Confira a crítica da série "Bad Boy", drama israelense de 2025 disponível para assistir no catálogo da Netflix.

‘Bad Boy’: a brutalidade do sistema e a redenção pela comédia

Foto: Netflix / Divulgação
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A série israelense “Bad Boy”, que estreou nesta sexta-feira (2) na Netflix, chega carregada de expectativas — não apenas por ser criação de Ron Leshem, o mesmo por trás de “Euphoria”, mas por já ter conquistado sete prêmios na Academia de Televisão de Israel, incluindo Melhor Drama e Melhor Roteiro.

Inspirada em fatos reais, a produção mergulha no passado sombrio de um comediante que, ainda adolescente, enfrentou os horrores de um reformatório juvenil. A proposta da série, no entanto, vai além do drama carcerário tradicional: ela mistura memória, humor e crítica social com rara sensibilidade.

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Sinopse da série Bad Boy (2025)

“Bad Boy” acompanha Dean, um adolescente de 13 anos levado a um centro de detenção juvenil sob circunstâncias inicialmente nebulosas. Lá, entre abusos físicos e psicológicos, ele encontra Zoro, um enigmático colega de cela condenado por assassinato, e com quem forma um laço de confiança. Anos depois, Dean se tornou um comediante de sucesso, mas sua nova vida é assombrada por lembranças que ele tenta transformar em piadas — como forma de sobrevivência e catarse.

A narrativa alterna entre o presente e o passado, revelando como um jovem vulnerável enfrentou um sistema punitivo cruel e como sua criatividade e capacidade de contar histórias o ajudaram a seguir em frente. A série é estrelada por Daniel Chen (também criador e roteirista), Guy Manster (Dean jovem), Havtamo Farda (Zoro) e Heli Ben-Mior (a diretora da prisão juvenil).

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Crítica de Bad Boy, da Netflix

O grande mérito de “Bad Boy” é a maneira como a série humaniza um sistema desumanizante. Em vez de transformar a prisão juvenil em pano de fundo genérico para reviravoltas dramáticas, ela escancara sua natureza brutal e suas consequências permanentes — especialmente quando os alvos são crianças.

O sofrimento de Dean é mostrado sem concessões, mas também sem exploração gratuita. Há dor, mas há também imaginação, resistência e uma tentativa desesperada de manter a dignidade.

A comédia como ferramenta de sobrevivência

Ao usar a comédia como linha narrativa paralela — e, em certa medida, como escudo psicológico —, a série evita romantizar a ideia de que “a dor gera arte”. O humor que Dean desenvolve surge não como subproduto do sofrimento, mas como alternativa ao colapso.

Em cenas onde o jovem tenta contar histórias exageradas sobre o que viveu, a direção de Hagar Ben-Asher confere um tom onírico e quase surreal, destacando o poder da narrativa pessoal como mecanismo de controle diante do caos.

Zoro e Dean: uma amizade que corta o silêncio

A relação entre Dean e Zoro, confinados no isolamento com a justificativa de “proteção”, revela-se o coração emocional da série. Seus diálogos — muitas vezes silenciosos ou contidos — comunicam mais do que palavras. Ambos encaram um futuro incerto, presos entre o que viveram e o que jamais poderão viver plenamente.

A série evita estereótipos fáceis e constrói essa amizade com delicadeza e profundidade, reconhecendo a fragilidade de dois adolescentes abandonados por todos, menos um pelo outro.

Direção afiada e atuações que ferem e curam

A atuação de Guy Manster como o Dean jovem é visceral, carregando nos olhos o peso da injustiça e da confusão. Já Daniel Chen, vivendo o Dean adulto, injeta uma camada de ironia trágica ao transformar sua dor em rotina de stand-up.

Essa dualidade entre o garoto que não entendia o mundo e o homem que tenta rir dele é o que dá força à série. A direção de Ben-Asher equilibra tensão e lirismo com maestria, permitindo que momentos de pura poesia visual coexistam com a dureza da realidade.

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Conclusão

“Bad Boy” é uma série poderosa e necessária. Mais do que apenas um retrato da juventude perdida em um sistema falido, é uma obra sobre a necessidade de contar nossa própria história — mesmo que distorcida, engraçada ou dolorosa.

A série encontra beleza em meio à ruína, riso no meio da tragédia e humanidade onde antes só havia castigo. É um drama impactante, mas que se recusa a ser apenas isso. Ao final, nos deixa com a certeza de que a comédia pode, sim, ser um ato de sobrevivência.

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Onde assistir à série Bad Boy?

A série está disponível para assistir na Netflix.

Trailer de Bad Boy (2025)

YouTube player

Elenco de Bad Boy, da Netflix

  • Daniel Chen
  • Guy Menaster
  • Havtamo Farda
  • Neta Plotnik
  • Liraz Chamami
  • Bat Hen Sabag
  • Yaniv Levy
  • Ben Sultan
  • Ishay Lalosh

Ficha técnica da série Bad Boy

  • Título original: Bad Boy
  • Criação: Ron Leshem, Daniel Chen, Hagar Ben-Asher
  • Gênero: drama
  • País: Israel
  • Temporada: 1
  • Episódios: 8
  • Classificação: 16 anos
Escrito por
Wilson Spiler

Formado em Design Gráfico, Pós-graduado em Jornalismo e especializado em Jornalismo Cultural, com passagens por grandes redações como TV Globo, Globonews, SRZD e Ultraverso.

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