Obsessão 2026 crítica do filme - Flixlândia

Crítica | ‘Obsessão’ transforma amor em um pesadelo grotesco e perturbador

Foto: Universal Pictures / Divulgação
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O terror sempre encontrou formas criativas de transformar sentimentos humanos em monstros. O medo da morte, da solidão, da culpa e até do desejo já serviram como combustível para clássicos do gênero. Em “Obsessão”, novo longa dirigido por Curry Barker, o horror nasce justamente daquilo que existe de mais íntimo e universal: o medo de amar, perder e acabar sozinho.

Misturando romance adolescente, terror psicológico, body horror e uma atmosfera constantemente desconfortável, o filme constrói uma experiência perturbadora que lembra obras como “Atração Fatal” (1987), “Misery” (1990), “Pearl” (2022) e até “Titane” (2021) em alguns de seus momentos mais grotescos. Mas “Obsessão” encontra personalidade própria justamente na maneira como transforma carência emocional em horror explícito.

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Sinopse

A trama acompanha Bear (Michael Johnston), um jovem tímido e emocionalmente travado que nutre sentimentos por Nikki (Inde Navarrette) há anos. Quando um misterioso objeto capaz de realizar desejos surge em sua vida, aquilo que parecia uma fantasia romântica finalmente se torna realidade.

Porém, o sonho rapidamente se transforma em um pesadelo macabro conforme a relação passa a revelar consequências cada vez mais violentas e perturbadoras.

Crítica do filme Obsessão (2026)

Atuações humanas e impactantes

O grande mérito de “Obsessão” está em entender profundamente seus personagens. Bear não é tratado apenas como o arquétipo do garoto introvertido. O roteiro consegue transmitir sua insegurança, o medo genuíno de aproximação, a ansiedade emocional e até a necessidade desesperada de ser amado. Há humanidade nele, e isso faz toda diferença para o impacto da história.

Michael Johnston consegue vender perfeitamente essa vulnerabilidade. É possível acreditar em cada hesitação do personagem, em cada dificuldade de aproximação e no medo constante de rejeição que acompanha Bear durante toda narrativa.

Já Nikki acaba se tornando o elemento mais assustador da produção. Antes divertida, popular e carismática, a personagem passa por uma transformação assustadora ao longo da narrativa, assumindo uma presença cada vez mais sinistra dentro daquela dinâmica obsessiva.

E muito disso funciona graças à atuação impressionante de Inde Navarrette, que entrega uma personagem capaz de alternar entre o encanto e o puro horror de maneira extremamente convincente.

A atriz transforma Nikki em algo genuinamente perturbador conforme a obsessão toma conta da história, criando alguns dos momentos mais desconfortáveis do longa.

O casal protagonista vende completamente a proposta do filme, fazendo com que o absurdo daquela situação pareça emocionalmente real.

Obsessão crítica do filme 2026 - Flixlândia
Foto: Universal Pictures / Divulgação

Terror sem depender de jump scares baratos

O longa também acerta ao evitar depender exclusivamente de jumpscares. Os momentos mais assustadores de “Obsessão” surgem justamente quando o terror simplesmente acontece diante da tela. Sem truques exagerados de edição ou sustos artificiais, o filme aposta na construção de desconforto, ansiedade e estranhamento.

O horror aqui é quase inevitável, crescendo pouco a pouco até alcançar momentos verdadeiramente perturbadores. Em certos momentos, a sensação lembra o desconforto psicológico de “Hereditário” (2018) e a tensão constante de “Corrente do Mal” (2014), especialmente pela maneira como a ameaça parece consumir completamente os personagens.

E há sangue. Muito sangue

Mas mesmo os elementos mais grotescos nunca parecem gratuitos. O body horror usado por Curry Barker funciona como uma extensão emocional dos personagens, refletindo obsessão, dependência, medo de abandono e a deterioração mental daquela relação.

O verdadeiro horror é humano

A direção de Barker demonstra personalidade justamente por entender que o verdadeiro terror não está apenas nas imagens violentas, mas na fragilidade emocional de seus protagonistas. “Obsessão” fala sobre controle, idealização romântica, solidão e o desespero de tentar preservar sentimentos que inevitavelmente escapam do nosso alcance.

O final talvez siga um caminho relativamente previsível para quem já assistiu muitos filmes do gênero. Ainda assim, isso não diminui seu impacto. Pelo contrário. O desfecho funciona justamente por ser humano. Porque entende algo universal sobre amor, perda e medo da solidão.

Conclusão: vale a pena assistir Obsessão?

No fim, “Obsessão” não assusta apenas por suas cenas grotescas ou pelo clima macabro constante. O filme incomoda porque reconhece algo profundamente humano dentro de toda aquela monstruosidade. E talvez seja exatamente isso que o transforme em um dos terrores mais desconfortáveis e impactantes do ano.

Onde assistir ao filme Obsessão?

O filme estreia nesta quinta-feira, 14 de meio de 2026, exclusivamente nos cinemas brasileiros.

Trailer de Obsessão (2026)

YouTube player

Elenco do filme Obsessão (2026)

  • Michael Johnston
  • Inde Navarrette
  • Cooper Tomlinson
  • Megan Lawless
  • Andy Richter
  • Haley Fitzgerald
  • Darin Toonder
  • Anthony Pavone
Escrito por
Cadu Costa

Cadu Costa era um camisa 10 campeão do Vasco da Gama nos anos 80 até ser picado por uma aranha radioativa e assumir o manto do Homem-Aranha. Pra manter sua identidade secreta, resolveu ser um astro do rock e rodar o mundo. Hoje prefere ser somente um jornalista bêbado amante de animais que ouve Paulinho da Viola e chora pelos amores vividos. Até porque está ficando velho e esse mundo nem merece mais ser salvo.

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