Se você saiu da sessão de Maldição da Múmia (dirigido por Lee Cronin) com a cabeça girando e o estômago embrulhado, você não está sozinho. O filme abandona completamente a pegada de aventura dos anos 90 e nos joga em um pesadelo familiar claustrofóbico e cheio de body horror.
A trama acompanha Charlie (Jack Reynor) e Larissa (Laia Costa), pais que têm a filha, Katie (Natalie Grace), sequestrada no Egito e devolvida oito anos depois, encontrada viva dentro de um sarcófago ancestral. Mas o que volta com ela para a casa no Novo México está longe de ser apenas uma adolescente traumatizada.
Vamos destrinchar o que exatamente aconteceu naquele final caótico e o que o desfecho significa para o futuro da franquia.
O que realmente acontece com Katie no final de Maldição da Múmia?
Para entender o final, precisamos olhar para as motivações da entidade. Katie não foi simplesmente amaldiçoada; ela se tornou o receptáculo vivo de um demônio ancestral conhecido como Nasmaranian (o “Destruidor de Famílias”).
O grande mistério em torno da automutilação de Katie — como arrancar a própria pele — não era apenas para chocar os pais. Na verdade, as ataduras e feitiços que aprisionavam o demônio estavam literalmente marcados e enxertados na pele da garota. Ao se machucar, ela (ou melhor, o demônio) estava destruindo os selos de proteção para que a entidade pudesse ganhar força total e escapar. O inseto (escaravelho) forçado goela abaixo de Katie anos antes pela “Mágica” (a feiticeira que a sequestrou) serviu como o elo inicial para essa possessão.
O sacrifício de Charlie
No clímax sangrento do filme, o demônio já está forte o suficiente para controlar não só Katie, mas também corromper seus irmãos, Sebastián e Maud. A única saída viável é descoberta graças à Detetive Dalia Zaki (May Calamawy), que encontra uma fita de vídeo detalhando o ritual de transferência no Egito.
Em uma atitude desesperada e num ato de amor extremo, Charlie decide se sacrificar. Com a ajuda de Zaki, ele recita o feitiço antigo, fazendo com que Katie vomite o demônio, que então possui o corpo do próprio pai. Katie finalmente volta a si e começa a se curar com os irmãos, enquanto Charlie acaba trancado em um caixão no porão da casa. Ele continua consciente lá dentro, inclusive se comunicando com a filha através de código Morse, mas agora carrega a maldição.
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Maldição da Múmia (2026) tem cena pós-créditos?
Resposta curta: Não, o filme não possui cenas no meio ou após os créditos finais.
Porém, o que o filme entrega é um epílogo chocante imediatamente antes de os créditos subirem, que funciona exatamente como um gancho para o futuro e muda toda a perspectiva do desfecho.
O significado da cena final na prisão: a vingança de Larissa
Se você achou que a família ia simplesmente deixar Charlie apodrecer no porão, se enganou. A cena final se passa em uma prisão, onde a feiticeira responsável pelo sequestro de Katie (a “Mágica”) está detida.
Larissa, disfarçada de funcionária do presídio, entra na cela e injeta um sedativo na vilã. Em seguida, a Detetive Zaki entra empurrando Charlie, totalmente possuído, em uma cadeira de rodas. O objetivo é claro e sombrio: elas vão usar o feitiço mais uma vez para transferir o demônio Nasmaranian de Charlie para o corpo da feiticeira, aplicando nela a punição definitiva. É um final brutal, onde a família devolve a violência na mesma moeda para se ver livre da maldição.
O filme tem ligação com Brendan Fraser ou Tom Cruise? E vai ter continuação?
Para os saudosistas de plantão, já deixamos o aviso: não há absolutamente nenhuma ligação com a clássica franquia de Brendan Fraser (1999) ou com a tentativa de “Dark Universe” de Tom Cruise (2017). Lee Cronin criou uma mitologia totalmente original focada num terror quase independente, muito mais próximo do que ele fez em A Morte do Demônio: A Ascensão ou de clássicos de possessão como O Exorcista.
Quanto a uma sequência de Maldição da Múmia, até o momento (abril de 2026), não há nenhuma continuação oficial confirmada pela Warner Bros. ou pela Blumhouse. Contudo, o final deixa as portas totalmente abertas. Com o demônio agora habitando uma feiticeira dentro de uma instituição pública, o potencial para o caos se espalhar globalmente — e não ficar restrito a uma única família — é gigantesco. Além disso, a franquia pode explorar prelúdios (prequels) focados nas mais de 80 vítimas que a família da feiticeira usou ao longo dos séculos.














