capacete ilustra cartaz da temporada 5 da série For All Mankind (1)

Crítica | 5ª temporada de ‘For All Mankind’ tem final épico

Foto: Apple TV / Divulgação
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A temporada 5 de For All Mankind não foi exatamente um passeio tranquilo no parque. Com uma transição de gerações que às vezes flertou com o melodrama adolescente e um foco excessivo nos meandros da burocracia política, a aclamada série de ficção científica testou a paciência dos fãs em vários momentos.

Mas quando chegamos ao aguardado episódio 10, o colossal Essa terra é nossa terra, o seriado pisa no acelerador e entrega aquela tensão, coração e risco que nos fizeram amar a obra desde o início.

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Sinopse

O episódio encerra o conflito civil que transformou Marte em um campo de batalha entre os locais (os “Marsies”) e os militares da Terra (M-6/OPEF). Em uma escalada drástica, Miles Dale toma uma atitude sem volta para derrotar os invasores de uma vez por todas.

Para tentar impedir que todos se matem, figuras que antes não se suportavam, como Aleida Rosales e Irina Morozova, unem forças em busca de restaurar a comunicação. Paralelamente, em Titã, a missão de Kelly Baldwin encontra a primeira prova de vida extraterrestre, mas um oxigênio cada vez mais escasso a força a tomar uma decisão extrema para garantir que essa descoberta revolucionária chegue à humanidade.

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Crítica do episódio 10, final da temporada 5 de For All Mankind

O peso do sobrenome Baldwin e a vida em Titã

De longe, a missão em Titã entrega o arco mais potente e bem desenhado desse final. Confirmar que o universo abriga formas de vida microscópicas baseadas em metano muda todo o jogo existencial e científico do show. Mas a conta dessa descoberta veio altíssima.

Ver Kelly Baldwin abraçar completamente a atitude impetuosa de seu pai, o lendário Ed Baldwin, foi poético. Diante da falta de oxigênio para todos voltarem à espaçonave Sojourner, ela assume a bronca por ter desviado a missão em segredo e se sacrifica voluntariamente para que os tripulantes Walt e Elena pudessem voltar em segurança.

A cena final de Kelly caminhando de forma contemplativa para dentro do lago de micróbios bioluminescentes é de uma melancolia visual absurda. Perder dois membros vitais da família Baldwin em uma única temporada dói na alma, mas narrativamente falando, foi um arco impecável.

personagens com olhar fixo em cena da temporada 5 da série For All Mankind (1)
Foto: Apple TV / Divulgação

A barbárie em Marte e as alianças improváveis

Se o núcleo em Titã transbordou beleza e luto, o acampamento de Happy Valley respirou pura barbárie e adrenalina. Falar de revolução é fácil na teoria, mas a série mostrou o lado feio da coisa quando Miles não hesitou em superoxigenar o centro de comando inimigo e queimar os fuzileiros vivos. A tensão atingiu níveis angustiantes com Lenya (o governador Polivanov) tentando e falhando em salvar Ilya antes de a porta fechar e a sala explodir em chamas – uma das cenas mais tensas do ano.

No entanto, o caos gerou as interações que mais gostamos de ver. Colocar a sempre ética Aleida Rosales precisando da astúcia de Irina Morozova para reativar satélites inativos da velha era da KGB foi uma sacada de roteiro brilhante. Tivemos ainda o épico momento de Dev Ayesa subindo pessoalmente no elevador espacial para girar a antena de comunicação, enquanto um heroico Alex cruzava a base em sua moto em cima da hora, com uma ajudinha cirúrgica de Avery, para anunciar a paz e parar a matança. Um clímax executado com maestria.

Desfecho conveniente demais?

Apesar do saldo amplamente positivo, For All Mankind deu uma leve tropeçada no epílogo marciano. A resolução do conflito pareceu um final de conto de fadas ingênuo para uma série tão fundamentada nas consequências reais.

Afinal, centenas morreram, e Miles simplesmente faz um juramento como o novo governador de Marte e tudo volta a ficar bem, com antigos rivais sorrindo juntos trabalhando nas estufas. Ignorar a responsabilidade por um massacre daquele nível, deixando todo mundo sair limpo, cortou um pouco o realismo que a série constrói tão bem.

O salto no tempo e o mistério de 2020

Felizmente, a produção não esqueceu sua maior tradição: o gancho final saltando no tempo. Ao som do estourado hit de rádio “Blinding Lights” do The Weeknd, somos transportados diretamente para o ano de 2020.

O fascínio surge com o painel de uma nave muito familiar acendendo misteriosamente: a esfacelada nave espacial soviética Mars-94, presa no vácuo desde a 3ª temporada. A tela mostra leituras de ondas gravitacionais ligadas a um antigo projeto de Nikulov. Seria um buraco de minhoca? O início do contato com algo além do sistema solar? A promessa para o futuro é eletrizante.

Final da temporada 5 de For All Mankind é bom?

Embora alguns atalhos narrativos no fechamento da paz tenham sido limpos até demais, Essa terra é a nossa terra conseguiu o milagre de resgatar uma temporada oscilante. O sacrifício corajoso de uma das nossas protagonistas e as dolorosas dinâmicas de poder no ambiente hostil de Marte provam que For All Mankind não perdeu sua capacidade de impactar o espectador e debater a complexidade moral humana.

O final deixou as peças perfeitamente organizadas no tabuleiro; a sexta (e última) temporada tem absolutamente tudo para encerrar a série como um marco épico da televisão.

Onde assistir à série For All Mankind?

  • Apple TV

Trailer da temporada 5 de For All Mankind

YouTube player

Elenco de For All Mankind, da Apple TV

  • Joel Kinnaman
  • Michael Dorman
  • Wrenn Schmidt
  • Cynthy Wu
  • Krys Marshall
  • Coral Peña
  • Shantel VanSanten
  • Jodi Balfour
Escrito por
Wilson Spiler

Formado em Design Gráfico, Pós-graduado em Jornalismo e especializado em Jornalismo Cultural, com passagens por grandes redações como TV Globo, Globonews, SRZD e Ultraverso.

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