Toy Story 5 crítica do filme 2026

‘Toy Story 5’ compreende o presente sem abandonar a essência da franquia

Foto: The Walt Disney Studios / Getty Images / Divulgação
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Em Toy Story 5 (2026), a Pixar retorna a um universo que parecia ter encerrado seu ciclo de forma definitiva no terceiro filme e que se estendeu com certa hesitação em Toy Story 4. O novo longa, no entanto, encontra um caminho próprio ao abandonar a necessidade de reinventar completamente seus personagens e focar em uma questão muito contemporânea: o impacto da tecnologia na infância. Em vez de apostar apenas na nostalgia, o filme procura dialogar diretamente com pais, crianças e adultos que cresceram brincando com brinquedos físicos antes da era dominada pelas telas.

A força do filme está justamente na simplicidade de sua proposta. A trama não tenta construir uma aventura grandiosa ou emocionalmente devastadora como a despedida de Andy em Toy Story 3. Em vez disso, trabalha um conflito cotidiano e reconhecível: crianças que trocam brincadeiras presenciais por tablets, chats e jogos digitais. A mensagem pode soar óbvia à primeira vista, mas o roteiro a desenvolve com sensibilidade, evitando demonizar a tecnologia e concentrando-se no desequilíbrio entre o mundo virtual e a imaginação concreta.

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Sinopse

Bonnie, agora com oito anos, continua apegada aos brinquedos que herdou de Andy — Jessie, Bala no Alvo, Buzz Lightyear, Rex e toda a turma. Porém, ao perceber que suas amigas da escola passaram a interagir quase exclusivamente por meio de tablets, ela se sente deslocada socialmente. Para ajudá-la a se integrar, seus pais lhe presenteiam com a Lilypad, um tablet infantil com jogos e recursos de conversa online.

O problema começa quando Bonnie mergulha profundamente no universo digital e deixa de brincar com os brinquedos. Jessie, preocupada em perder sua função e, mais importante, em ver a garota se afastar da imaginação que sempre a definiu, tenta encontrar uma solução.

Durante essa jornada, ela chega à antiga casa de sua primeira dona, onde conhece Blaze, uma garota um pouco mais velha que ainda valoriza brincadeiras reais, apesar de também usar tecnologia de forma equilibrada. A partir daí, Jessie planeja aproximar Bonnie e Blaze, acreditando que uma amizade verdadeira pode ajudá-la a reencontrar o prazer das brincadeiras fora das telas.

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Crítica de Toy Story 5

A tecnologia como sintoma

Um dos maiores acertos de Toy Story 5 é não transformar a Lilypad em um objeto maligno ou caricatural. O filme entende que tablets e jogos fazem parte da realidade atual das crianças. O problema não é a existência da tecnologia, mas o uso excessivo e a substituição quase total das relações presenciais por interações mediadas por tela. Isso dá maturidade ao roteiro e impede que a mensagem pareça moralista ou antiquada.

A situação de Bonnie é especialmente convincente porque nasce de uma pressão social reconhecível. Ela não quer apenas brincar no tablet; ela quer pertencer ao grupo. O filme acerta ao mostrar que muitos pais acabam cedendo às telas não necessariamente por negligência, mas porque o ambiente social empurra as crianças para esse tipo de conexão digital.

Toy Story 5 crítica do filme
Foto: The Walt Disney Studios / Getty Images / Divulgação

Jessie assume o protagonismo com sensibilidade

Dar a Jessie o papel central da história foi uma decisão inspirada. A personagem sempre teve forte ligação emocional com o medo do abandono e com a importância do brincar, desde sua marcante introdução em Toy Story 2. Aqui, sua preocupação com Bonnie não soa possessiva, mas genuinamente afetiva: ela percebe que a menina está perdendo algo importante de sua infância.

A dinâmica entre Jessie e Blaze também traz frescor à franquia. Blaze funciona como contraponto equilibrado à Bonnie — alguém que usa tecnologia sem deixar que ela domine sua vida. Em vez de pregar um retorno impossível a um passado sem telas, o filme propõe um meio-termo mais realista: tecnologia pode coexistir com criatividade, amizade presencial e brincadeiras imaginativas.

Entre a nostalgia e a renovação

Comparado a Toy Story 4, este novo capítulo parece mais necessário e emocionalmente coerente. Enquanto o quarto filme dividiu opiniões por revisitar uma conclusão já perfeita, Toy Story 5 encontra um tema novo e relevante para justificar sua existência. Ele respeita o legado da franquia ao mesmo tempo em que atualiza seu olhar para os desafios da infância moderna.

Ainda assim, o longa não alcança a profundidade emocional dos três primeiros filmes. Falta aquele senso de descoberta do original, a expansão emocional do segundo e a catarse quase universal do terceiro. As cenas emocionantes existem — especialmente nos momentos em que Jessie teme perder sua conexão com Bonnie —, mas o impacto é mais suave e contemplativo.

Visualmente encantador e narrativamente honesto

A animação continua impecável, como esperado da Pixar. Os ambientes digitais da Lilypad contrastam de forma interessante com os espaços físicos de brincadeira, reforçando visualmente o conflito central sem precisar explicá-lo o tempo todo. A direção também evita exageros melodramáticos, mantendo um tom caloroso e acessível tanto para crianças quanto para adultos.

Narrativamente, o filme sabe exatamente o que quer dizer e não tenta parecer mais complexo do que é. Essa honestidade é uma virtude. Em uma época em que muitas continuações apostam em tramas convolutas ou em referências nostálgicas excessivas, Toy Story 5 prefere contar uma história simples, direta e emocionalmente clara.

Toy Story 5 é bom?

Toy Story 5 funciona porque compreende o espírito do presente sem abandonar a essência da franquia. O filme fala sobre pertencimento, amizade, imaginação e equilíbrio em um mundo cada vez mais digital. Sua mensagem é especialmente relevante para pais e crianças que vivem o dilema entre limitar telas e permitir que os filhos acompanhem o ritmo social da geração atual.

Talvez ele não provoque o mesmo impacto histórico dos três primeiros filmes, mas consegue algo difícil: justificar sua própria existência dentro de uma saga já consagrada. Mais do que uma sequência nostálgica, Toy Story 5 é uma crítica delicada sobre a infância de hoje — e sobre como brincar continua sendo uma das formas mais importantes de crescer.

Onde assistir Toy Story 5?

O filme estreia nesta quinta-feira (17) exclusivamente nos cinemas brasileiros.

Trailer de Toy Story 5

YouTube player

Elenco de Toy Story 5: dubladores originais

  • Tom Hanks como Woody
  • Tim Allen como Buzz Lightyear
  • Joan Cusack como Jessie
  • Conan O’Brien
  • Scarlett Spears
  • Greta Lee
  • Shelby Rabara
  • Shelby Rabara
  • Mykal-Michelle Harris

Toy Story 5: elenco de dubladores

  • Marco Ribeiro como Woody
  • Guilherme Briggs como Buzz Lightyear
  • Mabel Cezar como Jessie
  • Maisa como Lilypad
  • Rafael Infante como Amigo Rolinho
Escrito por
Juliana Cunha

Editora na ESPN Brasil e fã de cultura pop, Juliana se classifica como uma nerd saudosa dos grandes feitos da Marvel.

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