My Royal Nemesis crítica do dorama série da Netflix 2026 - Flixlândia

Crítica | Nem heróis, nem vilões: a química explosiva dos primeiros episódios de ‘My Royal Nemesis’

Foto: Netflix / Divulgação
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Os doramas adoram o velho formato de viagem no tempo, mas a Netflix resolveu dar uma mexida na receita com My Royal Nemesis. Estrelada por Lim Ji-yeon (que a gente não esquece tão cedo como a vilã de A Lição) e Heo Nam-jun, a série chega com uma proposta bem esperta: e se a protagonista que viaja pelo tempo não fosse uma mocinha sofrida e de bom coração, mas sim uma vilã disposta a tudo?

O resultado, logo nos dois primeiros episódios, é um passeio divertido, caótico e cheio de energia, provando que às vezes é muito melhor acompanhar personagens de caráter duvidoso.

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Sinopse

A história começa há 300 anos, durante a dinastia Joseon, onde a ambiciosa concubina Kang Dan-sim foi condenada a beber veneno, acusada injustamente de tentar assassinar um príncipe e uma outra consorte. O inesperado acontece: após engolir o veneno durante um eclipse, ela acorda na moderna Seul de 2026, ocupando o corpo de uma atriz de figuração falida chamada Shin Seo-ri.

A confusão já começa no set de gravação, com ela espancando seus colegas de elenco achando que estão tentando matá-la de verdade. Desnorteada pela cidade grande e pela tecnologia, ela acaba trombando — literalmente — no carro de Cha Se-gye, um herdeiro de um conglomerado que está com a imagem pública na lama graças a um vídeo vazado onde aparece humilhando funcionários.

Juntos, esse casal completamente disfuncional vai precisar lidar com o choque cultural, com a perseguição pública e com a descoberta dolorosa de que Dan-sim foi apagada da história ou descrita apenas como um monstro implacável.

Crítica do dorama My Royal Nemesis, da Netflix

O brilho de Lim Ji-yeon e a quebra de expectativas

O grande trunfo da série até aqui é a completa falta de arrependimento da protagonista. A Dan-sim do passado envenenou rivais para chegar ao topo, e a sua versão de 2026 não acorda querendo redenção; ela quer voltar a mandar. Lim Ji-yeon entrega tudo na comédia física, hilária ao fazer o papel da nobre de Joseon apavorada com arranha-céus e assustada com carros na rua.

Porém, a série não a trata como uma simples piada e entrega camadas reais de trauma. A cena do segundo episódio, onde ela sofre uma crise de estresse pós-traumático ao gravar um comercial que envolvia uma bebida muito parecida com o veneno que a matou, é forte e mostra a versatilidade absurda da atriz.

My Royal Nemesis crítica dorama série da Netflix 2026 - Flixlândia (1)
Foto: Netflix / Divulgação

Química explosiva (e literal)

Se você procura o típico encontro romântico com musiquinha de fundo, esqueça. O primeiro esbarrão de Dan-sim e Se-gye tem direito a bate-boca, acusações de golpe de seguro e uma briga de rua onde ela ataca o ricaço usando folhas de uma árvore.

A química do estilo “cão e gato” funciona absurdamente bem, principalmente porque ambos estão unidos por serem profundamente incompreendidos pelo mundo. Heo Nam-jun não faz o estilo do CEO frio tradicional, e os choques entre a grosseria dele e o jeito briguento dela são ouro puro na tela.

De quebra, o mistério do passado decola logo de cara: descobrimos que um homem mascarado, muito parecido com Se-gye, a salvou em Joseon, enquanto o primo asqueroso dele no presente carrega o mesmíssimo rosto do rei que a mandou matar.

O peso dos clichês e a falta de maldade real

Apesar de empolgante, a estreia não está isenta de problemas. O primeiro episódio tenta abraçar todos os clichês clássicos do gênero de uma só vez, o que deixa o ritmo um tanto atropelado em algumas partes. Além disso, o humor no estilo pastelão, com atuações bem exageradas típicas de certos doramas de comédia, pode afastar quem espera algo um pouco mais refinado ou sutil.

Um outro defeito é a falsa propaganda das personalidades dos protagonistas: a sinopse promete dois monstros cruéis, mas nos primeiros episódios eles soam apenas como dois adultos ranzinzas e mal-humorados. Para a trama crescer de verdade, a série vai precisar ter coragem de mostrar do que eles realmente são capazes.

Conclusão

Mesmo esbarrando em algumas armadilhas típicas e tendo um tom que às vezes derrapa entre o trágico e o pastelão, os dois primeiros episódios de My Royal Nemesis são extremamente cativantes. A série acerta em cheio ao abraçar o absurdo do seu enredo e se apoiar numa dupla de atores que tem carisma de sobra.

É uma estreia confiante, visualmente muito bonita, e que vale a pena acompanhar para descobrir como dois personagens moralmente falhos vão encontrar consolo um no outro no meio de tanto caos.

Onde assistir ao dorama My Royal Nemesis?

Trailer da série My Royal Nemesis (2026)

YouTube player

Elenco de My Royal Nemesis, da Netflix

  • Lim Ji-yeon
  • Heo Nam-jun
  • Jang Seung-jo
Escrito por
Juliana Cunha

Editora na ESPN Brasil e fã de cultura pop, Juliana se classifica como uma nerd saudosa dos grandes feitos da Marvel.

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