Confira a crítica do filme "Betânia", drama brasileiro de 2025 disponível para assistir nas salas de cinema.

‘Betânia’ mostra belezas naturais e culturais do Maranhão, mas tem roteiro pouco trabalhado

Foto: Felipe Larozza / Salvatore Filmes
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“Até onde podemos discernir, o único propósito da existência humana é lançar uma luz nas trevas do mero ser.” A frase de Carl Jung encaixa-se em boa parte do filme “Betânia”, primeira obra em longa-metragem de Marcelo Botta a alcançar o circuito comercial.

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Sinopse do filme Betânia

Na trama, depois de perder seu marido, a parteira Betânia se muda para o povoado onde nasceu, mas jamais habitou. Empurrada pelo som ancestral do Bumba Meu Boi, pela força da família e da comunidade, Betânia tenta renascer, assim como as flores que desabrocham nos Lençóis durante a seca.

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Crítica de Betânia (2025)

Em “Betânia”, o diretor Marcelo Botta usa e abusa dos Lençóis Maranhenses, um cenário ao mesmo tempo belíssimo e perigoso, como talvez tudo que valha a pena na vida.

A fotografia, principalmente nas cenas noturnas, explora até o talo o cenário nas duas principais épocas do local. Tanto na seca, quando não há muitas lagoas, quanto na cheia, onde inexplicavelmente para leigos existe água abundante com peixes no meio do deserto. O boi-bumbá, expressão cultural da região, também marca presença constante na montagem, quase transformando em um musical.

A beleza no drama

Mas, como a sentença que abre o texto, é necessário o ser humano para apreciar tal beleza, que se destaca nos dramas do filme. A história segue a personagem-título interpretada por Diana Mattos, matriarca de uma família e recém-viúva, que ao mesmo tempo que quer viver sua vida tranquilamente precisa encarar as mudanças culturais, comportamentais e tecnológicas do mundo atual.

Há gravidade em algumas tensões familiares, o que empurra o roteiro entre uma apresentação de boi-bumbá e outra, um plano aberto dos Lençóis e outro. Porém, a quantidade de personagens e dramas acabam se amontoando no roteiro, não dando uma solução ou desenvolvimento que os potenciais dramáticos de cada história possuía.

Conflitos que vão e vem

Dessa forma, os conflitos surgem e somem muito rapidamente: a filha LGBT que precisa apaziguar as diferenças com a mãe evangélica; o pré-adolescente que pode ou não estar envolvido com criminosos; entre outros plots abordados apenas superficialmente e que por si dariam um bom filme.

A protagonista precisa lidar com essas e outras situações no decorrer do longa, às vezes com alguma agência, às vezes só observando ou guardando para si a dor. Quase sempre com um sorriso doce para enfrentar as agruras da vida, Betânia, a personagem, mostra-se de forma similar ao desenrolar do filme: mais observa do que age.

Talvez por saber que em pouco tempo as dunas irão mudar de lugar, e a configuração da vida, e da paisagem, será totalmente diferente, e caso não se tome cuidado ao andar pelo tempo podemos nos perder.

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Conclusão

Por fim, o potencial dramático de “Betânia” está lá, mas parece ser meio deixado de lado na montagem pela vontade de mostrar as belezas naturais e culturais da área. Dessa forma, em muitas vezes, o filme aproxima-se perigosamente mais de propaganda do que de cinema, mas pelo menos nunca cruza a linha.

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Onde assistir ao filme Betânia

O filme está disponível para assistir nos cinemas.

Trailer de Betânia (2025)

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Elenco do filme Betânia

  • Diana Mattos
  • Nádia D’Cássia
  • Caçula Rodrigues
  • Ulysses Azevedo
  • Michelle Cabral
  • Rosa Ewerton Jara
  • Enme Paixão
  • Vitão Santiago
  • Mestre Tião Carvalho

Ficha técnica de Betânia (2025)

  • Direção: Marcelo Botta
  • Roteiro: Marcelo Botta
  • Gênero: drama
  • País: Brasil
  • Duração: 123 minutos
  • Classificação: 12 anos
Escrito por
Marcelo Fernandes

Jornalista, músico diletante, produtor cultural e fã de guitarras distorcidas e bandas obscuras.

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