De Jarvis Cocker dançando de um jeito todo particular a Paul McCartney acompanhado por bailarinas, relembre cinco clipes que fizeram da dança uma atração à parte.
Os videoclipes britânicos sempre tiveram uma relação especial com a dança. Muito antes das coreografias virarem tendências nas redes sociais, bandas de rock e artistas pop já apostavam em passos sincronizados, movimentos esquisitos e performances divertidas para dar personalidade às suas músicas.
E nem sempre era preciso saber dançar. Às vezes, justamente o contrário. Um movimento desajeitado, uma sequência de passos simples ou uma coreografia propositalmente estranha podiam transformar um videoclipe em algo inesquecível.
Do auge do britpop nos anos 1990 à explosão do indie rock nos anos 2000, a música britânica produziu vídeos que misturavam humor, criatividade, referências culturais e muita dança.
Nós do Flixlândia selecionamos sete produções que mostram como uma boa dancinha pode fazer toda a diferença. Prepare os pés e dê o play:
➡️ Compre na AMAZON com frete grátis e rápido!
1. Pulp – Common People (1995): a dança desengonçada de Jarvis Cocker
Quando o assunto é dançar sem se preocupar com a opinião dos outros, Jarvis Cocker merece um lugar de destaque.
Em 1995, o Pulp lançou Common People, um dos maiores sucessos do britpop. A música, que integra o álbum Different Class, apresenta uma crítica à romantização da vida da classe trabalhadora por pessoas privilegiadas.
O videoclipe, dirigido por Pedro Romhanyi, transformou essa crítica em uma produção cheia de humor e movimentos inusitados.
Jarvis aparece ao lado da atriz Sadie Frost e de outros personagens em ambientes que lembram o cotidiano de pessoas comuns. Mas o grande destaque fica para os passos do vocalista, com seus braços compridos, gestos exagerados e uma desenvoltura absolutamente particular.
A curiosidade é que a sequência de dança de Cocker foi improvisada durante a gravação. Ou seja, nada de semanas de ensaio para chegar àqueles movimentos.
O resultado é uma performance que combina perfeitamente com a personalidade irônica e teatral do cantor. Além disso, o vídeo utiliza repetições de movimentos que lembram a estética da animação Yellow Submarine, dos Beatles.
Poucos artistas conseguiram transformar o jeito desajeitado de dançar em uma assinatura tão reconhecível.
2. Pulp – Disco 2000 (1995): romance, nostalgia e uma pista de dança
O Pulp aparece novamente na seleção, e não é por acaso. A banda de Sheffield sabia transformar histórias cotidianas em pequenos espetáculos audiovisuais.
Também lançado em 1995, Disco 2000 conta a história de um rapaz apaixonado por Deborah, uma amiga de infância que nunca correspondeu aos seus sentimentos da maneira que ele gostaria.
A canção mistura lembranças da adolescência, frustrações amorosas e a expectativa de um reencontro no ano 2000.
No videoclipe, novamente dirigido por Pedro Romhanyi, essa história ganha vida com uma estética retrô, roupas características e uma discoteca que serve de cenário para encontros e desencontros.
Os modelos Pat Skinny e Jo Skinny interpretam os personagens centrais. Enquanto a narrativa avança, as cenas de dança ajudam a construir o clima de romance, constrangimento e diversão.
Diferentemente de produções com coreografias perfeitamente sincronizadas, Disco 2000 aposta na dança como parte da história. Os movimentos e as interações na pista parecem saídos de uma noite de festa.
O resultado é um videoclipe com a cara dos anos 1990, mas que também parece uma homenagem às discotecas e aos romances adolescentes de décadas anteriores com dancinhas meio ao estilo “Tik Tok”. Visionários.
É impossível assistir sem sentir vontade de cantar o refrão e procurar uma pista de dança.
➡️ Siga o canal FLIXLÂNDIA no WhatsApp
3. Paul McCartney – Ever Present Past (2007): quando o ex-Beatle resolveu dançar
Quem disse que Paul McCartney não poderia protagonizar um videoclipe com uma coreografia cuidadosamente planejada?
