Se tem uma coisa que a temporada 2 de X-Men ’97 não faz é perder tempo. A série pegou a difícil missão de condensar décadas de quadrinhos em poucos episódios, entregando até agora um ritmo alucinante e lutas de tirar o fôlego.
Porém, pela primeira vez na temporada, essa velocidade cobrou o seu preço. O quinto episódio, intitulado “Weapon X, Lies and DVDs” (“Arma X, Mentiras e DVDs” em português literal), finalmente coloca Wolverine no centro dos holofotes, mas acaba tropeçando na própria pressa de voltar ao status quo. Embora traga boas doses de nostalgia e ação desenfreada, a resolução apressada de um dos maiores traumas do mutante deixa um gosto um pouco amargo.
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Sinopse
Funcionando como uma espécie de sequência espiritual para o clássico episódio “Weapon X, Lies and Videotape” da série original, a trama acompanha Wolverine reunindo a velha guarda da Equipe X — Lady Letal, Kane, Maverick e Dentes de Sabre — com o apoio aéreo e emocional de Morfo. O objetivo é caçar o Doutor Cornélio nas antigas instalações do Projeto Arma X, no Canadá.
O que eles não esperavam era encontrar o local infestado pela Ninhada, alienígenas parasitas assustadores que infectaram o cientista. Quando o próprio Wolverine acaba infectado por essas criaturas, a equipe precisa tomar medidas drásticas para salvá-lo, o que envolve jogá-lo de volta no tanque de experimentações.
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Crítica do episódio 5 da temporada 2 de X-Men ’97
Uma viagem nostálgica
O grande acerto do episódio é abraçar sem medo a atmosfera dos clássicos de ação dos anos 80, trazendo homenagens diretas a filmes como Predador e Aliens. Colocar um bando de super-soldados parrudos no meio do nada para serem caçados um a um cria uma tensão muito bem-vinda. O perigo soa real, especialmente quando a Ninhada conseguem eliminar Kane e Maverick de forma implacável.
A direção de arte também capricha nas referências aos quadrinhos, como a bela e aterrorizante recriação da icônica capa de Fabulosos X-Men #234, desenhada por Marc Silvestri, no momento em que Logan é dominado pela infecção. Além disso, os easter eggs são um prato cheio, desde a presença do congelado Ômega Vermelho até as transformações divertidas de Morfo, que vira desde membros da Tropa Alfa até o Coisa do Quarteto Fantástico durante a pancadaria.

Desenvolvimento brilhante de Morfo
Se a ação brilha, o coração do episódio pertence a Morfo. Historicamente negligenciado e com pouco material base nos quadrinhos, o personagem ganha aqui o espaço que sempre mereceu. A série faz um excelente trabalho ao explorar a ambiguidade de seus sentimentos por Logan, deixando no ar se o que ele sente é apenas uma forte amizade ou um amor não correspondido.
O trabalho de dublagem original de J.P. Karliak é digno de aplausos, capturando perfeitamente a confusão interna do personagem. Há um diálogo fascinante e desconfortável com Lady Letal, onde Morfo é forçado a refletir sobre seu papel de eterno parceiro coadjuvante do “samurai” que é o Wolverine. Quando Logan toma sua decisão final no episódio, a decepção silenciosa de Morfo ao se afastar prova que a série sabe trabalhar as emoções mais sutis.
Retorno apressado do adamantium
Infelizmente, o episódio sofre um baque gigantesco na forma como lida com o desenvolvimento do protagonista. Após o choque memorável da primeira temporada, onde Magneto arrancou o adamantium dos ossos de Wolverine, esperava-se que a série explorasse o longo e doloroso processo de aceitação pelo qual ele passa nos quadrinhos. Em vez disso, X-Men ’97 usa a invasão da Ninhada apenas como uma desculpa narrativa conveniente para forçar Logan de volta ao tanque de fusão e recuperar seu esqueleto de metal em menos de meia hora.
Tudo parece fácil e indolor demais. Ao apagar esse trauma tão rapidamente para devolver as garras metálicas ao herói, a série desperdiça um oceano de possibilidades psicológicas e narrativas que poderiam render episódios inteiros focados na vulnerabilidade e no lado “fera” do personagem. No fim das contas, a sensação que fica é a de que a pressa para voltar ao status quo sacrificou o que poderia ter sido uma das melhores histórias dramáticas da animação.
Conclusão
No geral, o episódio 5 da temporada 2 de X-Men ’97 é uma montanha-russa divertida que tropeça na linha de chegada. Como uma aventura isolada cheia de monstros espaciais, participações especiais e holofotes merecidos para Morph, ele cumpre muito bem o seu papel e entretém do começo ao fim.
No entanto, como um capítulo focado em Wolverine, ele falha ao não dar o peso necessário às cicatrizes do herói, optando por um atalho narrativo apressado para restaurar o seu amado adamantium. Se a série quer que o público sinta o impacto de suas grandes reviravoltas no futuro, ela vai precisar aprender a pisar no freio de vez em quando.
Onde assistir à série X-Men ’97?
- Disney+
Trailer da temporada 2 de X-Men ’97
Elenco de X-Men ’97, do Disney+
- Ray Chase (Ciclope)
- Jennifer Hale (Jean Grey)
- Alison Sealy-Smith (Tempestade)
- Cal Dodd (Wolverine)
- Ross Marquand (Apocalipse / Professor X)
- Matthew Waterson (Magneto)
- Lawrence Bayne (Cable)
Ficha técnica
- Série: X-Men ’97
- Temporada: 2
- Episódio: 5
- Título do Episódio: Weapon X, Lies and DVDs
- Personagens em destaque: Wolverine, Morfo, Lady Letal, Dentes de Sabre, Maverick, Kane, Ômega Vermelho
- Inimigos: Ninhada e Doutor Cornélio















