Se você é fã daquela velha e boa fórmula do herói solitário que está no lugar errado e na hora errada, o diretor Martin Campbell (conhecido por revitalizar James Bond em Cassino Royale e GoldenEye) está de volta para tentar fisgar a sua nostalgia. O filme Resgate em Grande Altitude (ou Cleaner, no original) chega com uma proposta clara: reviver o espírito dos clássicos de ação dos anos 1980.
Com Daisy Ridley buscando consolidar sua carreira para muito além de Star Wars, o longa entrega uma experiência que dividiu opiniões, recebendo até mesmo uma aprovação morna de 52% no Rotten Tomatoes. Mas será que essa viagem nostálgica vale a pena?
Sinopse
A trama acompanha Joey Locke (Ridley), uma ex-militar que agora trabalha como limpadora de janelas nos imponentes arranha-céus de Londres. A rotina de Joey já não é fácil, pois ela carrega a responsabilidade de cuidar de seu irmão neurodivergente, Michael (Matthew Tuck), mas tudo foge de controle durante o evento de gala de uma corrupta empresa de energia.
Um grupo de ativistas radicais invade o prédio e faz cerca de 300 reféns, incluindo Michael, que estava no local. O grande diferencial dessa história é que, enquanto os terroristas tomam a festa, Joey fica presa pelo lado de fora do edifício, pendurada a 50 andares de altura, precisando encontrar uma forma de entrar e salvar o irmão.
Crítica do filme Resgate em Grande Altitude
Uma receita conhecida (o efeito Duro de Matar)
Vamos tirar o elefante da sala: o filme não faz a menor questão de esconder que é uma cópia descarada de Duro de Matar. O roteiro abraça os clichês do gênero, trocando os famosos dutos de ventilação por andaimes e cabos do lado de fora do prédio.
Por um lado, há um charme inegável em ver um filme tão direto ao ponto, que sabe que o seu único propósito é oferecer diversão descompromissada. Por outro lado, a falta de coragem para arriscar algo novo o transforma em apenas mais um na gigantesca lista de “clones de Duro de Matar”, resultando em uma obra funcional, porém genérica.

A força de Daisy Ridley e um elenco desperdiçado
Se o filme não afunda completamente, o mérito é de Daisy Ridley. A atriz carrega a produção nas costas, entregando uma performance carismática e provando que manda muito bem nas exigências físicas e nos combates corpo a corpo. O visual de cabelo curto e a postura teimosa ajudam a vender a imagem da protagonista durona. Infelizmente, o roteiro não a ajuda nos momentos mais emotivos; as cenas que tentam explorar os traumas familiares dela e de seu irmão muitas vezes soam forçadas ou apelam para diálogos pouco naturais.
Do lado dos vilões, temos uma dinâmica mista. Clive Owen interpreta Marcus, o líder do grupo ativista, mas acaba sendo criminalmente subaproveitado e mal deixa sua marca na história. Quem realmente rouba a cena e traz o caos necessário é Taz Skylar, na pele de Noah, o braço direito psicótico que não está nem aí para a causa e só quer eliminar a humanidade.
Ação e tensão nas alturas (ou a falta delas)
A direção de Campbell brilha quando a porradaria finalmente começa, entregando lutas em espaços confinados com coreografias que lembram o MMA. O grande problema de Resgate em Grande Altitude é o ritmo para chegar até lá. Apesar de ter enxutos 90 e poucos minutos de duração, a protagonista passa quase uma hora inteira apenas pendurada no lado de fora do prédio, esperando para agir.
O que deveria ser uma sequência agonizante e cheia de vertigem acaba perdendo o fôlego, esvaziando a tensão e deixando a ação pesada reservada apenas para os últimos 30 minutos. Além disso, os espectadores mais atentos podem se frustrar com algumas falhas de lógica e de continuidade, como o fato de corpos caírem do prédio na rua e, logo depois, ciclistas passarem tranquilamente pelo local.
Mensagem ecológica confusa
Um dos pontos em que o roteiro mais tropeça é na sua tentativa de ser politizado. A história tenta debater a tênue linha que separa o ativismo ambiental extremo do terrorismo anti-humanista. É uma ideia interessante no papel, mas a execução no filme é desajeitada.
A trama exagera em explicações mastigadas e diálogos óbvios, parecendo gritar informações na cara do público. Sempre que o filme tenta dar lições de moral ou focar no poder da colaboração bipartidária, ele perde a força. A obra seria bem melhor se tivesse apenas abraçado o seu lado “bobo” e se concentrado nas explosões e na ação.
Conclusão: Resgate em Grande Altitude é bom?
No fim das contas, Resgate em Grande Altitude tem a alma de um protetor de tela bonito, mas vazio. É um thriller passável, que cumpre o que promete se você quiser apenas desligar o cérebro em um sábado à noite e ver Daisy Ridley distribuindo pancadas.
Longe de ser o melhor trabalho de Martin Campbell, o longa não inova em nada e entrega uma ação que demora para engatar, juntando-se à infindável prateleira de longas de ação esquecíveis. Se você for assistir, vá pela nostalgia dos clássicos, mas mantenha suas expectativas bem ajustadas.
Onde assistir ao filme Resgate em Grande Altitude?
Trailer de Resgate em Grande Altitude (2025)
Elenco do filme Resgate em Grande Altitude
- Daisy Ridley
- Clive Owen
- Taz Skylar
