Em 2007, o ex-Beatle lançou Ever Present Past, música do álbum Memory Almost Full. A canção aborda a passagem do tempo e a maneira como as lembranças continuam presentes na vida das pessoas.
O videoclipe, dirigido por Phil Griffin, apresenta McCartney em um ambiente elegante, acompanhado por bailarinas vestidas de preto.
Os movimentos são sincronizados, cheios de charme e cuidadosamente integrados à presença do músico. O vídeo também brinca com a imagem de Paul, criando situações em que ele aparece diante de uma espécie de cópia de si mesmo.
Mas existe uma curiosidade especialmente interessante sobre a produção. Segundo o coreógrafo Paul Roberts, a equipe filmou primeiro os movimentos improvisados por McCartney. Depois, as bailarinas passaram uma semana aprendendo a reproduzir o estilo do músico. Com o auxílio de câmeras controladas por computador, as performances foram reunidas na montagem, criando uma coreografia que acompanha o jeito particular de Paul se movimentar.
Em vez de obrigar o artista a aprender passos complexos, a produção fez o caminho inverso: adaptou a dança ao estilo dele.
O resultado é um vídeo elegante, divertido e que prova que a criatividade pode ser mais importante do que qualquer virtuosismo na pista.
4. Franz Ferdinand – The Dark of the Matinée (2004): a coreografia dos estudantes rebeldes
Se existe uma banda que ajudou a colocar o rock alternativo novamente nas pistas de dança durante os anos 2000, essa banda é o Franz Ferdinand.
Formado na Escócia, o grupo conquistou o público com guitarras marcantes, refrões contagiantes e uma sonoridade que misturava rock e ritmos dançantes.
Em 2004, a banda lançou The Dark of the Matinée, faixa de seu primeiro álbum, que ganhou um videoclipe dirigido por Chris Hopewell.
Na produção, Alex Kapranos e seus companheiros aparecem caracterizados como estudantes de uma escola rígida e tradicional.
Mas a aparente disciplina dura pouco.
Entre salas de aula e corredores, os personagens começam a executar movimentos sincronizados e mecânicos, criando uma coreografia que mistura rigidez, rebeldia e humor.
Os passos têm uma aparência propositalmente robotizada, como se os estudantes estivessem tentando quebrar as regras daquele ambiente sem abandonar completamente sua formalidade.
O contraste entre os uniformes, a seriedade dos personagens e a energia da música é justamente o que torna o vídeo tão divertido.
A estética também dialoga com o interesse da banda por referências visuais de outras épocas.
É um daqueles videoclipes britânicos que demonstram como alguns movimentos simples, combinados com uma boa direção de arte, podem produzir cenas memoráveis.
5. Two Door Cinema Club – What You Know (2011): guitarras, bailarinas e muita sincronia
Para encerrar nossa seleção, uma das músicas mais reconhecidas do indie rock da década de 2010.
O Two Door Cinema Club, trio formado na Irlanda do Norte, lançou What You Know no álbum de estreia Tourist History, de 2010. No ano seguinte, a canção ganhou um videoclipe que transformou sua energia contagiante em um espetáculo de dança.
Dirigido por Lope Serrano, do coletivo audiovisual CANADA, o vídeo foi filmado em Barcelona, na Espanha.
Na produção, os integrantes da banda aparecem tocando enquanto um grupo de bailarinas espanholas executa coreografias marcadas por movimentos sincronizados, mudanças de formação e gestos expressivos. A estética mistura cores fortes, cenários minimalistas e uma montagem que acompanha o ritmo das guitarras.
Ao contrário de Common People, em que o charme está na espontaneidade de Jarvis Cocker, aqui o destaque é a precisão dos movimentos. As bailarinas parecem transformar os acordes da música em uma sequência de passos, criando uma espécie de diálogo entre a banda e a coreografia. Tudo funciona com leveza, humor e uma dose de extravagância.
