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‘The Faithful’ dá voz às matriarcas da Bíblia, mas tropeça no baixo orçamento

Foto: Netflix / Divulgação
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Desde que o fenômeno The Chosen provou que existe um público gigantesco e faminto por produções de fé fora do nicho tradicional, as emissoras começaram a olhar para as histórias bíblicas com outros olhos. É exatamente nessa onda que a Fox resolveu apostar com The Faithful – que acaba de chegar à Netflix – um projeto que nasceu da paixão das produtoras Carol Mendelsohn e Julie Weitz, e que ganhou forma nas mãos do showrunner René Echevarria.

A ideia no papel é fantástica: tirar o foco das batalhas e dos “homens fazendo coisas de homens”, e colocar as lentes sobre as mulheres fundamentais do Gênesis. Mas será que a execução fez jus à grandiosidade dessa premissa? Cá entre nós, o resultado é uma mistura de ótimas intenções com tropeços de produção.

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Sinopse

The Faithful funciona basicamente como uma minissérie dividida em três filmes feitos para a TV, explorando as histórias das matriarcas fundadoras das religiões abraâmicas: Sara, sua serva Agar, Rebeca, Lia e Raquel. Em vez de apenas reproduzir os textos sagrados, a série constrói cada episódio ao redor de jornadas internas.

No primeiro episódio, por exemplo, acompanhamos o embate e a relação complexa entre Sara e Agar, abordando temas como maternidade por substituição, fé e busca por liberdade. A série tenta preencher as lacunas deixadas pela Bíblia, imaginando como essas personagens viveram e sentiram as provações em suas épocas.

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Crítica da série The Faithful, da Netflix

O peso das atuações femininas

Se tem algo que segura a barra em The Faithful, é o elenco feminino. Minnie Driver entrega uma Sara que não é apenas uma figura sagrada intocável; ela tem uma casca dura, é teimosa e cheia de dúvidas. A química e a tensão nas cenas divididas com Natacha Karam, que interpreta Agar, são o ponto alto da primeira parte da minissérie.

A série acerta ao humanizar essas mulheres e colocar o patriarca Abraão (vivido por Jeffrey Donovan) quase como um personagem coadjuvante nas tramas delas. Para quem gosta de um bom drama focado no desenvolvimento de personagens, essa dinâmica vale o “play”.

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Foto: Netflix / Divulgação

Tropeços na produção e visual

Infelizmente, por mais que as atuações tentem carregar a série nas costas, a parte técnica deixa bastante a desejar. Os produtores afirmam que construíram os cenários do zero em locações na Itália, como Roma e Matera, tentando trazer realismo histórico e texturas precisas da época. No entanto, na tela, a sensação é bem diferente.

O visual da série não condiz com o tamanho da propriedade intelectual que é a Bíblia. Os figurinos e as perucas de Agar parecem aquelas peças de teatro de fim de ano de escolas dominicais. Até mesmo o recurso da “voz de Deus” soa um pouco pobre, parecendo apenas uma narração em off preguiçosa. Falta à série aquele aspecto deslumbrante e imersivo que nos faria esquecer que estamos assistindo a um cenário montado.

Roteiro entre a ousadia e a cautela

A equipe de roteiristas trabalhou com consultores judeus e cristãos para garantir certa fidelidade teológica. A regra era clara: o que está explícito na Bíblia é inegociável, mas onde há silêncio, a TV permite liberdade criativa. E eles realmente tomaram algumas liberdades interessantes.

Um exemplo notável é a mudança na clássica história do Egito: na série, é a própria Sara quem inventa a mentira de que é irmã de Abraão para protegê-lo, assumindo o controle da narrativa e mudando o peso moral da cena, que no livro original partiu de Abraão visando autopreservação.

Porém, o roteiro também peca por não ir fundo o suficiente quando tem a chance. A série foca bastante nas dores do parto natural de Agar, mas simplesmente ignora o parto de Sara, que ocorreu em uma idade extremamente avançada. Era uma oportunidade de ouro para abraçar a confusão, o milagre e as dores reais de uma perspectiva feminina profunda, mas The Faithful preferiu o caminho mais seguro.

Além disso, a série tenta vender Sara como uma mulher excepcionalmente subversiva (o episódio até se chama “A Mulher que não se Curvou a Ninguém”), mas a constrói com tropos heroicos que já vimos dezenas de vezes nos últimos 30 anos da cultura pop, fazendo com que ela soe muito ordinária para os nossos padrões atuais.

Vale a pena ver The Faithful?

No fim das contas, The Faithful é uma série que vai agradar em cheio ao seu público-alvo. Se você é fã de produções como The Chosen ou Casa de Davi, e quer apenas ver as histórias bíblicas ganhando vida com um foco dramático focado nas personagens femininas, são seis horas de televisão que passam rápido e entregam a mensagem.

No entanto, para quem busca um épico histórico grandioso, com uma construção de mundo impecável ou reflexões profundamente ousadas, a série acaba não alcançando o potencial gigantesco de sua premissa. É uma obra bem-intencionada, mas que precisava de um pouco mais de orçamento e coragem para realmente fazer história.

Onde assistir à série The Faithful?

  • Netflix

Trailer de The Faithful (2026)

YouTube player

Elenco de The Faithful, da Netflix

  • Minnie Driver
  • Natacha Karam
  • Jeffrey Donovan
  • Alexa Davalos
  • Millie Brady
  • Blu Hunt
  • Tom Mison
  • Tom Payne
  • Ben Robson
  • James Purefoy

Ficha técnica

  • Criação e Roteiro: René Echevarria, Amy Berg, Francisca X. Hu
  • Produção Executiva: Carol Mendelsohn, Julie Weitz, René Echevarria
  • Direção: Danny Cannon, Catriona McKenzie, Daniel Barnz
  • Emissora: Fox
  • Episódios: 3 partes (exibidas como eventos de duas horas)
Escrito por
Taynna Gripp

Formada em Letras e pós-graduada em Roteiro, tem na paixão pela escrita sua essência e trabalha isso falando sobre Literatura, Cinema e Esportes. Atual CEO do Flixlândia e redatora do site Ultraverso.

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