Era Uma Vez Minha Mãe é um longa-metragem francês dirigido por Ken Scott (Starbuck: 5 Filhos Prontos para Tudo) que transpõe para o cinema o conteúdo autobiográfico da obra de Roland Perez.
Com atuações centrais de Leïla Bekhti (O Profeta) e Jonathan Cohen (Exército de Ladrões: Invasão da Europa), a produção explora a história de superação de um jovem diante de limitações físicas, se centrando na resiliência materna e na influência cultural de ídolos populares dos anos 70.
O filme evita abordagens excessivamente sentimentais sobre a deficiência, priorizando o papel da determinação familiar e da imaginação como ferramentas de transformação pessoal.
Sinopse
Roland (Cohen) nasceu com um problema nos pés que, segundo os médicos, o impediria de andar normalmente. No entanto, sua mãe, Esther (Bekhti), uma mulher de fé inabalável e personalidade vibrante, recusa-se a aceitar esse destino para o filho.
Entre sessões de tratamento e a vida cotidiana na França dos anos 70, ela conta com dois aliados improváveis em sua luta: Deus e as canções de Sylvie Vartan. Através do otimismo obstinado de Esther, o filme narra a história real de como o amor materno e a devoção a uma ídola pop transformaram uma condição física limitante em uma trajetória de superação e descoberta.
Crítica do filme Era Uma Vez Minha Mãe
A dinâmica familiar
A história é de Roland Perez, mas é impossível contá-la sem mencionar a relevância de sua mãe, cuja determinação se apresenta como a força motriz da narrativa. Interpretada por Leïla Bekhti, a personagem Esther é retratada como uma figura de resiliência absoluta, que prioriza sua crença na recuperação do filho acima de qualquer prognóstico clínico negativo.
No entanto, essa proteção incondicional se manifesta também de forma invasiva, revelando a dificuldade da mãe em permitir a autonomia do jovem. Embora fundamentado em boas intenções, esse zelo excessivo estabelece uma dinâmica de dependência que, em diversos momentos, compromete o amadurecimento individual do protagonista em favor de uma vigilância constante.

A simbologia do título
O título original, “Ma mère, Dieu et Sylvie Vartan” (Minha mãe, Deus e Sylvie Vartan), estabelece uma hierarquia de apoio fundamental para a compreensão da obra. A narrativa organiza a recuperação do protagonista por meio de uma divisão simbólica de responsabilidades: enquanto a figura divina é depositária da esperança pelo milagre e a mãe assume o rigor da disciplina física, a cantora Sylvie Vartan atua como o suporte psicológico e emocional.
Essa estrutura constrói uma mitologia pessoal que eleva figuras do cotidiano e do imaginário popular ao patamar de pilares de sustentação, permitindo que as dificuldades impostas pela condição física sejam abordadas sob uma perspectiva mais leve e tolerável para a criança.
Roteiro e participações especiais
A mudança de Roland Perez da advocacia para a escrita permitiu que a obra mantivesse um tom realista, evitando o sentimentalismo comum em produções do gênero. Essa proximidade com o autor, embora garanta a fidelidade aos fatos, explica a percepção de um resultado mediano, pois se nota a ausência de alguns recursos de linguagem que alavancariam a trama.
Um dos pontos de destaque é a presença da própria Sylvie Vartan, que interpreta a si mesma e simboliza o encerramento de um ciclo pessoal iniciado na infância de Perez. Para viabilizar as sequências ambientadas nos anos 70, a produção utilizou ferramentas de rejuvenescimento digital e inteligência artificial, estabelecendo um vínculo direto entre as lembranças do protagonista e a amizade real que os une na atualidade.
Ambiente e trilha sonora
A ambientação na Paris dos anos 70 prioriza o uso de locações reais e um trabalho de composição que evita a dependência de efeitos digitais. Sob a direção de Ken Scott, o longa apresenta uma atmosfera vibrante e otimista, ainda que as limitações de orçamento fiquem evidentes na preferência por cenários internos em grande parte da projeção.
Complementando o cenário de época, a trilha sonora composta por canções do movimento Yé-yé e outros sucessos do período assumem uma função narrativa central. Longe de ser apenas um recurso de fundo, a seleção musical atua como o guia que define o ritmo das cenas e reflete as variações emocionais dos personagens ao longo da história.
Conclusão: Era Uma Vez Minha Mãe é bom?
Era Uma Vez Minha Mãe se mostra uma produção equilibrada que transita entre o humor de matriz judaico-francesa e o drama médico familiar. O longa alcança seu objetivo de proporcionar entretenimento e bem-estar ao espectador, o que justifica o sucesso de bilheteria conquistado na França, embora apresente uma narrativa que carece de maior densidade dramática para se tornar verdadeiramente memorável.
Em última análise, a obra se sustenta primordialmente no carisma de Leïla Bekhti e na qualidade das atuações de seu elenco, se sobressaindo mais pelas figuras humanas do que pelo rigor da direção ou do roteiro. Trata-se de um trabalho correto e agradável que, ao optar por não se arriscar fora de zonas seguras, entrega uma experiência satisfatória dentro de suas próprias limitações.
Onde assistir ao filme Era Uma Vez Minha Mãe?
Era Uma Vez Minha Mãe estreia nos cinemas nesta quinta-feira, 7 de maio de 2026, exclusivamente nos cinemas brasileiros.
Trailer de Era Uma Vez Minha Mãe (2026)
Elenco do filme Era Uma Vez Minha Mãe
- Leïla Bekhti
- Jonathan Cohen
- Joséphine Japy
- Lionel Dray
- Jeanne Balibar
- Sylvie Vartan
- Milo Machado-Graner

















