11 de setembro: como os atentados foram fundamentais para a criação do My Chemical Romance

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O dia 11 de setembro de 2001 ficou marcado na história como o maior ataque terrorista sofrido pelos Estados Unidos, deixando cicatrizes profundas em todos que testemunharam a tragédia. No fundo, todo mundo ainda lembra o que estava fazendo naquele dia, onde estava na manhã daquele dia. No meio da poeira e do caos daquele dia em Nova York, o evento também atuou como o catalisador inesperado para o nascimento de um dos maiores fenômenos do rock alternativo e do movimento emo no século XXI: a banda My Chemical Romance.

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O apocalipse no Rio Hudson: O testemunho de Gerard Way

Na manhã dos atentados, Gerard Way, na época estagiário da Cartoon Network e trabalhando no setor de arte, estava a caminho do trabalho em Nova York. Ele se encontrava em uma doca no Rio Hudson, cercado por 300 a 400 pessoas, quando os aviões atingiram o World Trade Center e as Torres Gêmeas ruíram diante de seus olhos.

Para Gerard, testemunhar a queda dos edifícios em tempo real causou um choque psicológico devastador. Ele descreveu a sensação como estar dentro de um filme de ficção científica ou de desastre, comparando a experiência ao filme Independence Day e declarando que o cenário parecia o “fim do mundo” ou o próprio “apocalipse”. Sentindo uma onda avassaladora de angústia humana, náusea e dor ao redor de pessoas que tinham familiares e amigos nos prédios, o impacto emocional ativou um quadro severo de transtorno de estresse pós-traumático (TEPT). Diante do sentimento de mortalidade e da pergunta sobre o que fazer se o mundo estivesse terminando, Gerard decidiu que precisava mudar de vida, deixar a arte comercial e formar uma banda para fazer a diferença.

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Da tragédia à música: A composição de “Skylines and Turnstiles” e o nascimento da banda

No próprio dia 11 de setembro de 2001, tomado pelo trauma e buscando uma forma de terapia para processar o choque, Gerard Way pegou sua guitarra no porão da casa de seus pais e escreveu sua primeira música: “Skylines and Turnstiles”. A letra reflete diretamente o medo, o luto e a incerteza gerados pela queda das torres, trazendo versos marcantes como a referência às pilhas de escombros em Ground Zero como “cadáveres de aço” estendidos sob o sol e o questionamento se seria possível recuperar a inocência após o que viram.

Logo em seguida, Gerard ligou para o baterista Matt Pellissier (conhecido como “Otter”) e para o guitarrista Ray Toro, convocando também seu irmão, o baixista Mikey Way, para construir o projeto. O grupo começou ensaiando no sótão de Pellissier e gravou a faixa que se tornaria a base do My Chemical Romance. “Skylines and Turnstiles” foi a primeira canção executada no show de estreia da banda em outubro de 2001 e integrou o álbum de estreia I Brought You My Bullets, You Brought Me Your Love, lançado em 2002 e produzido por Geoff Rickly. A criação musical serviu como a verdadeira terapia de apoio que permitiu aos integrantes processarem o trauma coletivo.

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O eco do 11 de setembro na discografia e o legado do MCR

A influência da tragédia não se limitou aos primeiros dias da banda, tornando-se uma marca profunda na estética e no propósito do My Chemical Romance. O próprio clipe de “Welcome to the Black Parade”, lançado anos depois, foi associado pelo público e pelo próprio Gerard Way às imagens e à atmosfera devastada dos momentos seguintes ao 11 de setembro. Mais de duas décadas após os ataques, no aniversário de 20 anos em 2021, a banda destacou que, quando o mundo mudou em 11 de setembro de 2001, eles decidiram se unir para tentar mudar o mundo através do amor e da cura.

Essa temática voltou com força em maio de 2022 com o lançamento do single de retorno “The Foundations of Decay”, cuja letra aborda abertamente o legado da banda, a mortalidade e os eventos de 11 de setembro que levaram à sua criação. A música foi inclusive tocada no show comemorativo realizado em 11 de setembro de 2022 no Barclays Center, em Nova York. Como resume o próprio lema e a tese conceitual sobre o grupo, o My Chemical Romance transcendeu o status de uma simples banda de rock para se tornar uma ideia e uma mensagem de esperança em tempos de medo existencial.

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O efeito dominó na cultura pop: A inspiração de MCR em Crepúsculo

O impacto do 11 de setembro e a carga de trauma processada pelo My Chemical Romance geraram um efeito dominó que se estendeu para outras esferas da cultura pop dos anos 2000. O tom melancólico, sombrio e emocional que marcou as composições da banda acabou servindo de inspiração direta para a autora Stephenie Meyer ao criar a famosa saga literária e cinematográfica Crepúsculo. Meyer afirmou publicamente que a música do My Chemical Romance foi uma das grandes influências para a atmosfera de sua história de romance e vampiros, que virou um fenômeno mundial estrelado por Kristen Stewart e Robert Pattinson.

Além do impacto direto de MCR sobre a saga de Meyer, a produção cultural do início dos anos 2000 reflete como o trauma coletivo do atentado moldou o tom de bandas e obras narrativas da época. Embora fontes focadas na trajetória da banda destaquem principalmente essa ponte cultural entre o 11 de setembro, o My Chemical Romance e Crepúsculo, é evidente que a tragédia de 2001 redefiniu a forma como toda uma geração passou a expressar a angústia e a buscar sentido através da arte.

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