A quarta temporada de Origem finalmente chegou, e a série disponível no Globoplay não está economizando nos golpes emocionais. Retomando a história exatamente do ponto caótico onde a terceira temporada terminou, a narrativa nos joga de volta ao desespero palpável dos moradores de Fromville.
Se você achava que a cidade já tinha testado todos os limites psicológicos de seus reféns, os dois primeiros episódios provam que o sadismo do lugar está apenas começando. Desta vez, a ameaça não é apenas física, mas um jogo mental desenhado para destruir a esperança de dentro para fora.
Sinopse
Os episódios “A Chegada” (Episódio 1) e “Desgaste” (Episódio 2) estabelecem um novo status quo aterrorizante para a cidade. O grande choque inicial é a revelação de que o Homem de Amarelo é capaz de mudar de forma, assumindo a identidade de uma jovem doce e aparentemente inocente chamada Sophia, após orquestrar um acidente de carro com um pastor.
Enquanto isso, a cidade lida com o desaparecimento e a brutal confirmação da morte de Jim. Em uma reviravolta cruel, seu corpo mutilado é encontrado por seus próprios filhos em um celeiro, acompanhado de uma mensagem ameaçadora: “O conhecimento tem um preço”.
Em meio ao luto e ao caos, vemos Boyd perdendo completamente a fé e desmoronando sob o peso da liderança. Paralelamente, Julie tenta usar suas habilidades de “caminhante de histórias” (viagem no tempo) para salvar o pai, enquanto Acosta tem um surto de frustração e rouba a ambulância da cidade numa tentativa inútil de fuga.
Crítica dos episódios 1 e 2 da temporada 4 de Origem
A queda de Boyd e o peso do desespero
Um dos pontos mais altos desse início de temporada é a atuação espetacular de Harold Perrineau. Boyd sempre foi a âncora da cidade, mas agora ele está fundamentalmente quebrado. Depois de ser forçado a torturar Elgin, de ver Sara se juntar a isso, e de descobrir a terrível verdade sobre a gravidez de Fatima (que deu à luz o monstro Smiley), a mente do xerife simplesmente fraturou.
A cena em que ele descarrega as balas da arma no primeiro episódio reflete o desespero de um homem que perdeu sua fé e que já não confia nem em si mesmo para tomar decisões. Mas o grande destaque emocional é, sem dúvida, o momento em que Boyd finalmente desmorona e chora nos braços de seu filho, Ellis.
Como espectadores, é um alívio ver o roteiro reconhecer que ninguém conseguiria carregar o peso de proteger aquelas pessoas por tanto tempo sem surtar. É interessante notar, também, como a queda de Boyd abre espaço para que personagens como Donna, Kenny, Kristi e o próprio Ellis comecem a assumir a liderança, mesmo que de forma bagunçada.

O Homem de Amarelo e a crueldade sádica da cidade
Se tem algo que o episódio 2 nos ensina é que Fromville adora brincar com os sentimentos das pessoas. O próprio Harold Perrineau, ao ler o roteiro, resumiu bem o sentimento geral: “Essa cidade é desprezível”. A pegadinha macabra de pendurar um saco ensanguentado com restos de cabras na casa da família Matthews, apenas para que as crianças (Julie e Ethan) encontrassem o corpo do próprio pai pendurado e mutilado no celeiro, foi um dos momentos mais perversos de toda a série. A frase escrita na parede (“Knowledge Comes At A Cost”) serve como uma punição direta a Tabitha e Jade por terem recuperado suas memórias e investigado os segredos da cidade.
Além disso, a introdução de Sophia (o Homem de Amarelo disfarçado) é brilhante e assustadora. A atriz Julia Doyle entrega uma performance que oscila perfeitamente entre a garota inocente da igreja e uma entidade demoníaca sádica. Vê-la manipulando Kenny com lágrimas falsas e criando laços com Sara no depósito é de dar calafrios, especialmente porque sabemos que o objetivo principal dessa entidade é fazer com que os moradores se destruam sozinhos.
Viagens no tempo, frustrações e a insuportável Acosta
O lado mais sci-fi da série continua a ser explorado através de Julie. A ideia de que ela é uma “story walker” (alguém que pode viajar para momentos passados) adiciona uma camada fascinante à trama. A cena em que ela viaja de volta para a noite da van (da 2ª temporada) com a ajuda de Randall, apenas para quase ser morta por um monstro no passado e sofrer convulsões no presente, mostra que as regras da cidade se aplicam em qualquer linha do tempo.
Já a interação fantasmagórica entre o pequeno Ethan e o espírito do seu pai, Jim, que menciona o misterioso “Lago das Lágrimas” (uma referência direta à primeira temporada), é emocionante e promete expandir muito a mitologia da série.
No entanto, o episódio tem seus momentos de pura frustração, liderados pela personagem Acosta. A policial decide que é a única pessoa lúcida no local e tem um chilique homérico, roubando a ambulância para dirigir em círculos. A atitude dela é incrivelmente irritante, atingindo o ápice do absurdo quando ela se recusa a parar o veículo para ajudar o pequeno Ethan, que caminhava sozinho na estrada logo após perder o pai.
Embora seja compreensível que a cidade enlouqueça as pessoas, a arrogância de Acosta despertaa vontade de vê-la virar jantar de monstro o mais rápido possível. Outro ponto que segue frustrando é a velha mania dos personagens de descobrirem coisas vitais (como Tabitha e Jade) e decidirem guardar os segredos para si mesmos, em vez de compartilhar com o grupo.
Conclusão
Os episódios 1 e 2 entregam um início de temporada sombrio, focado no luto e nas consequências das escolhas dos personagens. Apesar do ritmo mais lento e de algumas atitudes irritantes que parecem travar a comunicação na cidade, a série ganha força ao mostrar o quão proativo e sádico o “outro lado” pode ser.
O Homem de Amarelo não está mais apenas observando; ele está jogando ativamente. Com laços se formando e quebrando, a 4ª temporada de Origem começa provando que em Fromville, a pior coisa não são os monstros que rondam a noite, mas o que eles fazem com a mente de quem sobrevive ao dia.
Onde assistir à série Origem?
Trailer da temporada 4 de Origem
Elenco de Origem, do Globoplay
- Harold Perrineau
- Catalina Sandino Moreno
- Scott Mccord
- Eion Bailey
- David Alpay
- Ricky He


















