O novo especial da Marvel no Disney+, O Justiceiro: Uma Última Morte, chegou provando que a franquia não tem medo de pesar a mão na violência quando necessário. Ostentando uma excelente aprovação de 84% no agregador Rotten Tomatoes — número que supera de longe as antigas temporadas da Netflix e os filmes do passado —, o projeto mostra que a escolha do formato de “Special Presentation” (uma espécie de curta/média-metragem) foi um golaço.
Com a direção de Reinaldo Marcus Green, a obra marca o retorno triunfal e brutal de Jon Bernthal ao manto do icônico anti-herói, entregando uma história que vai muito além dos tiros.
Sinopse
Com cerca de 45 minutos de duração, a trama acompanha um Frank Castle isolado do mundo, visivelmente destruído emocionalmente e tentando a todo custo abandonar sua guerra contra o crime após os eventos vistos na série Demolidor: Renascido.
Vivendo com um grave transtorno de estresse pós-traumático (PTSD), ele passa seus dias sendo assombrado por alucinações de sua falecida esposa e filhos, além de ver velhos conhecidos como Curtis Hoyle (novamente interpretado por Jason R. Moore) e Karen Page (com um retorno especial de Deborah Ann Woll).
No entanto, essa tentativa de aposentadoria vai por água abaixo quando a implacável mafiosa Ma Gnucci (Judith Light) coloca um prêmio pela cabeça do Justiceiro, atraindo hordas de assassinos do submundo de Nova York para eliminá-lo de uma vez por todas.
Crítica do filme O Justiceiro: Uma Última Morte
Um mergulho cru no trauma de Frank Castle
O grande trunfo deste roteiro, que foi coescrito pelo próprio diretor Reinaldo Marcus Green e por Jon Bernthal, é focar pesadamente no estudo psicológico do personagem. A obra não higieniza a mente de Frank; pelo contrário, mostra as consequências do seu estilo de vida implacável.
Ao invés da velha narrativa arrastada das séries antigas da Netflix, onde o personagem passava episódios inteiros apenas se escondendo ou refletindo, o formato mais curto e direto enxuga a gordura da história e vai direto à ferida.
As alucinações de Frank funcionam perfeitamente para mostrar sua culpa, e Bernthal entrega uma performance magnética, vulnerável e crua nos momentos dramáticos.

A sinfonia de violência e o CGI duvidoso
Quando a ação finalmente toma conta, a pancadaria é insana. O especial remete a a filmes frenéticos como John Wick e Operação Invasão, transformando o protagonista em um verdadeiro exército de um homem só que usa qualquer arma à sua disposição, sobrevivendo a explosões, incêndios e dezenas de inimigos.
Vale ressaltar, porém, que não foi tudo perfeito. Um momento bizarro que acabou virando alvo de piadas nas redes sociais envolveu um erro de efeitos visuais: durante uma luta intensa, Frank cai sobre uma caixa de energia com um CGI tão mal acabado que fãs compararam a gráficos esquecidos de videogames de gerações passadas.
Além disso, alguns críticos apontaram que a violência pode ter ultrapassado os limites do bom gosto, citando cenas gratuitas de pura crueldade — como o assassinato de um cachorrinho logo no início do especial —, o que tornou a experiência sombria e pessimista até demais para alguns paladares.
O título enganoso e a ponte para o futuro
Se você achou que o subtítulo Uma Última Morte significava a despedida do personagem, caiu direitinho na armadilha do diretor. Segundo o próprio Green, o título foi criado justamente para subverter a expectativa dos fãs. O que acontece no fim da história é exatamente o oposto de uma aposentadoria: Frank Castle percebe que tentar fugir de sua essência é inútil, mas, agora, ele passa a agir não apenas por vingança cega, mas com o propósito claro de proteger os inocentes.
A vilã Ma Gnucci (Judith Light, que está ótima e caricata no papel) serve como o motor para essa redescoberta. Toda essa evolução serve de preparação direta para colocar o Justiceiro no caminho do Peter Parker de Tom Holland no vindouro filme Homem-Aranha: Um Novo Dia. É fácil prever que os métodos extremamente letais de Frank vão criar um conflito ideológico gigante com a regra de “não matar” do Homem-Aranha.
Conclusão: ‘O Justiceiro: Uma Última Morte’ é bom?
O Justiceiro: Uma Última Morte é um tiro certeiro da Marvel Studios. Embora não seja revolucionário na forma de retratar o personagem e sofra com um CGI esquisito em uma cena específica, o especial remove os excessos dramáticos de suas séries passadas e entrega uma aventura direta, banhada a sangue e profundamente melancólica.
O formato de curta-metragem valorizou o ritmo frenético da ação, e a entrega de Jon Bernthal consolida, de uma vez por todas, que não existe ninguém melhor em Hollywood hoje para vestir o colete com a caveira branca.
Onde assistir ao filme O Justiceiro: Uma Última Morte?
Trailer do especial O Justiceiro: Uma Última Morte (2026)
Elenco de O Justiceiro: Uma Última Morte, do Disney+
- Jon Bernthal
- Judith Light
- Deborah Ann Woll
- Jason R. Moore
- Kelli Barrett
- Andre Royo
- John Douglas Thompson
- Colton Hill

















