Toy Story 5 crítica do filme com spoilers

‘Toy Story 5’ traz uma bela mensagem sobre telas e infância (com spoilers)

Foto: The Walt Disney Studios / Getty Images / Divulgação
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Toy Story 5 chega cercado de enorme expectativa ao trazer de volta Andrew Stanton, diretor de produções aclamadas como Procurando Nemo (2003) e WALL-E (2008), além de roteirista de toda a franquia. Ele divide a direção e o roteiro com McKenna Harris, estreante em longas-metragens após o elogiado trabalho no curta Ciao Alberto (do universo de Luca).

Nesta nova produção da Pixar, o enredo foca no choque geracional definitivo para os personagens clássicos, estabelecendo um conflito central pautado na disputa por espaço e atenção das crianças contra os dispositivos eletrônicos e as telas modernas. Em vez de apostar apenas na nostalgia, o filme procura dialogar diretamente com pais, crianças e adultos que cresceram brincando com brinquedos físicos antes da era dominada pelas telas.

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Sinopse

Em Toy Story 5, os brinquedos estão de volta para enfrentar um desafio inédito: a disputa por espaço contra a tecnologia. O trabalho de Jessie, Buzz Lightyear, Woody e do resto do grupo fica exponencialmente mais difícil quando eles se deparam com Lilypad, um tablet inteligente de alta tecnologia que se torna a nova obsessão das crianças na hora de brincar, ameaçando diretamente o papel e o significado dos brinquedos clássicos no quarto de Bonnie.

Crítica do filme Toy Story 5

Bastidores e evolução técnica

Nos bastidores, o projeto marca a conclusão de uma importante transição criativa na Pixar, sendo o primeiro longa-metragem principal da franquia desenvolvido sem qualquer envolvimento ou colaboração de John Lasseter, o que transfere a liderança do legado para Andrew Stanton e a supervisão de Pete Docter.

Sob essa nova condução, a qualidade da animação se beneficia do uso do software Renderman XPU, uma tecnologia que agiliza o tempo de renderização em até nove vezes. Apesar desse avanço computacional significativo, a produção adotou uma postura de moderação visual deliberada para assegurar que a iluminação acolhedora e os designs originais de 1995 não fossem substituídos pelo hiper-realismo.

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O novo protagonismo de Jessie

Agora temos uma nova protagonista, com Jessie assumindo o comando definitivo como a nova xerife dos brinquedos, cargo que lhe foi confiado por Woody no filme anterior. O roteiro se aprofunda no passado da personagem, revisitando o trauma do abandono para fundamentar a razão pela qual manter o interesse de Bonnie pelas brincadeiras se tornou uma missão vital e obsessiva.

Essa angústia pessoal é projetada diretamente na vida social da criança, motivando a xerife a estabelecer como meta principal fazer com que a menina construa amizades reais. O plano ganha foco quando a líder identifica Blaze, uma garota que ainda mantém o gosto por brinquedos tradicionais e surge como a companhia ideal para Bonnie.

Toy Story 5 crítica do filme 2026
Foto: The Walt Disney Studios / Getty Images / Divulgação

O retorno de Woody e a dinâmica de grupo

Diante das dificuldades impostas pelo avanço tecnológico, a nova líder recorre a Woody em busca de conselhos e auxílio, motivando o retorno do caubói de sua rotina de brinquedo sem dono ao lado de Betty para apoiar os antigos companheiros. Essa reaproximação, no entanto, introduz uma dinâmica de atrito com Buzz Lightyear, gerando disputas pelo posto de comando do quarto que servem como alívio cômico, acompanhadas por piadas recorrentes sobre a perda de cabelos na cabeça de Woody.

O desentendimento entre os dois líderes é temporariamente deixado de lado quando uma situação de urgência exige cooperação mútua: o resgate de Jessie, que se perde do grupo e acaba sendo levada acidentalmente para a residência de sua primeira dona.

O antagonismo digital e os clones de Buzz

A principal força antagonista se manifesta em Lilypad, um tablet interativo em formato de sapo cujo comportamento se assemelha ao da personagem Ansiedade, de Divertida Mente 2. Ela não atua como uma vilã tradicional, pois suas ações são motivadas pelo desejo de ajudar Bonnie, se baseando na premissa de que o amadurecimento da criança exige o descarte dos brinquedos físicos.

