Sabe aquela sensação de que você finalmente alcançou o que passou a vida inteira buscando, mas ao chegar no topo percebe que o preço pago foi alto demais? Pois é exatamente esse o sentimento que domina o episódio 2 da temporada 3 de A Casa do Dragão.
O que deveria ser o clímax absoluto da série — a retomada do poder por parte da herdeira legítima — se transforma em um estudo melancólico sobre o custo da guerra. Vamos mergulhar nos detalhes de um episódio de atuações brilhantes, mas que também escorregou em algumas escolhas bem questionáveis de roteiro.
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Sinopse
O episódio começa nos escombros e nas consequências imediatas da Batalha da Goela. Rhaenyra é engolida pelo luto ao receber o corpo de seu filho, Jace, em Pedra do Dragão. Enquanto isso, Daemon celebra a vitória nas Terras Fluviais até ser avisado da tragédia, o que o faz retornar para tentar tirar a rainha de seu estado de inércia.
Em Porto Real, Alicent corre contra o tempo para cumprir sua parte do acordo, instruindo a Patrulha da Cidade (os Mantos Dourados) e as defesas da muralha a se renderem pacificamente quando os dragões chegassem. Ao mesmo tempo, Aemond voa com Vhagar para Harrenhal, apenas para encontrar o castelo vazio, sendo ferido em uma emboscada e caindo aos pés de Alys Rivers. O clímax se dá quando Rhaenyra e Daemon invadem a Fortaleza Vermelha sem grandes resistências. Para consolidar seu poder, Rhaenyra decapita um prisioneiro inesperado: Otto Hightower.
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Crítica do episódio 2 da temporada 3 de A Casa do Dragão
O peso do luto e o show de Emma D’Arcy
Se há algo em que quase todos concordam neste episódio é o magnetismo da atuação de Emma D’Arcy. A cena em que Rhaenyra recebe o corpo de Jace é de partir o coração, entregando todas as fases do luto de forma silenciosa, crua e avassaladora.
A direção acerta em cheio ao silenciar a trilha sonora nesse momento, deixando todo o peso da cena nos ombros da atriz, que questiona um filho morto como se ele estivesse apenas dormindo. A dor de Rhaenyra é o motor do episódio, mostrando o grande paradoxo de A Casa do Dragão: toda e qualquer vitória no jogo dos tronos vem acompanhada de perdas irreparáveis.
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Dinâmicas de poder e escorregões de roteiro
Por mais que o episódio traga momentos emocionantes, o roteiro apresenta atalhos que incomodam. A começar pelo arco de Alicent, que tenta preparar o terreno para a invasão pacífica.
A cena em que ela sofre uma tentativa de abuso por parte de Jasper Wylde foi apontada por muitos como um recurso barato e preguiçoso de roteiro, servindo apenas como uma desculpa para mandá-lo para as masmorras (onde ele seria morto por Daemon mais tarde). Foi uma quebra de ritmo desnecessária e uma violência gratuita que rebaixou a personagem de forma revoltante.
Além disso, os fãs dos livros podem ter ficado bem frustrados com a decisão de “pular” a brutal Batalha da Margem do Lago (apelidada de “Baile dos Peixes”), mostrando apenas a celebração de Daemon com os nortenhos e senhores dos rios.
A ausência desse confronto na tela tira um pouco do senso de urgência militar e poupa os espectadores de entenderem o impacto real das perdas do exército de Aegon. Outro ponto fraco foram alguns diálogos genéricos, algo que destoa da riqueza a que os fãs de Game of Thrones estavam acostumados.
Uma conquista fácil demais e uma execução questionável
A chegada de Rhaenyra a Porto Real teve ares de grandeza nostálgica, lembrando os cenários clássicos da série original, mas foi, de certa forma, conveniente demais. Sim, os Mantos Dourados ainda eram leais a Daemon e viraram a casaca no momento certo, mas o fato de dois cavaleiros tomarem o palácio quase sem exército pede que a gente desligue um pouco o senso crítico.
O grande choque, contudo, ficou para o fim: o retorno de Otto Hightower, encontrado nas celas e arrastado para ser o exemplo do novo reinado. A decisão criativa de colocar a própria Rhaenyra para balançar a espada e cortar a cabeça de Otto dividiu opiniões. Diferente do Norte, os reis no Sul de Westeros não costumam ser seus próprios carrascos. Ver a rainha chorando, hesitando e precisando de dois golpes para finalizar a execução não soou empoderador; soou confuso e distante do protocolo esperado de um monarca targaryen.
Conclusão
No fim das contas, a subida de Rhaenyra os degraus ensanguentados do Trono de Ferro é a imagem perfeita para resumir este episódio: uma glória totalmente ofuscada pela dor. O episódio 2 da 3ª temporada de A Casa do Dragão compensa as conveniências de seu roteiro e os diálogos irregulares com atuações espetaculares.
A guerra, porém, não acabou. Com Aegon e Larys Strong escapando em direção a Pouso das Gralhas e Aemond vivo ao lado de Alys Rivers em Harrenhal, a paz que as rainhas tentaram orquestrar ainda é apenas uma ilusão manchada de sangue.
Onde assistir à série A Casa do Dragão?
- HBO e HBO Max
Trailer da temporada 3 de A Casa do Dragão
Elenco de A Casa do Dragão, da HBO
- Emma D’Arcy (Rhaenyra Targaryen)
- Olivia Cooke (Alicent Hightower)
- Matt Smith (Daemon Targaryen)
- Tom Glynn-Carney (Aegon II Targaryen)
- Ewan Mitchell (Aemond Targaryen)
- Steve Toussaint (Corlys Velaryon)
- Harry Collett (Jacaerys Velaryon)
- James Norton (Ormund Hightower)
Ficha Técnica
- Título: House of the Dragon
- Temporada / Episódio: Temporada 3, Episódio 1
- Baseado no livro: Fogo & Sangue, de George R.R. Martin
- Showrunner / Criador: Ryan Condal
- Data de Lançamento: 21 de junho de 2026
- Duração do episódio: 65 Minutos















