Pluribus 5 Episódio resenha crítica da série Apple TV 2025 Flixlândia (1)

[CRÍTICA] ‘Pluribus’ (1×05): o episódio mais sombrio da série começa com um galão de leite

Foto: Apple TV / Reprodução
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O quinto episódio da temporada de estreia de Pluribus, “Tem Leite,” chega surpreendendo e quebrando a estagnação narrativa que a série vinha experimentando. Exibido dois dias antes do previsto, talvez para fugir do feriado de Ação de Graças, o episódio central da temporada é uma mudança de ritmo propositalmente silenciosa e profundamente tensa.

Longe de ser um episódio de transição, “Tem Leite” se transforma em uma imersão psicológica na mente da protagonista, Carol Sturka, elevando a série a um de seus momentos mais fortes e, de longe, mais sombrios. Roteirizado por Ariel Levine e dirigido por Gordon Smith, este capítulo é um testamento à força da performance de Rhea Seehorn, que carrega o peso emocional e o mistério da narrativa em seus ombros de forma magistral.

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Sinopse

Após o plano arriscado de Carol de drogar Zosia ter resultado em uma parada cardíaca no final do episódio anterior, o Coletivo toma uma decisão coletiva e sem precedentes: eles abandonam Carol e toda a cidade de Albuquerque em massa. A resposta à sua violação de limites não é violência, mas sim uma retirada total e polida. O único contato é uma gravação automatizada, explicando que eles “só precisam de um pouco de espaço” e oferecendo-se para atender seus pedidos, como lixo e correio, via drones.

A princípio, Carol se sente aliviada com o silêncio e a solidão, vendo a ausência do Coletivo como uma bênção para sua investigação. No entanto, sua solitude produtiva é interrompida por problemas banais, como drones de lixo ineficazes e a visita de coiotes.

Ao tentar se livrar do lixo pesado em lixeiras públicas, ela nota um detalhe estranho: todos os recipientes de reciclagem estão cheios dos mesmos tipos de caixas de leite. Sua curiosidade detetivesca é acionada, e a investigação a leva a uma leiteria local onde ela descobre que o “leite” é, na verdade, um líquido âmbar e oleoso feito de água e um misterioso pó branco.

A situação se torna pessoal e desesperadora quando os coiotes voltam, não apenas pelo lixo, mas para desenterrar o túmulo de sua falecida esposa, Helen, enterrada no quintal. Em um surto de dor e fúria, Carol usa o carro de polícia que confiscou, atravessa a cerca de seu quintal com luzes e sirenes ligadas para espantar os animais, e passa o dia seguinte reforçando o túmulo de Helen com pesadas lajes de pavimentação. A solidão e o luto a forçam a confrontar sua perda de forma brutal.

O mistério se aprofunda quando o código de barras no saco do pó branco a leva a uma instalação local de alimentos para animais de estimação, a Agri-Jet. No clímax de tirar o fôlego, Carol entra sorrateiramente, encontra uma câmara frigorífica cheia de produtos embalados e, ao levantar um plástico, seu rosto se contorce em horror absoluto com o que ela vê, encerrando o episódio em um cliffhanger agonizante.

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Resenha crítica do episódio 5 de Pluribus

“Tem Leite” é uma obra de arte construída em textura e silêncio. O episódio subverte o título brincalhão e as expectativas, entregando uma hora de suspense psicológico que não é sobre explosões, mas sobre a acumulação gradual de pavor.

A maestria de Rhea Seehorn em isolamento

O Coletivo, ao se retirar, involuntariamente dá a Carol o que ela mais precisa e o que mais a aterroriza: espaço total. O episódio é focado quase inteiramente em Carol, e Rhea Seehorn brilha. Ela transmite a satisfação inicial de Carol com a quietude – ela não está triste, está funcional – mas rapidamente mostra a fissura dessa fachada quando não há nada para empurrar contra.

Sua performance silenciosa e a captação meticulosa de suas rotinas (o time-lapse dela dormindo, o teste do líquido com tiras de pH de jacuzzi) transformam a solidão em uma tensão palpável. A série se move no “ritmo do trabalho” e do esforço mundano de viver, um elemento ignorado pela maioria das obras de ficção.

Pluribus Episódio 5 resenha crítica da série Apple TV 2025 Flixlândia
Foto: Apple TV / Reprodução

O luto expõe a humanidade crua

A ameaça dos coiotes à sepultura de Helen não é um mero evento de enredo; é o clímax emocional do episódio. A maneira como Carol reage, usando o carro de polícia como uma arma desesperada e depois dedicando um dia inteiro, suando, para selar o túmulo com pedras e pintar uma lápide à mão, revela o núcleo de seu cinismo: tudo é uma distração do luto.

Sem o Coletivo para se irritar, a série a força a sentir o peso de sua perda. É um momento de humanidade desarmada que ressoa profundamente, transformando sua teimosia em um ato de amor feroz.

O mistério da conspiração do leite

A investigação do “leite” é o motor narrativo, transformando a Carol reclusa em uma detetive paranoica – o papel para o qual ela foi feita. A descoberta de que o Coletivo, que prega uma existência pacífica, está consumindo uma substância estranha e industrial, feita de pó e água, adiciona uma camada de estranheza corporal e conspiração que a série precisava.

A suspeita de que a essência do Coletivo, o “cimento psíquico” que os une, possa ser algo sintético e sinistro é o elemento que finalmente coloca o telespectador e os outros 12 imunes em pé de igualdade com o medo de Carol.

O cliffhanger aterrorizante

O desfecho na Agri-Jet é um exemplo brilhante de terror por implicação. A série opta por não nos mostrar o que está sob o plástico, focando apenas no pavor silêncio no rosto de Carol. A implicação óbvia, que o Coletivo está consumindo restos humanos (“Soylent Green é gente!“), é tão macabra que faz o Coletivo parecer menos um farol de paz e mais uma força parasítica e canibal.

Seja lá o que for, a descoberta de Carol redefine o jogo, transformando a ameaça de Pluribus de um paraíso de “felicidade sem fim” para algo visceralmente maligno.

Conclusão

O episódio 5 não apenas avança o enredo de Pluribus de forma significativa, mas também aprofunda Carol Sturka de uma maneira que era urgente. Ao retirá-la do barulho do mundo, a série encontra seu ritmo mais confiante e intrigante.

“Tem Leite” é um episódio tenso, lindamente filmado (com destaques para a composição do Coletivo deixando Albuquerque e a silhueta de Carol contra o pôr do sol) e que prova, inequivocamente, que Carol é a força motriz da série. Ela não precisa de pessoas para viver, mas precisa de um propósito, e a conspiração do leite finalmente lhe dá uma missão que vale a pena.

O que quer que Carol tenha visto no final, mal podemos esperar para ver como ela usará essa informação para, finalmente, acordar os outros sobreviventes imunes.

Onde assistir à série Pluribus?

Trailer de Pluribus (2025)

YouTube player

Elenco de Pluribus, da Apple TV

  • Rhea Seehorn
  • Carlos-Manuel Vesga
  • Karolina Wydra
  • Miriam Shor
Escrito por
Wilson Spiler

Formado em Design Gráfico, Pós-graduado em Jornalismo e especializado em Jornalismo Cultural, com passagens por grandes redações como TV Globo, Globonews, SRZD e Ultraverso.

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