2073 final explicado do filme da HBO Max 2024 - Flixlândia

Crítica | ‘2073’: quando o futuro vira documentário e o presente pede desculpa

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Mais um “filme do fim do mundo”? Mais uma distopia com cara de alerta que a gente assiste no sofá enquanto checa o celular, provavelmente vendo notícias que já parecem parte do roteiro? Pois é. A primeira reação a “2073” pode ser esse leve cansaço existencial embalado em streaming.

Mas o problema, ou mérito, aqui é outro: o filme não quer te entreter antes de te incomodar. Ele quer encurtar a distância entre ficção e manchete. E faz isso com uma certa falta de paciência que, curiosamente, funciona.

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Contextualização da obra

Dirigido por Asif Kapadia, conhecido por documentários como Amy e Senna, “2073” nasce como uma obra híbrida: metade ficção científica distópica, metade ensaio documental. Não é adaptação, não é sequência, e definitivamente não tenta seguir fórmulas clássicas de sci-fi.

O filme surge num momento em que o próprio gênero distópico já começa a dar sinais de desgaste, talvez porque a realidade tenha passado a competir com ele em termos de absurdo. Kapadia, então, toma um caminho mais arriscado: em vez de inventar um futuro mirabolante, ele costura esse futuro com imagens e eventos do presente.

O resultado? Um filme que parece menos preocupado em prever e mais interessado em acusar.

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Sinopse

A narrativa acompanha uma mulher conhecida como Ghost, interpretada por Samantha Morton, vivendo em um mundo devastado no ano de 2073. Em meio a vigilância extrema, colapso ambiental e estruturas autoritárias, ela sobrevive escondida, tentando manter algum resquício de humanidade.

Intercalando essa ficção, o filme incorpora imagens documentais e registros reais que ajudam a construir, ou denunciar, o caminho até esse futuro.

Não se trata de “o que aconteceu”, mas de “o que está acontecendo”.

2073 final explicado do filme 2024 HBO Max - Flixlândia
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Crítica do filme 2073

Entre o que é encenado e o que já é real

A principal força de “2073” está no desconforto que ele cria ao borrar a linha entre ficção e realidade. Não há transição suave, é quase um choque. A narrativa não te conduz, ela te empurra. E nesse empurrão, o espectador começa a perceber que talvez o elemento mais fictício ali seja apenas o ano no título.

Distopia sem glamour

Diferente de boa parte da ficção científica contemporânea, aqui não há estética sedutora do caos. O mundo de “2073” é feio, sujo e funcionalmente opressor. Não há heroísmo épico, nem rebeliões estilizadas. Só sobrevivência.

Essa escolha desmonta uma certa romantização da distopia, aquela ideia de que o colapso sempre vem acompanhado de protagonistas carismáticos e trilhas sonoras marcantes. Aqui, o silêncio pesa mais.

Samantha Morton: presença que incomoda

Morton entrega uma atuação contida, quase espectral, o que faz total sentido para alguém chamado Ghost. Conhecida mundialmente por interpretar Alpha, a líder dos Sussurradores em The Walking Dead, personagem que marcou as temporadas 9 (2018–2019) e 10 (2019–2020), a atriz aqui abandona qualquer traço de teatralidade explícita para mergulhar em algo mais silencioso e perturbador.

Não há grandes discursos, nem explosões emocionais. Sua força está no olhar cansado, no corpo retraído, na sensação de alguém que já entendeu o mundo, e não gostou da resposta.

Política sem discurso direto, mas nem tanto

Kapadia não faz questão de esconder o subtexto, na verdade, ele quase abandona o “sub”. Vigilância, desigualdade, crise climática, concentração de poder, tudo está ali, mas sem a embalagem didática de um documentário tradicional.

O filme não aponta soluções. E talvez essa seja sua escolha mais honesta. Em vez disso, ele sugere que o problema já foi identificado faz tempo, o que falta não é diagnóstico, é disposição.

Ritmo irregular, impacto consistente

Nem tudo funciona com a mesma força. A costura entre documental e ficção, em alguns momentos, soa mais conceitual do que orgânica. Mas, curiosamente, isso não enfraquece o filme, só reforça sua natureza híbrida, quase experimental.

Conclusão: 2073 é bom?

“2073” não é exatamente um filme sobre o futuro, é um filme sobre a recusa do presente em se reconhecer. Ao apostar nessa mistura de linguagem e ao evitar o conforto narrativo, Kapadia entrega uma obra que não pede para ser “gostada”, mas para ser absorvida.

Num cenário em que o entretenimento muitas vezes funciona como anestesia, “2073” faz o oposto: cutuca, incomoda e deixa uma pergunta meio indigesta no ar. Até que ponto isso aqui ainda é ficção?

E talvez essa seja sua maior qualidade.

Onde assistir ao documentário 2073?

Trailer do filme 2073, da HBO Max

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Escrito por
Guará

Guaraci Beltrão Idiart transita entre a gestão e a imaginação. Formado em Processos Gerenciais e Gestão Comercial, com pós-graduação em Comunicação e Marketing em Mídias Digitais, com o TCC nos créditos finais, e outra especialização em Gestão de Projetos em andamento, encontrou no cinema sua grande paixão. Cinéfilo por herança de seu saudoso pai, mergulhou de vez no Cinema Fantástico, Terror, Ficção Científica, Suspense, Mistério e Ação, e hoje comanda o perfil Assiste QUEM QUER no Instagram, reunindo mais de 20 mil seguidores.

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