O desfecho da jornada de Deborah Vance e Ava Daniels finalmente chegou. O décimo episódio da temporada 5 de Hacks nos entregou um encerramento que mistura na dose certa as risadas, as lágrimas e a essência pura do que fez a série ser tão aclamada nos últimos anos.
É um episódio que prova que a série sabe exatamente onde está sua força e que entende profundamente seus personagens.
Sinopse
O episódio final começa nos mostrando o quão longe os personagens chegaram. Vemos Ava brilhando, confiante e no controle total como a showrunner do piloto de Who’s Making Dinner?. Enquanto isso, Deborah, ao lado de Marcus e Marty, inaugura com toda a pompa o clube de comédia no seu mais novo cassino em Las Vegas, o The Diva.
Em paralelo, Jimmy e Kayla dão um golpe de mestre corporativo: eles desmascaram Michael, o pai de Kayla, provando que ele estava lucrando milhões vendendo os direitos de imagem de clientes falecidos para empresas de inteligência artificial, e usam isso para tomar o controle da agência Latitude.
Apesar do clima de vitória, o chão se abre quando Deborah revela a Ava que seu câncer voltou e se espalhou. Fiel à sua necessidade doentia de estar sempre no controle, a lenda da comédia se recusa a passar pela quimioterapia. O plano dela? Fazer uma viagem de despedida inesquecível para Paris e, de lá, pegar um trem para a Suíça, onde faria um suicídio assistido para “sair de cena por cima”, arrastando uma Ava em pânico com ela.
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Crítica do final da temporada 5 de Hacks
O retorno às raízes: a comédia que salva vidas
Durante grande parte da quinta temporada, Hacks deixou um pouco de lado o atrito criativo e o ritual de testar e construir piadas, algo que sempre foi o motor principal da relação entre as duas protagonistas. As duas estavam vivendo uma fase pacífica e quase sem conflitos, o que, embora gostoso de assistir, tirava um pouco daquela faísca brilhante da série.
O finale corrige isso de uma maneira magistral. O que impede Deborah de pegar aquele trem para a morte não é um grande discurso choroso de Ava sobre amizade, mas sim a busca irresistível pela piada perfeita. Quando Ava, num tom sombrio, diz que a melhor parte de morrer para alguém com transtorno alimentar é poder comer um segundo croissant, a mente de Deborah volta a funcionar a mil por hora.
O momento em que a comediante percebe que “a pior parte de morrer é não poder aproveitar estar magérrima” funciona como a epifania máxima da série. A comédia, o roteiro e a vontade de contar uma nova piada são, literalmente, o que salva a vida de Deborah.

A luta pela arte e o combate ao uso de IA
A trama secundária envolvendo Jimmy e Kayla não serviu apenas para dar um final feliz a dois personagens hilários, mas também para escancarar o posicionamento da série sobre o estado atual de Hollywood. Ao transformar o vilão Michael no engravatado que vende imagens de mortos para IA, a série cria uma crítica afiada: o uso predatório de inteligência artificial é a maior picaretagem corporativa (uma verdadeira hackery, brincando com o título da série) possível.
Quando Jimmy assume o controle e faz seu discurso sobre empoderar verdadeiros contadores de histórias, mesmo com a fuga de metade dos funcionários, é um lembrete caloroso de que a arte exige humanidade e de que ainda vale a pena lutar por conexões reais na indústria do entretenimento.
A dinâmica de Deborah e Ava: uma comédia romântica platônica
A viagem para a França adotou uma estrutura digna dos melhores clichês das comédias românticas, mas temperada com o sarcasmo característico de Hacks. A série flertou lindamente com as convenções do gênero: as duas dançando juntas em um clube de Paris, fechando o museu do Louvre só para elas, e as discussões inflamadas cheias de mágoa e desespero.
E que sacada genial foi a subversão da famosa “cena de perseguição na estação de trem” ou no aeroporto. Deborah não corre atrás de Ava com uma epifania amorosa para dizer que não consegue viver sem ela; ela corre porque acabou de formular a versão final de uma piada sobre câncer e precisa da ajuda da sua roteirista favorita para transformar isso num especial de stand-up de uma hora. É a lembrança definitiva de que o trabalho que fazem juntas é o verdadeiro terceiro elemento dessa relação.
Conclusão
No fim das contas, Deborah Vance nunca iria morrer. A decisão de mantê-la viva coroa a evolução de uma mulher que aprendeu a ceder um pouco do seu controle obsessivo e encontrou, em sua parceria com Ava, a energia para continuar lutando e criando.
O encerramento não poderia ser mais perfeito. Ver as duas caminhando de braços dados por Las Vegas, cheias de vida e prontas para mais trabalho duro ao som do dueto de Judy Garland e Barbra Streisand, Get Happy/Happy Days Are Here Again, consolida o recado final de Hacks: para essas personagens, o sonho nunca foi se aposentar ou fugir do trabalho. O verdadeiro felizes para sempre é poder morrer na mesa de trabalho, ao lado da sua alma gêmea platônica, fazendo exatamente aquilo que você mais ama.
Onde assistir à série Hacks?
- HBO Max
Trailer da temporada 5 de Hacks
Elenco de Hacks, da HBO Max
- Jean Smart
- Hannah Einbinder
- Carl Clemons-Hopkins
- Mark Indelicato
- Paul W. Downs
- Megan Stalter
- Rose Abdoo
- Christopher McDonald
- Kaitlin Olson
- Poppy Liu
















