Pluribus Episódio 7 resenha crítica da série Apple TV 2025 Flixlândia

[CRÍTICA] ‘Pluribus’ (1×07): quando o ‘Além da Imaginação’ de Gilligan vira um passo em falso

Foto: Divulgação / Apple TV
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O criador de Pluribus, Vince Gilligan, já tinha deixado claro seu carinho pela ficção científica, mas o episódio 7, “A Lacuna”, foi um mergulho tão profundo nesse universo que parecia uma homenagem direta a Rod Serling e seu clássico Além da Imaginação.

O episódio nos apresenta um retrato de duas pessoas solitárias, Carol e Manousos, os últimos resistentes à União (The Joined), cada um em sua jornada que é, ao mesmo tempo, de sobrevivência e de crise existencial. No entanto, o que deveria ser um ponto alto da temporada acabou se tornando, para alguns, uma decepção.

Embora tecnicamente deslumbrante, “A Lacuna” sofre com um ritmo que, desta vez, não consegue justificar sua lentidão, entregando uma narrativa que, apesar de ser importante para o desenvolvimento dos personagens, pareceu, em grande parte, dispensável e arrastada.

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Sinopse

O episódio se divide entre as histórias dos dois protagonistas imunes. Carol Sturka (Rhea Seehorn) inicia sua jornada de volta a Albuquerque após descobrir que a União não pode cooptá-la sem seu consentimento. Ela se entrega a uma fase de “vida de luxo” em uma cidade vazia: soltando fogos de artifício, jogando golfe em telhados, nadando nua em fontes termais, e roubando uma pintura original de Georgia O’Keeffe.

É um período de indulgência hedonista, mas superficial, marcado por músicas que acertam o alvo de forma direta, como “It’s the End of the World as We Know It” e “I Will Survive”. Contudo, a solidão a consome. Em seu ponto mais baixo, em um ato de passiva-suicida, ela encara um foguete de artifício desgovernado. O incidente a faz despertar, levando-a a pintar um desesperado “Voltem” no chão de sua casa, culminando em um emotivo abraço com Zosia (Karolina Wydra) da União.

Enquanto isso, Manousos Ovideo (Carlos-Manuel Vesga) embarca na árdua viagem de Assunção a Novo México para encontrar Carol, recusando categoricamente toda e qualquer ajuda dos plurbs. Ele se auto-sustenta, siphona gasolina, dorme em igrejas e aprende frases básicas em inglês. O clímax de sua história chega ao temido Estreito de Darién, onde ele queima seu amado carro para evitar que caia nas mãos da União, proclamando que “tudo o que vocês têm é roubado”.

Em uma provação extrema, ele se fere gravemente ao cair em uma palmeira chunga e, apesar de sua recusa em aceitar ajuda, é resgatado por um helicóptero da União. O episódio narra a jornada literal de Manousos e a jornada figurativa de Carol, ambas terminando em um ponto de rendição à realidade.

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Resenha crítica do episódio 7 de Pluribus

🤷‍♀️ O humor forçado e o ritmo arrastado de Carol

Gilligan é famoso por sua realidade de ritmo — o ato de deixar cada momento respirar e cada cena se prolongar mais do que o comum. Em Breaking Bad e Better Call Saul, isso criava momentos de profunda intensidade e poesia. No entanto, em “The Gap,” esse estilo parece falhar espetacularmente.

A sequência de Carol em Albuquerque, com sua vida de “folga solitária”, foi excessivamente longa. As tentativas de alívio cômico, como as músicas óbvias ou o cameo de John Cena em episódios anteriores não se traduzem em nada de valor. Elas quebram o ritmo e o tom, fazendo com que o mundo e os personagens pareçam enlatados e planos. Passamos muito tempo observando Carol em sua farra autoindulgente, algo que, após o choque inicial da novidade, se torna tedioso.

Embora Rhea Seehorn tenha uma atuação de alto nível em cenas como o abraço choroso com Zosia, ou na passividade suicida diante dos fogos, a construção da narrativa ao redor dela foi prejudicada pela falta de urgência e desenvolvimento do enredo.

Pluribus 2025 Episódio 7 resenha crítica da série Apple TV Flixlândia
Foto: Divulgação / Apple TV

🧭 A odisseia visceral de Manousos e seu significado

A parte de Manousos, embora também longa, é uma provação no melhor estilo de drama de sobrevivência, um “mini-épico” em formato comprimido. É visualmente deslumbrante e exótico. A recusa fervorosa de Manousos em aceitar qualquer coisa dos plurbs — de combustível a uma carona — é a maior fonte de esclarecimento sobre sua motivação. Sua atitude, mais hostil que a de Carol, é finalmente ancorada em uma moralidade de que a União é composta por ladrões (reforçado pelo seu ato de deixar dinheiro ao transferir a gasolina).

O segmento é eficaz ao nos dar um sentimento real do quão árdua é sua jornada. Vemos seu sacrifício ao queimar o carro, o perigo que ele enfrenta no Darién Gap, e sua determinação inabalável, repetindo sua missão como um mantra: “Meu nome é Manousos Ovideo. Eu não sou um deles. Eu desejo salvar o mundo.” O resgate forçado pela União, após seu ferimento, é um choque dramático que o coloca em um caminho de rendição semelhante ao de Carol, embora de forma muito mais brutal.

🤝 A redundância da mensagem central

A principal crítica ao episódio é a sua redundância. Tanto a jornada de Carol quanto a de Manousos chegam à mesma conclusão: o ser humano precisa de conexão. Carol, a “eremita” que gostava de ficar sozinha, implora por companhia ao pintar “voltem”; Manousos, o “guerreiro” autossuficiente, é forçado a aceitar a ajuda de quem ele mais despreza.

O problema é que essa mensagem — a necessidade humana de conexão — já havia sido entregue em partes anteriores da temporada. Para transmitir essa “mudança de marcha” nos personagens, o episódio dedicou cerca de 45 minutos a sequências que, em última análise, são “filler” e completamente redundantes. Exceto por alguns momentos cruciais de revelação, o episódio falha em justificar sua lentidão.

✨ Conclusão

“A Lacuna” é inegavelmente bem filmado e tematicamente sólido, com um compromisso visual e silêncio que o destacam na TV atual. A performance de Rhea Seehorn e a intensidade da provação de Manousos são pontos fortes.

No entanto, como um todo, o episódio não tem profundidade para justificar o ritmo usual de Pluribus. Pode ser visto como um “mal necessário” que falha em ser envolvente devido à sua falta de variedade e desenvolvimento do enredo.

O episódio cumpre a tarefa de posicionar Carol e Manousos em novos caminhos — Carol mais aberta à União, e Manousos em dívida com ela — preparando o terreno para o encontro iminente. Infelizmente, essa preparação custou muito do ímpeto da temporada, transformando o que deveria ser um momento crucial em um passo para trás decepcionante.

Onde assistir à série Pluribus?

Trailer de Pluribus (2025)

YouTube player

Elenco de Pluribus, da Apple TV

  • Rhea Seehorn
  • Carlos-Manuel Vesga
  • Karolina Wydra
  • Miriam Shor
Escrito por
Wilson Spiler

Formado em Design Gráfico, Pós-graduado em Jornalismo e especializado em Jornalismo Cultural, com passagens por grandes redações como TV Globo, Globonews, SRZD e Ultraverso.

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