Reborn crítica do dorama japonês da Netflix 2026 - Flixlândia (1)

Crítica | ‘Reborn!’ puxa o freio na viagem no tempo e entrega uma estreia elegante e desconfortável

Foto: Netflix / Divulgação
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É muito comum que séries sobre viagem no tempo ou troca de corpos acabem caindo no alívio cômico exagerado ou na ação desenfreada logo de cara. Mas Reborn, o novo dorama japonês que chegou à Netflix agora em abril de 2026 (após estrear na TV Asahi), decide seguir um caminho bem mais sutil e pé no chão.

Logo em seu primeiro episódio, a obra estrelada por Issey Takahashi e escrita por Hashimoto Hiroshi deixa claro que a fantasia é só uma desculpa para discutir privilégios, diferenças de classe e o peso de nossas escolhas. Se você espera um ritmo frenético e reviravoltas mirabolantes na estreia, talvez precise ajustar as expectativas, porque a pegada aqui é muito mais focada na psicologia dos personagens.

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Sinopse

A trama começa nos apresentando a Kosei Neo, um brilhante e solitário CEO do ramo de tecnologia que construiu seu império afastando e alienando todos que cruzavam seu caminho. A sua rotina de poder acaba abruptamente quando ele é empurrado de uma escada e morre.

O pulo do gato é que a morte não é o fim: ele acorda 14 anos no passado, em 2012, mas preso no corpo de Eito Nomoto, um homem bondoso e humilde que rala trabalhando numa lavanderia. Mantendo todas as suas memórias de milionário intactas, Kosei precisa aprender a sobreviver nessa realidade modesta enquanto tenta descobrir quem armou o seu assassinato no futuro.

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Crítica do episódio 1 do dorama Reborn, da Netflix

A fuga das armadilhas fáceis e o peso da nova realidade

O que mais impressiona nesta estreia de Reborn é a maturidade do roteiro ao lidar com a “troca de corpos”. Em vez de colocar o protagonista para surtar, gritar ou gerar um humor pastelão com a nova vida, a série trata o absurdo com muita contenção. Kosei age exatamente como o executivo frio e calculista que sempre foi: ele observa, calcula e vai testando os limites da sua nova situação de forma inteligente.

O verdadeiro desconforto que move esse primeiro capítulo é o contraste brutal entre a vida de quem sempre teve tudo e a rotina cheia de boletos e interação social humilde de Eito, algo para o qual o ex-CEO não tem a menor paciência.

Atuação sutil e uma direção focada no personagem

Issey Takahashi segura o desafio de viver duas pessoas diferentes com uma elegância tremenda. Ele não apela para mudanças forçadas de sotaque ou tiques nervosos óbvios. A gente percebe que o Kosei “engravatado” está preso no corpo do Eito pelas reações sutis, pela forma contida de lidar com o público e pela impaciência escondida nas pausas.

A direção de Fujita Meiji embala perfeitamente essa atuação: a câmera prefere planos médios e dispensa malabarismos visuais, focando totalmente nas expressões do ator. Há também um contraste visual bacana e discreto entre o mundo liso e frio da antiga vida de Kosei e a textura bagunçada e imperfeita do cotidiano de Eito.

Sobre o elenco de apoio, o episódio nos apresenta a nomes como Anne Nakamura (Iketani) e Ouji Suzuka (Tomono), mas de uma forma um pouco inconstante. Enquanto alguns coadjuvantes parecem ter voz própria de imediato, outros soam apenas como peças guardadas no tabuleiro para as próximas rodadas da história.

Muito pensamento e pouco conflito externo

Por focar tanto em plantar as sementes do mistério — investigando antigas decisões de negócios e as pessoas que Kosei tratou mal —, a série acaba pecando um pouquinho no ritmo. O protagonista passa boa parte do primeiro episódio apenas refletindo e internalizando a situação, o que deixa a narrativa um pouco estática em alguns momentos. Fez falta um conflito externo mais palpável logo de início para chacoalhar a trama.

Além disso, como a série segura a mão na hora de explorar as emoções das antigas relações do CEO, a gente entende que ele era solitário, mas não sente o peso dramático dessa solidão logo de cara, o que poderia ter deixado a premissa mais impactante.

Conclusão: vale a pena assistir Reborn?

Com uma base sólida, o primeiro episódio de Reborn prova que confia na inteligência do espectador. A série não precisa de explosões ou correria para prender a atenção; ela constrói seu terreno no embate silencioso entre a vingança corporativa e a reflexão pessoal sobre o que realmente importa na vida.

Mesmo com um ritmo quase meditativo e que abusa um pouco da internalização do protagonista, essa estreia de 10 episódios semanais acerta o tom e deixa um gostinho instigante. É um thriller psicológico e social muito bem-vindo no catálogo da Netflix, ideal para quem curte mistérios que se desenrolam no “banho-maria” e entregam muito mais do que apenas a resolução de um crime.

Onde assistir ao dorama Reborn!?

Elenco de Reborn, da Netflix

  • Issey Takahashi
  • Anne Nakamura
  • Ouji Suzuka
  • Mayuu Yokota
  • Fumiyo Kohinata
  • Masachika Ichimura
Escrito por
Taynna Gripp

Formada em Letras e pós-graduada em Roteiro, tem na paixão pela escrita sua essência e trabalha isso falando sobre Literatura, Cinema e Esportes. Atual CEO do Flixlândia e redatora do site Ultraverso.

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