Quando a gente pensa em filmes de múmia, a memória logo resgata a aventura despretensiosa e cômica com Brendan Fraser ou aquela tentativa frustrada de filme de ação com Tom Cruise. Mas esqueça tudo isso. Em Maldição da Múmia (The Mummy, de 2026), que chegou nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (16), o diretor Lee Cronin pega a criatura clássica e a arrasta para o terror mais absoluto e visceral.
Conhecido pelo seu trabalho sanguinário em A Morte do Demônio: A Ascensão, Cronin entrega um pesadelo familiar regado a muito gore, deixando de lado os passeios turísticos arqueológicos para focar em um ambiente doméstico que se transforma em um verdadeiro inferno. É um filme corajoso de grandes estúdios como a Warner Bros. e a Blumhouse, mas que também tropeça na própria ambição.
Sinopse
A história acompanha Charlie (Jack Reynor) e Larissa (Laia Costa), um casal americano que passa por uma tragédia imensurável quando sua filha de 8 anos, Katie, desaparece misteriosamente no Cairo durante uma tempestade de areia.
Oito anos se passam, a família agora mora no Novo México, nos EUA, com a avó das crianças, quando recebem uma notícia chocante: após um acidente de avião no Egito, Katie (agora vivida pela adolescente Natalie Grace) é encontrada viva e trancada dentro de um sarcófago ancestral.
A garota é levada de volta para casa, mas a jovem catatônica e fisicamente bizarra que retorna não é mais a filha que eles conheciam. O que parece ser o fim de um luto se revela o despertar de uma entidade maligna — o Nazmaranian, o “destruidor de famílias” —, transformando a casa em um cenário de atrocidades.
Crítica do filme Maldição da Múmia (2026)
O terror físico e a biologia do medo
Em vez de apostar em monstros de CGI megalomaníacos ou no sobrenatural puro, Cronin faz do corpo humano o maior motivo de repulsa da obra. A performance física de Natalie Grace é assustadora, entregando um nível de brutalidade e bizarrice que tem rendido comparações diretas à Regan de O Exorcista.
Acompanhamos a degradação e as atitudes grotescas da garota, como vomitar uma gosma preta, se arrastar pelas paredes e devorar um escorpião vivo. É um body horror de primeira, potencializado por efeitos práticos agoniantes e por um design de som ensurdecedor e implacável, assinado por Peter Albrechtsen, que faz questão de incomodar os nossos ouvidos o tempo todo.
- Final explicado de ‘Maldição da Múmia’: o sacrifício, a vingança e o demônio
- ‘Maldição da Múmia’ tem cena pós-créditos? Entenda o final do novo terror de Lee Cronin

O trauma familiar como motor (até certo ponto)
O filme começa muito bem ao explorar o luto de pais que não sabem como se reconectar com uma filha mutilada pelo trauma e pelo tempo. Cronin é hábil em construir a tensão usando os laços familiares corrompidos, fazendo o horror brotar de situações íntimas e dolorosas.
Contudo, à medida que a trama avança, o peso emocional vai se perdendo. O mistério fascinante sobre o que realmente aconteceu com Katie cede espaço para uma fórmula um tanto já conhecida de “casa assombrada” e possessão demoníaca. Quando a ação e as vísceras tomam conta, o lado psicológico enfraquece.
Exagero sensorial e problemas de ritmo
O verdadeiro calcanhar de Aquiles de Maldição da Múmia é a falta de freio do diretor. Com impressionantes 133 minutos de duração (mais de duas horas), a obra acaba se tornando exaustiva. Fica nítido que o filme seria muito mais afiado e impactante se tivesse uns 40 minutos a menos.
Cronin perde a mão no último ato, jogando qualquer sutileza pela janela para entregar um banho de sangue frenético e bizarro. Para quem é fã de sujeira e não tem estômago fraco, as mortes, olhos arrancados e peles descascadas são um prato cheio, mas a história não precisava de todo esse tempo para dar o seu recado.
Conclusão
No fim das contas, Maldição da Múmia é uma viagem repugnante, intensa e que certamente não é para os fracos. Lee Cronin prova mais uma vez que tem um talento ímpar para criar imagens perturbadoras, reinventando um monstro clássico com uma roupagem visceral e brutal.
Embora falhe em manter a consistência da sua própria mitologia e acabe escorregando na duração excessiva que prejudica o ritmo, o filme cumpre o papel fundamental do bom terror: vai te deixar desconfortável na cadeira, martelar os seus ouvidos e, provavelmente, fazer você desviar o olhar da tela mais de uma vez.
Trailer do filme Maldição da Múmia
Elenco de Maldição da Múmia (2026)
- Jack Reynor
- Laia Costa
- May Calamawy
- Natalie Grace
- Shylo Molina
- Billie Roy
- Veronica Falcón
- Hayat Kamille


















