A segunda temporada de Demolidor: Renascido chegou ao final e, contrariando a tendência de muitas produções de super-heróis, o grande clímax não envolveu um raio de luz no céu ou um festival de CGI. O showrunner Dario Scardapane tomou uma decisão corajosa ao levar o acerto de contas entre Matt Murdock e Wilson Fisk para onde a série sempre teve seus melhores momentos: o tribunal.
O oitavo e último episódio, intitulado “Cruzeiro do Sul”, entrega uma conclusão emocional e frenética que, mesmo com alguns tropeços lógicos, muda para sempre as regras do jogo e redefine a vida do Diabo da Cozinha do Inferno.
Sinopse
O episódio foca no julgamento de Karen Page, com Matt Murdock assumindo a sua defesa ao lado de Kirsten McDuffie. Sentindo que o sistema está corrompido e nas mãos de Fisk, Matt faz uma jogada de mestre: convoca o próprio prefeito para depor. Durante o intenso interrogatório, Murdock percebe que está perdendo a narrativa e joga sua cartada final revelando para toda a cidade que ele é o Demolidor, ganhando assim a credibilidade necessária como testemunha ocular dos crimes do Rei do Crime no cargueiro Northern Star.
Com Karen liberta, o caos explode. O Mercenário tenta assassinar Fisk da rua, acertando o capanga Buck Cashman no processo. Acuado, Fisk se atranca no tribunal e inflama a população, mas a jornalista BB Urich divulga um vídeo convocando a cidade a se voltar contra o prefeito tirano.
O prédio é invadido e Fisk tem um ataque de fúria, massacrando manifestantes até ser impedido pelo próprio Demolidor. Matt convence o inimigo a aceitar um acordo de exílio oferecido pelo governo. No fim, Matt e Karen tentam ter um jantar de paz no restaurante Panna II, mas Murdock acaba preso por seus anos de crimes como vigilante.
Crítica do episódio 8, final da temporada 2 de Demolidor: Renascido
O tribunal como campo de batalha
A verdadeira força desse episódio está na química explosiva entre Charlie Cox e Vincent D’Onofrio. Colocar esses dois para duelar através de argumentos jurídicos em vez de socos foi uma sacada brilhante. Fisk tenta manter a pose de controle, enquanto Matt, movido pela culpa e pelo senso de justiça, decide implodir a própria vida para salvar os amigos.
A confissão de Murdock é o ponto alto do episódio, mas a execução cobra um certo preço da suspensão de descrença. O fato de ele se assumir como um fora da lei procurado, lançar uma arma letal (seu bastão) nas paredes do tribunal e ainda assim não ser detido na mesma hora esbarra na falta de realismo que a série costuma prezar.

O caos em Nova York e o descontrole de Fisk
Quando o julgamento desmorona e a ação toma conta, a série não decepciona visualmente. A sequência de Fisk perdendo completamente a cabeça e destruindo manifestantes nos corredores é assustadora e impactante. É impossível não lembrar da agressividade do Fanático nos quadrinhos dos X-Men ou daquela famosa cena do Darth Vader em Rogue One. D’Onofrio mostra o lado mais puro e animalesco do Rei do Crime ali.
No entanto, o roteiro escorrega feio na lógica logo em seguida. Como é que Fisk mata pessoas a sangue frio na frente de uma multidão e a grande punição oferecida pelo Estado é um “acordo de exílio”? Além disso, a mudança de lado de alguns personagens, como o oficial Cole North, e a forma conveniente como o motim se resolve nas escadarias soam apressadas, enfraquecendo o peso político que a temporada tentou construir.
Participações especiais e pontas soltas
Para compensar qualquer escorregão narrativo, o episódio injeta uma dose altíssima de adrenalina com a participação de outros heróis. Ver o Demolidor lutando ao lado de Jessica Jones e da nova Tigresa Branca (Angela del Toro) é um prato cheio para os fãs.
E os minutos finais preparam o terreno para uma terceira temporada bombástica: a aliança bizarra do Mercenário com o Sr. Charles, a transformação surpreendente de Heather Glenn na vilã Muse, e o retorno de Luke Cage direto para o escritório da Alias Investigations. Pode ter sido fã service puro que engoliu um pouco do tempo da trama principal? Sim. Mas é inegável que a série soube organizar muito bem o tabuleiro para o que vem pela frente.
Conclusão
“Cruzeiro do Sul” é um episódio final que assume riscos enormes. Apesar de algumas conveniências de roteiro e buracos lógicos na forma como a política da cidade funciona, a carga dramática e a ação compensam as falhas.
Ao encerrar o longo arco do “Prefeito Fisk” de forma satisfatória e mandar Matt Murdock direto para a cadeia, Demolidor: Renascido prova que encontrou sua verdadeira identidade. É um final digno, maduro e que deixa o espectador ansioso para ver como o Diabo de Hell’s Kitchen vai sair desse buraco na próxima temporada.
Trailer da 2ª temporada de Demolidor: Renascido
Elenco da temporada 2 de Demolidor: Renascido
- Charlie Cox
- Vincent D’Onofrio
- Deborah Ann Woll
- Margarita Levieva
- Ayelet Zurer
- Wilson Bethel
















