Confira a crítica da série "Stick", comédia de 2025 com Owen Wilson, disponível para assistir no catálogo da Apple TV+.

‘Stick’ tenta jogar como campeão, mas ainda erra o swing

Foto: Apple TV+ / Divulgação
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Os três primeiros episódios de “Stick”, nova comédia esportiva da Apple TV+, lançam um olhar carismático e melancólico sobre redenção, paternidade e segundas chances, tendo como pano de fundo o universo muitas vezes elitista e pouco televisivo do golfe. Criada por Jason Keller e estrelada por Owen Wilson, a série rapidamente deixa claro que está mais interessada nas relações humanas do que no esporte em si.

Wilson interpreta Pryce Cahill, um ex-golfista profissional cuja vida se desfez após um colapso emocional em pleno PGA Tour. Agora, duas décadas depois, ele sobrevive vendendo equipamentos em uma loja de esportes no interior dos EUA, enquanto encara a ruína pessoal e profissional. Sua rotina monótona muda quando encontra Santi, um jovem talentoso com passado difícil e comportamento instável.

Comparações com “Ted Lasso” são inevitáveis. Ambas as séries tentam embalar temas sérios em um tom cômico suave, centrando-se em figuras paternas falidas que encontram novos propósitos ao ajudar jovens problemáticos. Mas enquanto “Ted” encontra um equilíbrio entre humor, drama e personagens complexos, “Stick” ainda busca firmeza em seu próprio jogo.

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Sinopse da série Stick

Nos episódios iniciais de Stick, conhecemos Pryce “Stick” Cahill (Owen Wilson), um homem em decadência. Após perder a carreira, o filho e o casamento, ele leva uma vida sem direção, sustentada por pequenos golpes e memórias do passado. Tudo muda ao conhecer Santiago “Santi” Wheeler (Peter Dager), um adolescente rebelde e prodígio no golfe que treina clandestinamente em um campo local.

Pryce vê em Santi uma chance de recomeçar e convence a mãe do garoto, Elena (Mariana Treviño), a deixá-los embarcar em uma jornada pelos torneios juvenis dos Estados Unidos. A bordo de um motorhome, acompanhados por Mitts (Marc Maron), velho amigo e ex-caddie, e por Zero (Lilli Kay), uma garçonete que se torna caddy e interesse amoroso de Santi, o grupo vira uma espécie de família improvisada.

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cena da série Stick da Apple TV Plus 2025
Foto: Apple TV+ / Divulgação

Crítica de Stick, da Apple TV+

O maior trunfo de Stick está na performance de Owen Wilson. Seu Pryce é uma figura abatida, mas ainda carregada de um charme triste que remete ao melhor do ator — alguém entre o sarcasmo leve e a vulnerabilidade sincera. Wilson empresta humanidade ao personagem mesmo quando o roteiro força a barra emocional, como no trauma mal desenvolvido da perda do filho.

O carisma de Wilson também ajuda a suavizar a fragilidade estrutural da série. Em momentos que poderiam resvalar no melodrama, ele consegue manter o tom sutil e gentil. Sua presença é o que impede a série de se tornar descartável.

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Relações promissoras, mas pouco aprofundadas

A dinâmica entre Pryce e Santi é central para a série, mas não é tão rica quanto deveria. Peter Dager interpreta o adolescente com uma mistura de arrogância e vulnerabilidade, mas seu personagem carece de camadas. Santi é apresentado como gênio atormentado, mas raramente foge do estereótipo. Em vez de desenvolver seu drama com profundidade, o roteiro recorre a frases feitas e reações previsíveis.

Zero, vivida por Lilli Kay, surge como um alívio cômico e emocional, mas rapidamente é reduzida a ferramenta narrativa — ora ponte entre Santi e Pryce, ora interesse romântico mal resolvido. Isso empobrece o que poderia ser uma exploração mais atualizada sobre juventude, identidade e pertencimento.

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Humor tímido e conflitos suavizados

A proposta de misturar drama com comédia esportiva funciona melhor na teoria. Embora tenha momentos engraçados, “Stick” é econômica nas piadas realmente boas. Marc Maron até entrega um Mitts ranzinza com bons momentos cômicos, mas a série não se compromete em explorar os choques geracionais ou os conflitos internos de forma mais incisiva.

Há um receio visível em mergulhar nos traumas e vícios dos personagens, o que torna os arcos previsíveis e menos impactantes. Questões como vício em jogo, abandono parental e luto são tocadas, mas raramente aprofundadas. Com isso, perde-se a chance de criar algo emocionalmente mais relevante.

Uma série que quer ser leve, mas parece inacabada

Visualmente agradável e com boas intenções, “Stick” é competente em seu formato episódico curto e sua proposta feel good. Porém, mesmo com participações especiais de astros do golfe real e uma ambientação bem trabalhada, falta à série um verdadeiro “swing” narrativo.

A impressão é que Keller e sua equipe hesitam entre fazer uma comédia familiar ou um drama sobre fracassos e reconstruções. Essa indecisão narrativa enfraquece o ritmo e dilui o impacto. Mesmo temas importantes — como a busca por pertencimento ou o peso das segundas chances — soam mais como esboços do que como algo plenamente realizado.

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Vale a pena assistir Stick (2025)?

“Stick” tem coração, charme e boas ideias. Nos três primeiros episódios, Owen Wilson entrega uma performance cativante e sincera, capaz de sustentar uma história que ainda precisa encontrar consistência. A série tem potencial, principalmente se decidir aprofundar seus personagens e abraçar os conflitos que agora apenas insinua.

Por ora, “Stick” parece hesitar entre ser um drama esportivo sensível e uma comédia leve. Se quiser realmente jogar no nível de “Ted Lasso” ou “Falando a Real”, terá que arriscar mais do que as tacadas seguras que vem dando até aqui.

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Onde assistir à série Stick?

A série está disponível para assistir na Apple TV+.

Trailer de Stick (2025)

YouTube player

Elenco de Stick, da Apple TV+

  • Owen Wilson
  • Peter Dager
  • Lilli Kay
  • Mariana Treviño
  • Marc Maron
  • Judy Greer
  • Ryan Kiera Armstrong
  • Timothy Olyphant
Escrito por
Wilson Spiler

Formado em Design Gráfico, Pós-graduado em Jornalismo e especializado em Jornalismo Cultural, com passagens por grandes redações como TV Globo, Globonews, SRZD e Ultraverso.

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