Leia a crítica do filme Uma Mulher Diferente (2025) - Flixlândia

‘Uma Mulher Diferente’ aborda autismo descoberto na vida adulta com humor e responsabilidade

Foto: Autoral Filmes / Divulgação
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Existem certos assuntos cuja dificuldade de abordagem é quase uma autocensura em diversos artistas. Daí a necessidade de longas explicações em ficções, que precisam ser misturadas com momentos de humor para uma melhor experiência estética.

A possibilidade dessa mistura desandar é grande, mas, felizmente, a diretora e roteirista Lola Doillon consegue entregar um bom filme com “Uma Mulher Diferente”, e talvez sem muitas pessoas ofendidas ao saírem do cinema ao tocar no tema do autismo.

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Sinopse

A personagem-título é Kátia Rousseau (Jehnny Beth, de “Anatomia de uma Queda”), que, ao mesmo tempo que é uma pesquisadora inteligente e curiosa, sofre com relações interpessoais, seja no trabalho, com a mãe ou com o namorado, Fred (Thibaut Evrard), que em contraste é um amante de festas e interações sociais. Ao deparar-se com uma pauta sobre autismo no trabalho, Katia descobre que pode se encaixar na descrição e aprofunda-se na pesquisa.

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Crítica

Com um assunto tão amplo e tratado com preconceito por diversas esferas da sociedade, seja europeia, brasileira ou de diversos outros países, a diretora conta com calma os aspectos que designam alguém como tal. O espectador vai descobrindo junto com Kátia o diagnóstico, e junto com ela enfrenta a dificuldade de as pessoas ao seu redor admitirem que ela é autista.

Isso também é um pouco culpa da própria história do audiovisual. Representado o transtorno muitas vezes de forma fantasiosa demais, como se autistas muitas vezes tivessem super-poderes, muitas obras clássicas acabaram por acostumar a uma visão estereotipada desses indivíduos, e não entendendo a gama de gradações que existem no espectro.

O desenrolar entre o diagnóstico é tratado sem espetacularização, mas ao mesmo tempo com sentimentos. Katia entende que é diferente num mundo de iguais, e ter uma explicação para sua falta de traquejo social a conforta, ao mesmo tempo que abre novas possibilidade de sofrimento e julgamentos que ela nem sabia que existiam.

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Conclusão

“Uma Mulher Diferente” é um filme cuidadoso, que permeia aqui e ali um humor que não se mostra fora do lugar. Em tempos de julgamentos morais apenas por essa ou aquela pessoa tocar em temas que à uma primeira vista não os convêm, o longa francês tenta, e consegue, contar uma boa história sobre o autismo com romance, humor e um pedido para que preconceitos sejam deixados de lado.

YouTube player

Onde assistir ao filme Uma Mulher Diferente?

O filme estreia nesta quinta-feira, 16 de outubro de 2025, exclusivamente nos cinemas brasileiros.

Quem está no elenco Uma Mulher Diferente (2025)?

  • Jehnny Beth
  • Thibaut Evrard
  • Mireille Perrier
  • Irina Muluile
  • Philippe le Gall
Escrito por
Marcelo Fernandes

Jornalista, músico diletante, produtor cultural e fã de guitarras distorcidas e bandas obscuras.

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