Alice Englert com a roupa de astronauta em cena da série Cidade das Estrelas do Apple TV de 2026

‘Cidade das Estrelas’, um thriller tenso que parece o novo Chernobyl

Foto: Apple TV / Divulgação
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Se você achava que a corrida espacial de For All Mankind já tinha nos mostrado todas as suas cartas, prepare-se para olhar para o outro lado da moeda. Cidade das Estrelas (Star City), a nova série do Apple TV criada por Ronald D. Moore, Matt Wolpert e Ben Nedivi, nos leva direto para trás da Cortina de Ferro.

Ao invés de acompanharmos o desespero americano tentando alcançar os soviéticos, agora vemos como a União Soviética lidou com a vitória de ter chegado à Lua primeiro. E se você acha que foi só festa e vodka, está muito enganado.

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Sinopse dos Episódios 1 e 2

A trama começa exatamente no ponto de virada de 1969: o cosmonauta Alexei Leonov pisa na Lua e garante a vitória soviética na primeira fase da corrida espacial. Esse feito imortaliza o programa, mas o Chief Designer (Rhys Ifans), a mente brilhante por trás da engenharia russa, já está de olho em Marte e Vênus. O problema? O governo quer focar em uma base lunar e descobre que há um espião vazando projetos para os americanos.

Enquanto isso, a corrida agora é para colocar a primeira mulher na Lua. A favorita e mais talentosa do grupo, Yana Akhmatova (Niamh Algar), acaba sendo ejetada do programa e morta pela KGB após descobrirem que seu irmão escrevia para uma revista underground. Quem assume seu lugar é a novata e “fantoche do Estado”, Anastasia Belikova (Alice Englert). No espaço, Anastasia quase morre por uma falha no traje, mas consegue pousar na Lua, onde improvisa seu discurso e, num ato de rebeldia, cita o nome de Yana.

Em paralelo, acompanhamos o submundo da vigilância através de Irina Morozova (Agnes O’Casey). No primeiro episódio, ela é apenas uma jovem ambiciosa grampeando os apartamentos dos cosmonautas.

Já no segundo episódio, após Anastasia retornar da Lua (e sobreviver a um encontro com um urso na aterrissagem!), Irina é levada pela temida coronel da KGB, Lyudmilla Raskova (Anna Maxwell Martin), para uma viagem a Paris e acaba se envolvendo em torturas brutais de prisioneiros para arrancar informações. Ao mesmo tempo, o Chief Designer recruta o jovem engenheiro Sergei Nikulov (Josef Davies) para trabalhar secretamente em um projeto para Vênus pelas costas do Estado.

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Crítica dos episódios 1 e 2 de Cidade das Estrelas, do Apple TV

Mais espionagem, menos espaço

Se For All Mankind sempre carregou um tom otimista sobre a exploração humana, Cidade das Estrelas escolhe um caminho bem mais sombrio e claustrofóbico. A série tem uma vibe que lembra muito Chernobyl: corredores escuros, cinzentos, prédios brutalistas e uma paranoia constante de que todo mundo está sendo vigiado.

Isso é excelente para quem curte um bom thriller político e de espionagem, mas pode frustrar um pouco quem veio esperando apenas drama espacial. A política do Kremlin e a burocracia ditatorial muitas vezes engolem as missões espaciais, fazendo com que a viagem à Lua pareça quase uma missão secundária perto da tensão de não ser mandado para um gulag. O foco aqui é muito mais no controle estatal, no medo e na falta de confiança entre os próprios russos.

Agnes O’Casey em cena da série Cidade das Estrelas do Apple TV
Foto: Apple TV / Divulgação

Polêmica dos sotaques

Existe um elefante na sala que precisa ser comentado: a escolha de elenco e seus sotaques. Em vez de escalar atores russos ou forçar um sotaque carregado, a direção optou por um elenco quase todo britânico e irlandês, falando com seus sotaques nativos.

É uma decisão no mínimo curiosa. Ver personagens com nomes como Valya ou Sasha falando como se estivessem tomando chá em Londres em meio a cenários cheios de letreiros em cirílico causa uma certa dissonância cognitiva no começo. Alguns podem achar que isso tira um pouco da imersão opressiva que a série constrói tão bem. Porém, com o passar das horas, a estranheza diminui e o talento dos atores acaba falando mais alto, tornando a dinâmica mais natural e palatável.

Atuações que seguram a órbita

O grande destaque desse início de temporada atende pelo nome de Anna Maxwell Martin. A sua interpretação como Lyudmilla, a “Bruxa da Noite” e chefe de vigilância da KGB, é absolutamente aterrorizante. Ela domina a tela com uma postura fria de quem mataria qualquer um pela glória do Estado.

A evolução de Irina, vivida por Agnes O’Casey, também é um ponto altíssimo. Vê-la ir de uma funcionária inocente que sente empatia pelos cosmonautas que vigia, para alguém que joga água fervendo no rosto de um prisioneiro para agradar sua superior, é assustador e fascinante. O Chief Designer de Rhys Ifans traz o peso emocional necessário para a equipe de engenharia, servindo como a fagulha de sonho e resistência dentro de um sistema tão rígido.

A série Cidade das Estrelas é boa?

Os episódios 1 e 2 de Cidade das Estrelas provam que a série não é apenas um “caça-níquel” da franquia. Ela se sustenta perfeitamente com as próprias pernas, oferecendo uma visão incrivelmente tensa de uma realidade alternativa dominada pela vigilância estatal.

Embora peque um pouco ao focar tanto nos gabinetes e menos nas estrelas (além de ter uma quantidade gigantesca de personagens para decorar logo de cara), a série entrega um suspense de alto nível. Se você superar o sotaque britânico na Mãe Rússia, vai encontrar um drama histórico de primeira linha.

Onde assistir à série Cidade das Estrelas

  • Apple TV

Trailer de Cidade das Estrelas (2026)

YouTube player

Elenco de Cidade das Estrelas, do Apple TV

  • Rhys Ifans
  • Anna Maxwell Martin
  • Agnes O’Casey
  • Ruby Ashbourne Serkis
  • Alice Englert
  • Solly McLeod
  • Adam Nagaitis
  • Josef Davies
Escrito por
Wilson Spiler

Formado em Design Gráfico, Pós-graduado em Jornalismo e especializado em Jornalismo Cultural, com passagens por grandes redações como TV Globo, Globonews, SRZD e Ultraverso.

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