Quando a primeira temporada de X-Men ’97 acabou, a régua ficou lá no alto. A série provou que não estava ali só para surfar na nostalgia da clássica animação dos anos 90, mas sim para contar histórias mais maduras, emocionantes e com muito peso. A boa notícia? A segunda temporada começa exatamente de onde parou e, incrivelmente, não perde o ritmo.
Logo de cara, o Disney+ soltou três episódios de uma vez, mergulhando de cabeça em viagens no tempo e dividindo nossos mutantes favoritos em épocas diferentes. O resultado é uma estreia que expande ainda mais esse universo com muita ação, drama familiar e desenvolvimento afiadíssimo de personagens.
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Sinopse
Após os eventos catastróficos envolvendo o Asteroide M no final da última temporada, os X-Men foram fragmentados e espalhados pelo tempo. No ano de 3960 d.C., Ciclope, Jean Grey, Tempestade, Morfo e Wolverine tentam sobreviver em um futuro distópico comandado pelo Apocalipse, enquanto lidam com a criação do jovem Nathan (o futuro Cable).
No presente (1997), um time mais brutal chamado X-Force, montado pelo próprio Cable, bate de frente com o X-Factor, uma equipe mutante sancionada pelo governo. E, por fim, no distante ano de 3000 a.C., no Antigo Egito, Magneto, Professor X, Vampira, Fera, Noturno e Bishop testemunham a juventude de En Sabah Nur (antes de se tornar o vilão Apocalipse) lutando contra o tirano Faraó Rama-Tut.
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Crítica da temporada 2 de X-Men ’97
Linhas temporais sem perder o foco
Pode parecer que dividir o elenco em três tramas temporais diferentes (Passado, Presente e Futuro) em episódios de apenas 30 minutos deixaria a história corrida, mas o roteiro de Matthew Chauncey brilha na organização. Cada episódio escolhe focar em um núcleo específico, o que deixa o ritmo cadenciado e dá espaço para os dramas respirarem.
O primeiro episódio, Dias de um Passado Futuro (uma brincadeira com o famoso arco “Dias de um Futuro Esquecido”), joga a luz no dilema de Scott e Jean. Eles reencontram o filho Nathan no futuro e vivem o conflito emocional de tentar ser pais presentes, mas sabendo que precisam deixá-lo ir para que ele cumpra seu destino como herói. E que show de emoção!

A chegada da X-Force e do X-Factor
Se no futuro a pegada é familiar, o presente pega fogo no segundo episódio. Com os X-Men desaparecidos, o espaço fica vago para novas equipes. De um lado, temos o X-Factor (Destrutor, Polaris, Homem Múltiplo, Fortão e Lupina) caçando mutantes em nome do governo norte-americano. Do outro, entra a X-Force comandada por Cable, ao lado de Jubileu, Mancha Solar, Psylocke e Arcanjo.
A série muda até a abertura (com um letreiro de X-Force ’97) para celebrar esse momento. O grande destaque aqui é a moralidade: Cable recruta adolescentes como soldados para uma guerra sangrenta. Ele não hesita em ordenar execuções, o que choca a Jubileu, que serve perfeitamente como a bússola moral do espectador nesse episódio, questionando os ensinamentos pacíficos do Professor Xavier diante de um cenário tão letal.
Magneto, Apocalipse e um vilão surpresa no Egito
O terceiro episódio desacelera o ritmo da ação pura para mergulhar em algo fascinante: a filosofia. Voltando 3.000 anos no tempo, vemos o Magneto barbudo atuando como um conselheiro/tutor para um jovem En Sabah Nur. O mestre do magnetismo tenta aplicar os ensinamentos pacíficos de Xavier para impedir que aquele jovem se torne o maior monstro da história dos mutantes, enquanto o próprio Charles duvida que o plano dê certo.
Para deixar tudo melhor, somos apresentados ao antagonista desse arco: o Faraó Rama-Tut. Para quem não ligou o nome à pessoa, o tirano super tecnológico do Egito é uma das identidades de Kang, o Conquistador, uma grande adição do universo Marvel direto para a animação.
Animação absurda e atenção aos detalhes
O capricho técnico da animação continua sendo um espetáculo à parte. A ação tem peso e identidade. A série nos mostra Jubileu lutando com técnicas que lembram o Jiu-jitsu, e Psylocke utilizando movimentos baseados em Taekwondo e Kendo. Em outro momento brilhante, vemos a Tempestade assumindo o nível de uma verdadeira deusa ao manipular ventos solares e energia cósmica de forma estonteante. E claro, tem muito fan service pontual, como o Wolverine usando suas famosas garras de osso (após o trauma do adamantium ser arrancado).
A magia também mora nos pequenos gestos. Durante uma conversa, é possível notar Tempestade e Forge não apenas de mãos dadas, mas trocando carícias nos dedos, um toque de intimidade que humaniza os personagens e prova que o time de animadores não trabalha no automático.
Temporada 2 de X-Men ’97 é boa?
Os três primeiros episódios da segunda temporada mostram que X-Men ’97 não perdeu o gás. A série continua sendo, sem dúvidas, uma das melhores adaptações de super-heróis já feitas.
Com vilões complexos cuja origem é explorada a fundo, como a do Apocalipse sendo vítima de preconceito antes de virar um conquistador, e heróis sendo levados a tomar atitudes cada vez mais cinzentas, o roteiro aceita definitivamente que essa é uma animação para adultos.
É um prato cheio de nostalgia, sim, mas entregue com uma narrativa ambiciosa e cheia de coração. A Marvel acertou em cheio — de novo!
Onde assistir à série X-Men ’97?
- Disney+
Trailer da temporada 2 de X-Men ’97
Elenco de X-Men ’97, do Disney+
- Ray Chase (Ciclope)
- Jennifer Hale (Jean Grey)
- Alison Sealy-Smith (Tempestade)
- Cal Dodd (Wolverine)
- Ross Marquand (Apocalipse / Professor X)
- Matthew Waterson (Magneto)
- Lawrence Bayne (Cable)
Ficha técnica
- Série: X-Men ’97 (2ª Temporada, Episódios 1 a 3)
- Roteirista Principal: Matthew Chauncey (substituindo Beau DeMayo)
- Elenco de Voz (Original):
- Episódios Analisados: 1. Dias de um Passado Futuro / 2. Uma Força a Ser Reconhecida / 3. A Ascensão do Apocalipse: Parte 1














