Boulevard filme de 2026 do Prime Video

‘Boulevard’ joga no seguro do romance ‘sofrência’

Foto: Divulgação
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Se você foi uma daquelas pessoas que passou horas lendo fanfics e romances intensos na internet, com certeza já ouviu falar de Boulevard. Nascida no Wattpad e escrita por Flor M. Salvador, a história arrastou uma legião de fãs ao redor do mundo com sua premissa de um amor jovem, quebrado e intenso.

Agora, em 2026, a adaptação chega ao Prime Video sob a direção de Sonia Méndez, trazendo a promessa de arrancar lágrimas do público. Mas será que a magia e o peso dramático das páginas sobreviveram à transição para a tela grande? A resposta é um tanto agridoce.

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Sinopse

A trama nos apresenta Hasley Weigel (Eve Ryan), uma garota tranquila e cheia de sonhos que acaba de se mudar de cidade com a mãe. Logo no seu primeiro dia na nova escola, ela cruza o caminho de Luke Howland (Mikel Niso), o clássico bad boy de jaqueta de couro, cigarro na boca e um passado sombrio que ele tenta esconder. Enquanto Hasley engata um flerte com Matt, o garoto “perfeito” e capitão do time de basquete, ela sente uma atração inexplicável pela escuridão de Luke.

Marcado por uma tragédia familiar terrível envolvendo a morte do seu irmão, Luke leva Hasley para seu refúgio secreto: o “boulevard dos sonhos partidos”. A partir daí, os dois desenvolvem uma conexão profunda, tentando curar as feridas um do outro, mesmo que isso acabe os levando por um caminho caótico e perigoso.

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Crítica do filme Boulevard (2026)

A estética e a trilha sonora abraçam a nostalgia

Se tem uma coisa que Boulevard faz muito bem é construir uma atmosfera. A direção de Sonia Méndez aposta forte na estética visual, brincando com tons mais frios e melancólicos que dão o tom exato da confusão adolescente.

Mas o verdadeiro trunfo do filme é, sem dúvidas, a sua trilha sonora. A música não é apenas um enfeite, mas um fio condutor para o relacionamento de Hasley e Luke. Ter os direitos para usar o hino Boulevard of Broken Dreams da banda Green Day foi uma jogada de mestre que dá todo o sentido ao título. Além disso, a playlist do longa mescla desde sucessos do rock alternativo, como Oasis (“Wonderwall”) e The Fray (“You Found Me”), até a música contemporânea espanhola com Mafalda Cardenal (“Suenan como tú”). Para os fãs de música, essas escolhas salvam boa parte do longa.

filme Boulevard de 2026 do Prime Video
Foto: Divulgação

O perigo da romantização do caos

Aqui entramos no ponto mais polêmico do filme. Assim como muitos sucessos focados no público jovem, Boulevard cai na armadilha da “síndrome de salvadora”. A narrativa gasta muito tempo romantizando comportamentos difíceis e relações tóxicas. Luke é um garoto que precisa urgentemente de terapia e reabilitação, não apenas do amor de uma garota ingênua.

O roteiro, por tentar ser muito fiel à intensidade do livro, acaba deixando passar mensagens um pouco questionáveis sobre dependência emocional, onde atitudes impensadas e picos de agressividade são justificados como “paixão” ou “dor”. Falta um pouco mais de responsabilidade no trato da saúde mental, algo que a telona costuma expor com mais crueza do que as páginas de um livro.

Química do elenco e atuações

Apesar dos diálogos muitas vezes artificiais e forçados — que parecem recortes engessados da internet —, o elenco principal segura muito bem a barra. Mikel Niso é, indiscutivelmente, a grande surpresa do longa. Ele consegue entregar a vulnerabilidade de Luke sem parecer apenas uma caricatura de bad boy.

A química dele com Eve Ryan é palpável e genuína. Você realmente acredita que esses dois adolescentes desajustados encontraram conforto um no outro. Vale destacar também a presença de veteranos como Luis Zahera e Esther Acebo, que mesmo com pouco tempo de tela, trazem uma bagagem dramática de peso e estabilizam a história.

Roteiro corre contra o próprio tempo

O grande defeito da adaptação é o ritmo. Tudo acontece rápido demais. Para quem não leu o material original, fica difícil engolir como a relação dos protagonistas evolui de zero a cem em questão de minutos. Hasley é apresentada de forma tão superficial na sua vida pessoal que mal conseguimos entender o que se passa na sua cabeça, além da sua fixação por Luke e por desenhar. O triângulo amoroso com Matt soa apressado e previsível, seguindo à risca a fórmula do gênero sem tentar inovar.

Boulevard é um bom filme?

Boulevard (2026) não é uma obra-prima do cinema e passa longe de tentar ser. É um filme que joga seguro, surfando na onda do melodrama adolescente clássico que conquistou os anos 2000 e 2010. Com um roteiro engessado e uma tendência problemática a romantizar dores profundas, ele pode frustrar quem busca uma narrativa mais madura ou profunda.

No entanto, se você é do time que ama um romance “sofrência”, embalado por uma fotografia bonita, atores carismáticos e uma trilha sonora espetacular, a experiência é válida. É aquele típico filme para assistir debaixo das cobertas, com uma caixa de lenços do lado, preparado para deixar a lógica na porta e abraçar a emoção.

Onde assistir ao filme Boulevard?

Trailer de Boulevard (2026)

YouTube player

Elenco do filme Boulevard

  • Eve Ryan (Hasley)
  • Mikel Niso (Luke)
  • Biel Antón
  • Luis Zahera
  • Esther Acebo

Ficha técnica

  • Título original: Boulevard
  • Direção: Sonia Méndez
  • Roteiro: Javier Ruescas (baseado no livro de Flor M. Salvador)
  • Gênero: Romance / Drama
  • Duração: 113 minutos
Escrito por
Taynna Gripp

Formada em Letras e pós-graduada em Roteiro, tem na paixão pela escrita sua essência e trabalha isso falando sobre Literatura, Cinema e Esportes. Atual CEO do Flixlândia e redatora do site Ultraverso.

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