Se você estava navegando pela Netflix recentemente, talvez tenha esbarrado em uma comédia romântica indiana chamada Dois Millennials na Cidade. O título original, Do Deewane Seher Mein (Duas pessoas loucas na cidade, na tradução literal do hindi), causou até um certo debate, já que em alguns países de língua espanhola a obra foi batizada de Nosotros lejos del ruido (Nos afastamos do barulho)– um nome que, convenhamos, combina muito mais com a essência intimista da história.
Dirigido por Ravi Udyawar, o filme propõe uma fuga das narrativas românticas tradicionais de Bollywood, mergulhando de cabeça nas inseguranças e dilemas da geração millennial. Mas será que essa tentativa de ser um romance “pé no chão” realmente funciona, ou a história acaba se perdendo no próprio ritmo? Vamos descobrir.
Sinopse
A trama acompanha Shashank (Siddhant Chaturvedi) e Roshini (Mrunal Thakur), dois jovens que vivem em Mumbai e carregam bagagens emocionais pesadas. Shashank é um profissional de marketing bem-sucedido que sofre com um problema de fala desde a infância (ele pronuncia o “sh” como “sa”), o que destrói sua autoconfiança para falar em público. Já Roshini trabalha criando conteúdo para uma marca de beleza, mas esconde sua própria imagem atrás de óculos enormes, fruto de um trauma criado pela própria mãe, que vivia comparando sua aparência com a da irmã mais velha.
Os dois acabam se conhecendo através de um encontro arranjado pelas famílias – uma tradição ainda muito comum na Índia. Após uma rejeição inicial de Roshini e um pouco de insistência (até demais) por parte de Shashank, eles começam a se conectar de verdade, tentando descobrir se pessoas tão cheias de falhas e inseguranças podem ser perfeitas uma para a outra.
Crítica do filme Dois Millennials na Cidade
O charme das imperfeições e traumas
O grande acerto do roteiro de Abhiruchi Chand é focar em problemas reais. A história não precisa de um grande vilão, porque os antagonistas são as próprias vozes internas dos protagonistas. O filme brilha quando mostra como comentários inofensivos na infância deixam cicatrizes profundas na vida adulta, moldando nossos relacionamentos. Ver a jornada de Roshini aprendendo a enxergar sua própria beleza através das fotografias tiradas por Shashank é um dos momentos mais doces e genuínos da narrativa.
Ainda assim, rola uma certa contradição visual: por mais que o filme queira que a gente acredite que eles são pessoas super comuns e cheias de complexos, os atores são belíssimos e desfilam com looks super polidos e urbanos, o que tira um pouquinho daquela “cara de gente como a gente” que a história pede.

Ritmo lento e a linha tênue do romantismo
Se você está acostumado com o drama intenso de Bollywood, pode achar o ritmo daqui arrastado demais. Com extensos 137 minutos de duração, o filme abraça um estilo slice-of-life bem lento, onde os conflitos muitas vezes surgem de motivos triviais e mundanos. Para alguns, isso traz um ar reconfortante e maduro. Para outros, soa apenas como um roteiro sem energia, com personagens que poderiam resolver tudo com algumas sessões de terapia.
Outro ponto que incomoda um pouco é o começo da relação. Quando Roshini rejeita Shashank no primeiro encontro, ele não aceita muito bem o “não” e passa a ligar insistentemente, chegando a esperar por ela na porta do trabalho. O cinema adora romantizar a persistência, mas em pleno 2026, isso flerta perigosamente com o comportamento de um stalker e gera um certo desconforto inicial.
Estética de Mumbai e propagandas forçadas
Visualmente, a fotografia de Kaushal Shah é um espetáculo à parte. Ele consegue transformar a caótica Mumbai em um cenário poético, focando em viagens de metrô, barracas de chá na rua e cafés charmosos. Essa atmosfera visual é muito elogiada e dá um toque aconchegante à experiência.
Por outro lado, a imersão na cidade às vezes é quebrada por um excesso descarado de publicidade. Há momentos em que o filme parece um comercial longo do Zomato (aplicativo de delivery local), com logos aparecendo na tela, entregadores surgindo do nada e diálogos onde a protagonista literalmente diz que vai “pedir um Zomato”. É o tipo de product placement (inserção de produtos) que tira o espectador da história.
Conclusão
No fim das contas, Dois Millennials na Cidade é um filme que certamente vai dividir muito a opinião da crítica e do público. Não espere grandes reviravoltas, cenas grandiosas de dança ou emoções à flor da pele. É uma história contida, às vezes prejudicada por um ritmo excessivamente lento e clichês batidos (como a chefe obcecada por beleza e a mãe desesperada para casar a filha).
Porém, se você tiver paciência para o ritmo compassado, vai encontrar um romance terno e acolhedor. O filme entrega exatamente o que promete: uma reflexão leve sobre aceitação, expectativas sociais e a dificuldade de se comunicar e amar na vida urbana moderna. É uma boa pedida para aquele domingo à tarde em que você só quer ver algo tranquilo, humano e, de certa forma, reconfortante.
Onde assistir ao filme Dois Millennials na Cidade?
Trailer de Dois Millennials na Cidade (2026)
Elenco de Dois Millennials na Cidade, da Netflix
- Siddhant Chaturvedi
- Mrunal Thakur
- Ila Arun
- Viraj Ghelani
- Ayesha Raza
- Joy Sengupta
- Sandeepa Dhar
- Inesh Kotian
- Mona Ambegaonkar
- Deep Raj Rana

















