrega uma atuação afiada como Dave Gudsen, um personagem que aparenta segurança, mas cuja fachada começa a ruir lentamente. O fato de ele ser, ao mesmo tempo, o caçador e o possível culpado adiciona camadas interessantes à narrativa. O ator oscila entre o charme de um especialista carismático e a frieza de alguém à beira do abismo – o que instiga o espectador e amplia o impacto do grande “twist” ao final do segundo episódio.

Dupla promissora, mas desconectada

Jurnee Smollett compõe uma Michelle Calderone com força e firmeza, marcada por traumas de infância e um histórico familiar dilacerado pelo fogo. Contudo, apesar das boas atuações individuais, a química entre Smollett e Egerton não se estabelece com naturalidade. Em vez de cumplicidade ou conflito dramático, os diálogos soam por vezes mecânicos, como se faltasse uma faísca que conectasse emocionalmente os dois e sustentasse a tensão da parceria forçada.

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cena da série Cortina de Fumaça da Apple TV Plus 2025
Foto: Apple TV+ / Divulgação

O problema do excesso de revelações

O principal desequilíbrio da série está na estrutura narrativa. Ao revelar a identidade dos dois incendiários ainda no segundo episódio, a trama tira da audiência a chance de mergulhar no mistério junto aos protagonistas. Isso compromete parte da tensão e aproxima a série mais de um estudo de personagens do que de um suspense investigativo.

Ainda que a ideia de inverter a lógica do “whodunnit” seja interessante, a execução apressa o enredo e limita o potencial de envolvimento emocional com o quebra-cabeça. Ao colocar as cartas na mesa cedo demais, a série corre o risco de perder o fôlego antes da metade da temporada.

Freddy Fasano: solidão que queima

O destaque emocional dos primeiros episódios é Freddy, interpretado com uma vulnerabilidade angustiante por Ntare Guma Mbaho Mwine. Seu olhar perdido, a fala hesitante e a tentativa trágica de se reconectar com o mundo criam um personagem que provoca compaixão e repulsa ao mesmo tempo. É uma pena que sua trama já dê sinais de ser engolida pelo arco mais espetaculoso de Dave, ameaçando diluir o que poderia ser um retrato poderoso da solidão e do desajuste.

Atmosfera, direção e trilha: pontos fortes

A ambientação em uma cidade chuvosa e florestal, com fotografia sombria e opressora, ajuda a manter o clima de inquietação. A trilha sonora de Thom Yorke reforça o tom melancólico da série, e a direção aposta em closes demorados e silêncios incômodos para explorar as rachaduras emocionais dos personagens. Apesar disso, há momentos em que a estética pesa mais do que a fluidez narrativa, o que pode afastar parte do público.

Conclusão

“Cortina de Fumaça” começa com força, mas parece detonar suas bombas cedo demais. A escolha de revelar elementos centrais ainda nos primeiros episódios enfraquece o suspense e compromete o ritmo da história. No entanto, as atuações, especialmente de Egerton e Mwine, e a atmosfera cuidadosamente construída mantêm o interesse aceso.

Resta saber se os próximos episódios conseguirão reconduzir a série à trilha do mistério e oferecer uma conclusão que justifique os atalhos tomados no início. Por enquanto, é uma série intrigante, com potencial, mas que precisa equilibrar melhor forma e conteúdo para não acabar soterrada pelas próprias cinzas.

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Onde assistir à série Cortina de Fumaça?

A novela está disponível para assistir na Apple TV+.

Trailer de Cortina de Fumaça

YouTube player

Elenco de Cortina de Fumaça, da Apple TV+

  • Taron Egerton
  • Jurnee Smollett
  • Rafe Spall
  • Hannah Emily Anderson
  • Ntare Guma Mbaho Mwine
  • Greg Kinnear
  • John Leguizamo
  • Luke Roessler
Escrito por
Wilson Spiler

Formado em Design Gráfico, Pós-graduado em Jornalismo e especializado em Jornalismo Cultural, com passagens por grandes redações como TV Globo, Globonews, SRZD e Ultraverso.

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