Histórico Criminal 2 temporada episódio 1 crítica da série da Apple TV - Flixlândia (1)

Crítica | O retorno sombrio de ‘Histórico Criminal’: extremismo e segredos no coração de Londres

Foto: Apple TV / Divulgação
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Mais de dois anos após o seu elogiado lançamento, a série britânica Histórico Criminal (Criminal Record) retorna à Apple TV prometendo elevar as apostas de seu drama investigativo. Se a primeira temporada firmou-se como um estudo psicológico tenso sobre corrupção policial interna, os novos episódios expandem a escala para um suspense político urgente e contemporâneo.

Estreando com uma rara aprovação de 100% no Rotten Tomatoes, o retorno criado por Paul Rutman abandona as sombras dos arquivos antigos e joga os detetives Daniel Hegarty (Peter Capaldi) e June Lenker (Cush Jumbo) no epicentro de uma crise de segurança nacional, onde extremismo de direita e falhas institucionais colidem em tempo real.

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Sinopse

O episódio “É Ele?” abre com o assassinato de Rohaan, um adolescente de 15 anos, esfaqueado fatalmente quando radicais de extrema-direita invadem um protesto contra o imperialismo ocidental na Suffolk Square, em Londres. A detetive June Lenker, presente no local, tenta salvar o garoto em vão, carregando uma imensa culpa por não ter evitado a tragédia. Em meio ao caos, June reconhece o rosto de um dos mascarados: Billy Fielding, um homem que deveria estar cumprindo uma pena de 17 anos pelo assassinato de sua namorada, anos antes.

A busca de June por respostas a leva a descobrir que Billy desapareceu do sistema prisional. É nesse momento que seu antigo adversário, DCI Daniel Hegarty, ressurge. Agora atuando na Inteligência, Hegarty revela que Billy fugiu da prisão debaixo de um caminhão de comida e que o caso está sendo abafado pela polícia para evitar um desastre de relações públicas. Hegarty propõe uma nova e desconfortável aliança: se June o ajudar a capturar o fugitivo silenciosamente, ele permitirá que ela interrogue Billy sobre a morte de Rohaan.

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Crítica do episódio 1 da temporada 2 de Histórico Criminal

O caos urbano e a falha institucional

A direção da estreia é impecável ao capturar a desorientação e a paralisia do policiamento moderno. A sequência de abertura é, sem dúvida, um dos momentos mais sufocantes e bem executados da série. Acompanhamos a sala de controle da polícia recebendo traduções simultâneas de discursos em árabe no protesto, debatendo friamente se as palavras cruzam o limite legal entre liberdade de expressão e incitação à violência, enquanto, do lado de fora, a verdadeira ameaça avança fisicamente contra as barricadas.

A morte de Rohaan não é tratada apenas como um gatilho narrativo vazio. O episódio faz questão de humanizar a vítima, mostrando que ele mal compreendia o peso político do evento e estava lá apenas com amigos. Isso ressalta uma verdade cruel que a série entende muito bem: nas guerras ideológicas, os mais vulneráveis são sempre os que pagam o preço mais alto. O roteiro acerta em cheio ao retratar a falha da polícia não como a ação de um supervilão, mas como o colapso de uma burocracia ineficiente.

Histórico Criminal temporada 2 episódio 1 crítica da série da Apple TV - Flixlândia (1)
Foto: Apple TV / Divulgação

A evolução da dinâmica Lenker-Hegarty

O coração pulsante de Histórico Criminal continua sendo o embate magnético entre seus protagonistas. Cush Jumbo entrega uma atuação contida, mas profundamente carregada de luto e frustração. Sua June Lenker está com a vida pessoal desmoronando — o relacionamento com o parceiro Leo está em frangalhos e seu filho deseja morar com o pai — o que torna sua obsessão por justiça ainda mais desesperada.

Por outro lado, Peter Capaldi continua roubando a cena com sua habitual postura ameaçadora. Rebaixado (ou realocado) para a Inteligência, Hegarty parece operar de uma posição teoricamente mais fraca, mas Capaldi mantém um controle silencioso que o torna tão perigoso quanto antes. As interações entre os dois não são de inimizade aberta, mas de uma manipulação sutil; Hegarty sabe exatamente como usar a sede de justiça de June para puxá-la para o seu jogo moralmente questionável.

A ameaça da extrema-direita e o risco narrativo

A adição de Dustin Demri-Burns como Cosmo Thompson injeta uma energia assustadoramente atual à série. Cosmo é um influenciador e agitador neofascista que transmite suas ideologias tóxicas através de livestreams, mascarando o ódio sob o pretexto de ser apenas um “artista”. Essa abordagem sobre como a radicalização ganha força nas redes sociais e afeta os jovens eleva a trama e a afasta de um drama policial comum.

Contudo, há um leve deslize estrutural. À medida que o episódio avança e o foco se volta cada vez mais para o jogo de gato e rato com os supremacistas brancos e o fugitivo Billy, o luto da família de Rohaan vai sendo deixado em segundo plano. Ironicamente, ao concentrar seus esforços na caçada maior imposta por Hegarty, a narrativa corre o risco de cometer o mesmo erro institucional que critica: negligenciar as vítimas marginalizadas em prol de um objetivo “maior”.

Um final que subverte expectativas

O desfecho do episódio é brilhante ao virar nossas certezas de cabeça para baixo. Quando Billy foge após visitar Ashley (a mãe em luto de sua suposta vítima) e é encurralado perto de um canal, um dos policiais de Hegarty escorrega e cai inconsciente na água. Em vez de aproveitar a chance clara de escapar, Billy — o suposto assassino implacável — mergulha para salvar a vida do oficial. Essa atitude instintiva destrói a versão arrumadinha que a polícia montou sobre ele e planta uma dúvida genuína sobre sua condenação no passado.

Para coroar a reviravolta, no momento em que Hegarty finalmente se aproxima de Billy, o fugitivo se refere a ele pelo primeiro nome, “Dan”. Essa intimidade escancara que há um segredo muito mais obscuro em jogo. A implicação de que Hegarty possa ter orquestrado a fuga de Billy para usá-lo como infiltrado na célula de Cosmo Thompson muda completamente a temperatura da série.

Conclusão

O primeiro episódio da segunda temporada de Histórico Criminal é um retorno tenso, caótico e imperdoável. Em vez de se acomodar no sucesso de seu formato original, a série de Paul Rutman arrisca ao explorar as fraturas expostas da sociedade londrina e o limite tênue entre proteger o público e incitar o pânico.

Ancorada por atuações formidáveis de Capaldi e Jumbo, a produção prova que ainda tem muito fôlego, prometendo uma investigação onde a verdade nunca será um conceito simples, mas sim uma ferramenta a ser manipulada por quem detém o poder.

Onde assistir à série Histórico Criminal?

Trailer da temporada 2 de Histórico Criminal

Elenco de Histórico Criminal, da Apple TV

  • Cush Jumbo
  • Peter Capaldi
  • Shaun Dooley
  • Aysha Kala
  • Stephen Campbell Moore
  • Charlie Creed-Miles
  • Jordan A. Nash
Escrito por
Juliana Cunha

Editora na ESPN Brasil e fã de cultura pop, Juliana se classifica como uma nerd saudosa dos grandes feitos da Marvel.

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