É comum vermos o gênero de ação sendo dominado por astros masculinos ou atrizes muito jovens, mas a série Parceiras no Crime (Ride or Die), nova aposta do Prime Video, chega para quebrar esse tabu e mostrar que o vigor não acaba após os 50 anos. Protagonizada pelas brilhantes Hannah Waddingham e Octavia Spencer, a produção mistura espionagem, comédia e um laço inabalável de amizade.
Longe de ser apenas mais uma história genérica de assassinos de aluguel, a série usa a ação frenética como pano de fundo para explorar a invisibilidade das mulheres de meia-idade e provar que elas podem, sim, ser perigosas, complexas e absolutamente magnéticas na tela.
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Sinopse
A trama acompanha Judith Burton (Waddingham), uma mulher na casa dos 50 anos que finge ser uma contadora entediante, mas, na verdade, é uma assassina internacional de elite letal e altamente requisitada, conhecida como “Whiptail”. Por mais de 20 anos, ela escondeu essa vida dupla de sua melhor amiga, Debbie Claybourne (Spencer), uma ex-advogada que abdicou de sua carreira para cuidar do marido, o político David (Jamie Parker).
O segredo de Judith vem à tona quando uma missão dá terrivelmente errado em um evento de gala onde Debbie e o marido estão presentes, resultando na morte de David e forçando as duas amigas a fugirem pela Europa. Perseguidas pela máfia albanesa, pela Interpol e pela própria organização obscura para a qual Judith trabalha, elas embarcam em uma viagem alucinante onde a amizade de décadas será testada ao limite.
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Crítica da série Parceiras no Crime, do Prime Video
A química perfeita entre Waddingham e Spencer
O coração pulsante de Parceiras no Crime é, sem dúvida, a dinâmica afiada e afetuosa entre suas protagonistas. A criadora da série, Tessa Coates, acerta em cheio ao colocar o peso emocional da narrativa não nos perigos dos tiroteios, mas na força dessa amizade platônica.
Hannah Waddingham (famosa por Ted Lasso) entrega uma performance formidável, exalando confiança letal nas lutas e uma vulnerabilidade comovente ao lidar com o medo de perder a única pessoa em quem confia. Ao mesmo tempo, Octavia Spencer recusa o papel de mero alívio cômico ou “civil indefesa”.
Sua Debbie é incrivelmente inteligente, usando suas habilidades de resolução de problemas e perspicácia para salvar a pele de ambas diversas vezes, servindo como o pilar de estabilidade perfeita para a caótica assassina.

Ação, comédia e a crise da meia-idade
Com uma vibe que mistura Thelma & Louise, Killing Eve e pitadas de Lupin, a série acerta no equilíbrio de gêneros logo de cara. Sob a direção de Peyton Reed (conhecido por Homem-Formiga) nos dois primeiros episódios, somos presenteados com sequências de luta incríveis, coreografias inventivas e perseguições de carro intensas, onde Waddingham dispensou dublês na maioria das cenas de ação.
A série também brilha ao não fazer da idade das protagonistas uma piada, mas sim o combustível da história. Elas são descritas como “WOACAs” (women of a certain age, ou mulheres de uma certa idade), lidando não apenas com capangas, mas com chefes arrogantes como o jovem Sam (Calam Lynch) sugerindo aposentadorias precoces. É revigorante ver mulheres com mais de 50 anos retratadas como donas de sua sexualidade e autonomia, e acima de tudo, extremamente perigosas.
Tropeços de roteiro e excesso de personagens
Nem tudo, porém, é impecável. Se por um lado temos personagens coadjuvantes divertidos e bem construídos, como o carismático alvo Billy Donovan (Ed Skrein), o implacável The Director (Bill Nighy) e a desequilibrada Ana (Sylvia Hoeks), por outro, a trama tenta abraçar o mundo e acaba tropeçando. Especialmente da metade para o fim da temporada, a narrativa apresenta subtramas demais que deixam o enredo sobrecarregado, fazendo com que o ritmo perca um pouco do seu fôlego inicial.
Além disso, a série pede que o espectador faça vistas grossas para várias coincidências convenientes e reviravoltas um pouco previsíveis, com motivos de vingança que forçam um pouco a suspensão da descrença. Talvez o formato de oito horas fosse melhor aproveitado como um filme de duas horas ou uma temporada mais enxuta.
A série Parceiras no Crime é boa?
Apesar de alguns engasgos em sua narrativa e um roteiro que por vezes se apoia em clichês do gênero de espionagem, Parceiras no Crime se consagra como uma jornada imensamente divertida e cheia de coração.
A força inegável da obra está em permitir que Hannah Waddingham e Octavia Spencer brilhem juntas, cimentando um dos melhores e mais carismáticos duos de amizade feminina da TV recente. É uma maratona de ação perfeita para o verão (ou inverno brasileiro), que deixa um gostinho de quero mais para uma possível e muito bem-vinda segunda temporada.
Onde assistir à série Parceiras no Crime?
- Prime Video
Trailer de Parceiras no Crime (2026)
Elenco de Parceiras no Crime, do Prime Video
- Hannah Waddingham
- Octavia Spencer
- Ed Skrein
- Bill Nighy
- Sylvia Hoeks
- Jamie Parker
- Calam Lynch
- Savannah Steyn
- Cathy Tyson
- Jacky Ido
Ficha técnica
- Título: Parceiras no Crime (Ride or Die)
- Criadora: Tessa Coates
- Showrunner: Matt Miller
- Direção: Peyton Reed, DeMane Davis, Allison Liddi-Brown, Lauren Wolkstein
- Gênero: Ação, Comédia, Espionagem
- Episódios: 8 episódios
- Data de Lançamento: 15 de julho de 2026