Paralelamente, o enredo desenvolve uma subtrama cômica a partir de um lote com cinquenta unidades defeituosas do boneco Buzz Lightyear. Os brinquedos se espalham após o contêiner de carga que os transportava cair de um navio e encalhar em uma ilha deserta, mantendo todos fixados no modo de comando padrão de patrulheiro espacial. Embora distantes, esses Buzzes acabam se transformando em aliados fundamentais para a resolução do conflito, proporcionando um suporte decisivo durante os momentos finais.

Alianças e mensagem central

No desenvolvimento das relações interpessoais, a narrativa oficializa o relacionamento romântico entre Buzz e Jessie, proporcionando um dos momentos de maior sensibilidade da franquia. Esse ápice ocorre no meio da ação final, após o ponto de virada na trama quando a xerife compreende que os dispositivos eletrônicos também são vulneráveis ao sentimento de abandono, enfrentando o agravante de possuírem um tempo de utilidade funcional significativamente menor do que os objetos tradicionais.

Essa percepção resulta em uma aliança entre Lilypad e o grupo clássico, unindo esforços para aproximar Bonnie e Blaze. A resolução estabelece uma convivência equilibrada e saudável entre a tecnologia e os brinquedos físicos no cotidiano da criança, reforçando a mensagem central de que, embora os tempos se transformem, os laços de amizade permanecem.

Dublagem e localização brasileira

A versão brasileira se destaca pela qualidade de sua localização, adaptando as piadas de fundo com precisão para o público local. O trabalho de dublagem nacional demonstra cuidado ao integrar de maneira orgânica referências da cultura digital do país, utilizando de forma oportuna menções a expressões amplamente conhecidas, como o clássico questionamento “Acabou, Jéssica?”. Essa escolha enriquece o humor da produção sem descaracterizar o material original, garantindo que a comunicação com o espectador ocorra de forma natural e fluida.

Taylor Swift e cena pós-créditos

Outro elemento de destaque na produção é a inserção precisa da canção original “I Knew It, I Knew You”, composta por Taylor Swift e produzida por Jack Antonoff. A faixa é utilizada em um momento de forte apelo emocional no meio da trama, quando Jessie se lembra de seu passado com sua primeira dona, e reaparece durante o encerramento, justificando a estratégia de divulgação prévia que utilizava as iniciais da artista e do título da obra.

Por fim, a cena pós-créditos encerra o arco do exército de cinquenta unidades perdidas do Buzz Lightyear, mostrando o destino desses personagens ao encontrarem um novo propósito em um parquinho público, onde acabam sendo adotados por diferentes crianças. Eles se entregam a esse destino ao descobrirem a real finalidade da existência deles.

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Vale a pena ver Toy Story 5?

Toy Story 5 reafirma a capacidade do estúdio de entregar uma obra com excelente ritmo narrativo, que se mantém eficiente em seu propósito de entreter por meio de piadas de fundo bem construídas.

Sob a direção de Andrew Stanton e McKenna Harris, a produção responde de maneira satisfatória ao ceticismo inicial do público quanto à necessidade de uma nova sequência para a franquia, entregando um desfecho que concilia o apelo emocional voltado aos adultos com elementos capazes de prender a atenção das crianças.

Onde assistir Toy Story 5?

O filme estreia nesta quinta-feira (17) exclusivamente nos cinemas brasileiros.

Trailer de Toy Story 5

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Elenco de Toy Story 5: dubladores originais

  • Tom Hanks como Woody
  • Tim Allen como Buzz Lightyear
  • Joan Cusack como Jessie
  • Conan O’Brien
  • Scarlett Spears
  • Greta Lee
  • Shelby Rabara
  • Shelby Rabara
  • Mykal-Michelle Harris

Toy Story 5: elenco de dubladores

  • Marco Ribeiro como Woody
  • Guilherme Briggs como Buzz Lightyear
  • Mabel Cezar como Jessie
  • Maisa como Lilypad
  • Rafael Infante como Amigo Rolinho
Escrito por
Bruno de Oliveira

Sou um apaixonado por filmes, séries e cultura pop em geral. Entre um blockbuster e um filme introspectivo e intimista encontro meu lugar no mundo e me sinto a vontade para viajar seja lá para qual mundo for.

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