Mais de uma década depois, What You Know continua sendo uma ótima demonstração de como o indie rock também pode render videoclipes extremamente dançantes.
6. Snow Patrol – Called Out in the Dark (2011): quando o vocalista é expulso do próprio videoclipe
Imagine chegar à gravação do videoclipe da sua banda e descobrir que outra pessoa foi contratada para ocupar o seu lugar. Pior: o substituto canta, dança e parece agradar muito mais à equipe!
É justamente essa a situação enfrentada por Gary Lightbody, vocalista do Snow Patrol, em Called Out in the Dark, lançado em 2011 como primeiro single do álbum Fallen Empires.
Dirigido por Brett Simon, o videoclipe apresenta uma espécie de gravação dentro da gravação, com o ator britânico Jack Davenport, conhecido pela franquia Piratas do Caribe, assumindo o papel de vocalista.
Enquanto Davenport aparece elegantemente vestido e cercado por bailarinos que executam uma coreografia sincronizada, Lightbody faz de tudo para participar das filmagens. O problema é que ninguém parece querer sua presença!
A atriz Tara Summers interpreta uma integrante da equipe de produção que tenta impedir as constantes intromissões do verdadeiro cantor. Entre tentativas frustradas de aparecer diante das câmeras e passos de dança completamente desajeitados, Gary transforma a disputa pelo protagonismo em uma divertida sequência de situações constrangedoras.
A coreografia foi criada pela canadense Noémie Lafrance, que também trabalhou com a cantora Feist em videoclipes como 1234 e My Moon My Man.
Com movimentos coordenados, figurinos elegantes e muito bom humor, o vídeo brinca com os bastidores da indústria musical e com a própria imagem dos artistas.
E o mais divertido é perceber que Gary Lightbody não tem qualquer problema em fazer piada consigo mesmo.
Uma prova de que, às vezes, o melhor jeito de roubar a cena é justamente não conseguir acompanhar a dança.
7. Hot Chip – I Feel Better (2010): uma boy band, coreografias e lasers mortais
Imagine uma boy band com rapazes bonitões, roupas combinando, coreografias ensaiadas e uma plateia lotada de fãs apaixonadas. Tudo parece perfeito, até que um homem misterioso invade o palco e começa a disparar raios laser pela boca!
Essa é a proposta completamente maluca de I Feel Better, videoclipe lançado em 2010 pela banda britânica Hot Chip.
A música faz parte do álbum One Life Stand, mas seu vídeo ficou especialmente conhecido pelo humor absurdo e pela paródia das boy bands que fizeram sucesso nos anos 1990 e 2000.
Dirigida pelo ator e comediante britânico Peter Serafinowicz, a produção apresenta quatro rapazes dançando e dublando a música diante de uma plateia entusiasmada. Enquanto isso, os verdadeiros integrantes do Hot Chip aparecem discretamente entre os espectadores. A coreografia segue a cartilha das boy bands: movimentos sincronizados, poses sedutoras e até aquele momento clássico em que um dos integrantes tira a camisa para provocar a gritaria das fãs.
Mas a apresentação é interrompida por uma figura careca e brilhante, interpretada por Ross Lee, que começa a atacar os cantores com raios disparados pela boca. E a situação fica ainda mais absurda quando uma cabeça gigantesca e flutuante entra em cena. Uma curiosidade é que o convite para dirigir o videoclipe aconteceu pelo Twitter. Segundo Serafinowicz, apenas duas semanas separaram o primeiro contato com a banda das filmagens.
O diretor também revelou que buscou inspiração na estética tradicional dos grupos pop masculinos, justamente para destruir todas aquelas convenções ao longo do vídeo. A brincadeira deu tão certo que I Feel Better apareceu na lista dos 50 melhores videoclipes de 2010 da revista britânica NME, ocupando a 19ª posição.
Entre passos ensaiados, efeitos especiais e um humor completamente sem limites, o Hot Chip provou que uma coreografia também pode servir para fazer uma grande piada com a indústria musical.
























