Crítica da série Monstro A História de Ed Gein, da Netflix (2025)

‘Monstro: A História de Ed Gein’, o terror em nome do sensacionalismo

Série é estrelada por Charlie Hunnam

Foto: Netflix / Divulgação
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O fascínio do público por histórias de true crime é um fenômeno complexo. O que nos atrai a essas narrativas? Seria a curiosidade mórbida, o desejo de entender a psique de um criminoso ou a forma como esses eventos chocantes se tornam parte da cultura popular? Ryan Murphy, o “Midas” do gênero com suas antologias de sucesso, parece entender bem essa dinâmica.

Após focar em nomes de grande reconhecimento midiático como Jeffrey Dahmer e os irmãos Menendez, a terceira temporada de sua série, “Monstro: A História de Ed Gein”, se volta para um dos assassinos mais influentes, embora menos notório: Ed Gein, o “açougueiro de Plainfield”. A promessa é uma análise aprofundada de um dos personagens mais peculiares da história criminal americana, mas o resultado é uma obra confusa que se afoga em seus próprios excessos.

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Sinopse

A trama de Monstro: A História de Ed Gein acompanha a vida de Ed Gein (interpretado por Charlie Hunnam), um homem tímido e excêntrico, que vive em uma fazenda isolada em Wisconsin sob a opressão de sua mãe, a cruel e extremamente religiosa Augusta (Laurie Metcalf). Com a saúde de Augusta em declínio, o já frágil Ed se encontra cada vez mais isolado e desesperado por afeto.

É nesse momento que ele se aproxima de Adeline Watkins (Suzanna Son), uma jovem incompreendida, e começa a se envolver em uma série de crimes bizarros. Esses atos, que incluíam a profanação de túmulos e a criação de artefatos com restos humanos, chocariam a nação e serviriam de inspiração para alguns dos vilões mais icônicos do cinema de terror, como Norman Bates (Psicose), Leatherface (O Massacre da Serra Elétrica) e Buffalo Bill (O Silêncio dos Inocentes).

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Crítica

A série de Ryan Murphy tem um ponto de partida promissor: traçar um paralelo entre a história de Ed Gein e o legado que ele deixou na cultura pop. No entanto, o que começa como uma costura inteligente de narrativas — misturando a vida de Gein com a criação de filmes como Psicose — rapidamente se desvia para uma busca por sensacionalismo.

A série, que se propõe a criticar o voyeurismo do público e a exploração de histórias de horror, acaba caindo na mesma armadilha. Em sua tentativa de chocar, a produção se deleita em cenas explícitas de profanação de corpos e na exibição de troféus feitos de pele humana, o que resulta em uma experiência indigesta e que, no final das contas, esvazia qualquer profundidade que a série poderia ter.

Um dos maiores problemas é o excesso. As cenas grotescas são repetidas à exaustão, tirando o impacto e transformando o horror em uma banalidade nauseante. A série adiciona arcos de personagens e subtramas que pouco contribuem para a narrativa central, como a inclusão de Ted Bundy e Richard Speck em uma tentativa de “encher linguiça”.

Esse excesso de informações e a falta de foco fazem com que a série se perca, diluindo sua própria crítica e se tornando o que ela mesma denuncia: um espetáculo de horrores que busca apenas o choque pelo choque.

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A inconstância narrativa e a desvalorização do elenco

O principal conflito de Monstro: A História de Ed Gein deveria ser a relação tóxica e abusiva entre Ed e sua mãe Augusta. Essa dinâmica é a chave para entender a psique perturbada do assassino. No entanto, após um primeiro episódio promissor, a presença de Laurie Metcalf (Augusta) se torna esporádica e sua brilhante atuação é subutilizada. A série opta por seguir um caminho de divagações, focando em personagens e eventos periféricos, o que enfraquece o núcleo da trama.

Essa inconstância se manifesta em outras escolhas questionáveis. A maquiagem de Tom Hollander para se transformar em Alfred Hitchcock, por exemplo, é tão bizarra que tira o espectador da imersão, fazendo com que o Mestre do Suspense pareça mais um alienígena do que um cineasta lendário.

Além disso, a série tenta tecer uma complexa teia de conexões entre os traumas de Ed Gein e o contexto de atrocidades históricas, como o Holocausto e a Guerra do Vietnã. Essa abordagem, embora ambiciosa, se mostra superficial e falha, tratando temas tão graves com uma frivolidade que chega a ser irresponsável.

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O brilho de duas atuações em meio ao caos

Apesar dos inúmeros equívocos, a série se sustenta em dois pilares: as atuações de Charlie Hunnam e Laurie Metcalf. Hunnam, conhecido por papéis de galã em filmes de ação, entrega uma performance surpreendente. Ele transforma seu corpo, sua voz e sua postura para capturar a estranheza e o desespero de Gein, criando um personagem que é ao mesmo tempo repulsivo e patético. É, sem dúvida, o ponto alto de sua carreira.

Laurie Metcalf, mesmo com pouco tempo de tela, domina as cenas em que aparece. Sua Augusta é uma força da natureza — odiosa, fanática e absolutamente controladora. A química entre os dois atores, especialmente nas visões alucinadas de Ed, é o que dá à série um vislumbre do que ela poderia ter sido: um estudo psicológico tenso e visceral sobre a origem da maldade. Infelizmente, a série escolhe ignorar essa base sólida e se perde em um emaranhado de tramas secundárias e excessos visuais.

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Conclusão

Monstro: A História de Ed Gein parece um produto de sua própria crítica. A série se propõe a analisar a fascinação da sociedade pelo horror, mas em sua ânsia por se aprofundar no tema, acaba perpetuando a mesma lógica voyeurística que tenta desconstruir. Ao focar em detalhes gráficos e tramas irrelevantes, a produção de Ryan Murphy esvazia a história de seu potencial dramático e se torna uma narrativa redundante e sem propósito.

Embora as performances de Charlie Hunnam e Laurie Metcalf sejam impressionantes e a série acerte em episódios pontuais (como o primeiro e o sexto), no geral, ela se dissolve em um banquete de clichês e sensacionalismo, provando que, às vezes, menos é mais, especialmente quando se trata de horror. A série faz a pergunta, “para que recontar o que já foi dito?”, e ironicamente, não consegue oferecer uma resposta que justifique sua própria existência.

Onde assistir à série Monstro: A História de Ed Gein?

A série está disponível para assistir na Netflix.

Veja o trailer de Monstro: A História de Ed Gein (2025)

YouTube player

Quem está no elenco de Monstro: A História de Ed Gein, da Netflix?

  • Charlie Hunnam
  • Laurie Metcalf
  • Suzanna Son
  • Tom Hollander
  • Vicky Krieps
  • Olivia Williams
  • Lesley Manville
  • Joey Pollari
  • Charlie Hall
  • Tyler Jacob Moore
Escrito por
Taynna Gripp

Formada em Letras e pós-graduada em Roteiro, tem na paixão pela escrita sua essência e trabalha isso falando sobre Literatura, Cinema e Esportes. Atual CEO do Flixlândia e redatora do site Ultraverso.

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