Se você achou que conquistar o Trono de Ferro era a parte mais difícil da guerra, A Casa do Dragão (House of the Dragon) faz questão de rir da sua cara e te provar o contrário. Depois de dois episódios marcados por batalhas grandiosas e muito espetáculo, o terceiro capítulo da 3ª temporada pisa no freio da ação e nos entrega um mergulho psicológico denso e fascinante.
Trocando o fogo dos dragões pela burocracia, intrigas políticas e muita paranoia, este é, sem dúvidas, o melhor episódio da temporada até agora e uma verdadeira aula de desenvolvimento de personagem.
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Sinopse
O episódio acompanha os três primeiros dias de Rhaenyra Targaryen como Rainha em Porto Real, e a situação é um caos absoluto. Ao assumir a coroa, ela descobre que o tesouro real foi esvaziado e escondido por Tyland Lannister. Sem dinheiro, com o castelo infestado de ratos e o povo passando fome, a nova rainha precisa lidar com exigências de todos os lados. Corlys Velaryon exige que seus filhos bastardos, Addam de Hull e Alyn de Hull, sejam legitimados, mas Rhaenyra se recusa. Além disso, o Alto Septão se nega a coroá-la oficialmente, chamando os dragões de magia profana.
Enquanto isso, Daemon Targaryen acredita que a guerra acabou após forçar a rendição de Ormund Hightower, que entrega um garoto supostamente sendo Daeron Targaryen, o filho mais novo de Alicent Hightower. No entanto, tudo não passava de um truque de Ormund, que usou um impostor para distrair os Pretos enquanto marchava com o verdadeiro Daeron e seu dragão, Tessarion, para tomar a cidade de Tumbleton.
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Crítica do episódio 3 da temporada 3 de A Casa do Dragão
Atuação brilhante de Emma D’Arcy
A decisão de focar quase 100% do episódio na perspectiva de Rhaenyra foi um golpe de mestre. Nós sentimos a exaustão dela de forma visceral, graças à atuação espetacular de Emma D’Arcy, que constrói a personagem através da hesitação, da vulnerabilidade silenciosa e de uma raiva contida.
A rainha está sob uma pressão tão irreal que chega a sofrer com cólicas menstruais intensas durante seus deveres, adicionando uma camada física ao seu desconforto psicológico. A paranoia toma conta a ponto de Rhaenyra ter alucinações pelos corredores, enxergando o fantasma de seu falecido filho, Jacaerys.
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Trilha sonora perturbadora
É impossível falar da atmosfera sufocante deste episódio sem aplaudir Ramin Djawadi. O compositor criou uma identidade sonora única para a agonia de Rhaenyra, utilizando um som percussivo e perturbador que lembra uma corda de piano sendo esmurrada.
Essa música incômoda, misturada a sussurros e murmúrios na cabeça da rainha, cresce toda vez que a resolução dela é abalada, traduzindo perfeitamente a sua sanidade que começa a rachar.
Ratos no jantar e decisões políticas duvidosas
Politicamente, Rhaenyra toma decisões que flertam com o desastre. Tentando fazer um papel de “Robin Hood”, ela confisca a comida acumulada pelos nobres de Porto Real para distribuir ao povo faminto. Mas a cereja do bolo é o banquete que ela oferece à elite: pratos cheios de ratos assados, uma punição cruel pelo egoísmo dos lordes, mas que acaba criando inimigos poderosos logo nos seus primeiros dias no trono.
Ela também consegue antagonizar seus maiores aliados. A cena em que Corlys Velaryon explode de raiva é um dos ápices do episódio. Frustrado pela recusa da rainha em legitimar seus filhos, ele joga na cara dela que Jacaerys, Lucerys e Joffrey viveram e morreram como bastardos. Foi um choque de realidade brutal, provando que Rhaenyra tem medo de legitimar bastardos alheios para não reacender os rumores sobre os seus próprios.
A sombra de Daenerys Targaryen
Para quem assistiu Game of Thrones, é inevitável não lembrar de Daenerys Targaryen. No entanto, ao contrário do desenvolvimento apressado e mal justificado que arruinou a jornada de Daenerys, o que a temporada 3 de A Casa do Dragão está fazendo com Rhaenyra é um estudo de personagem magistral.
A série até brincou com paralelos visuais, enquadrando Rhaenyra no banquete de forma idêntica a cenas clássicas de Daenerys, sinalizando de forma inteligente que a linha entre uma governante justa e uma tirana implacável é muito tênue.
O golpe de Ormund Hightower e a arrogância de Daemon
A dinâmica entre Daemon Targaryen e Ormund Hightower no início do episódio foi brilhante, especialmente porque escancarou a arrogância cega do príncipe. Daemon achou que tinha vencido a guerra apenas no gogó, ignorando completamente que os Hightower são estrategistas natos.
A revelação final de que o garoto refém não passava de um sósia para ganhar tempo, enquanto o exército Verde tomava Tumbleton, foi um soco no estômago dos Pretos. Essa reviravolta reacende a guerra com força total e mostra que o jogo dos tronos não perdoa ingenuidade.
Conclusão
O episódio 3 da temporada 3 de A Casa do Dragão prova que não é preciso ter batalhas épicas ou dragões cuspindo fogo o tempo todo para criar uma televisão de altíssima qualidade. Ao focar na burocracia do poder e no desgaste mental da sua protagonista, a série entregou uma obra-prima de tensão e intriga.
O reinado de Rhaenyra mal começou e já está desmoronando, deixando claro para nós, espectadores, que sentar no Trono de Ferro é muito mais uma maldição do que uma vitória.
Onde assistir à série A Casa do Dragão?
- HBO e HBO Max
Trailer da temporada 3 de A Casa do Dragão
Elenco de A Casa do Dragão, da HBO
- Emma D’Arcy (Rhaenyra Targaryen)
- Olivia Cooke (Alicent Hightower)
- Matt Smith (Daemon Targaryen)
- Tom Glynn-Carney (Aegon II Targaryen)
- Ewan Mitchell (Aemond Targaryen)
- Steve Toussaint (Corlys Velaryon)
- Harry Collett (Jacaerys Velaryon)
- James Norton (Ormund Hightower)
Ficha técnica
- Série: House of the Dragon
- Temporada: 3
- Episódio: 3
- Showrunner: Ryan Condal
















