Leviticus filme de terror de 2026

Como o filme “Leviticus” transforma a terapia de conversão em um pesadelo sobrenatural — e onde assistir no Brasil

Foto: Divulgação
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O gênero do terror sempre se alimentou dos medos mais profundos da humanidade para criar suas metáforas. Algumas vezes o monstro habita um porão escuro, outras ele vem do espaço. Mas em “Leviticus”(“Levítico”, na tradução para o português), a nova sensação do terror sobrenatural australiano de 2026, a ameaça mais devastadora surge da própria pessoa que você mais ama.

Dirigido e escrito pelo estreante Adrian Chiarella, o longa-metragem estreou na prestigiada seção Midnight do Festival de Sundance de 2026, onde foi rapidamente adquirido pela badalada distribuidora Neon. Com impressionantes marcas de aprovação crítica na casa dos 93% a 95% no Rotten Tomatoes, o filme já é apontado como um clássico instantâneo do “horror social”, seguindo o rastro de obras cultuadas como “Corrente do Mal” (“It Follows”) e “Fale Comigo” (“Talk to Me”).

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Quando o primeiro amor se torna uma maldição de morte

Ambientado em uma pequena, isolada e conservadora comunidade industrial no interior da Austrália, o filme acompanha os adolescentes Naim (interpretado pelo promissor Joe Bird, de “Fale Comigo”) e Ryan (vivido por Stacy Clausen). Naim é o garoto novo na cidade que tenta se adaptar à nova realidade ao lado de sua mãe solteira, Arlene (uma interpretação fria e excelente de Mia Wasikowska).

A conexão entre Naim e Ryan surge de forma tímida, traduzida inicialmente em brincadeiras físicas brutas que logo culminam em um beijo apaixonado dentro de um moinho abandonado. Sabendo do ambiente fortemente religioso e tradicionalista que os cerca, os dois decidem manter o romance sob sigilo absoluto.

No entanto, as coisas saem do controle quando Naim, movido pelo ciúme ao ver Ryan em um momento íntimo com Hunter (Jeremy Blewitt), o filho do pastor local, comete um erro terrível e revela o segredo às lideranças da igreja. Como punição e em uma tentativa desesperada de “corrigir” os garotos, os pais e a congregação submetem os jovens a uma violenta sessão de exorcismo liderada por um curandeiro espiritual, o Deliverance Healer (interpretado por Nicholas Hope).

O que os adultos não esperavam é que o ritual de conversão invocaria uma força maligna indestrutível. A partir desse momento, os garotos passam a ser perseguidos por uma entidade sobrenatural impiedosa que assume a forma física exata da pessoa que eles mais desejam.

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Quem está no elenco de “Levítico”?

O elenco principal é encabeçado pelo jovem ator Joe Bird (conhecido pelo sucesso “Fale Comigo”) no papel de Naim, e Stacy Clausen interpretando Ryan. A renomada atriz Mia Wasikowska interpreta Arlene, a mãe de Naim. O elenco também conta com Jeremy Blewitt como Hunter e Nicholas Hope como o curandeiro religioso.

Qual é o significado do nome do filme “Levítico”?

O título faz referência direta ao Livro de Levítico, o terceiro livro da Bíblia. Essa parte das escrituras sagradas contém versículos comumente utilizados por grupos religiosos ultraconservadores para condenar relações entre pessoas do mesmo sexo, como a passagem de Levítico 20:13. O filme subverte essa herança religiosa ao transformar o dogma repressivo no verdadeiro vilão sobrenatural da história.

Leviticus filme de terror de 2026
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Crítica do filme Leviticus (2026)

O horror da repressão desenhado na tela

O grande trunfo de Leviticus é a sua capacidade de não depender de sustos fáceis (jumpscares) para construir uma atmosfera de puro pavor. O medo nasce da paranoia silenciosa. As regras estabelecidas pela entidade são claras e agonizantes: ela só ataca quando a vítima está completamente sozinha, e quanto mais tempo passa, mais perfeita se torna sua capacidade de imitar os trejeitos, memórias e segredos da pessoa amada.

As atuações centrais carregam o peso emocional do longa. Joe Bird entrega uma performance visceral, transitando entre a vulnerabilidade do primeiro amor e o desespero paranoico de quem não pode mais confiar nos próprios olhos. Já Stacy Clausen oferece uma atuação magnética que lembra um jovem Heath Ledger. Ele realiza um trabalho duplo brilhante ao interpretar o carinhoso Ryan real e a sua cópia demoníaca e sádica que caça Naim.

A fotografia fria e desbotada de Tyson Perkins realça o cenário de isolamento da pequena cidade australiana, onde as densas fumaças das fábricas vizinhas se chocam com a paisagem natural. O filme funciona como uma metáfora pungente e dolorosa sobre os traumas profundos causados pelas terapias de conversão sexual e pela homofobia estrutural.

Apesar do ritmo arrastado que pode incomodar os fãs de terror mais frenético e de algumas metáforas que soam um tanto literais (como a insistente presença de sapos dissecados, que na tradição bíblica representam a impureza), o longa mantém uma tensão asfixiante do início ao fim.

“Não queríamos explicar demais”: diretor detalha os bastidores e os símbolos do filme

Em entrevistas concedidas durante a passagem do filme por festivais internacionais, o diretor e roteirista Adrian Chiarella trouxe luz a alguns dos detalhes e mistérios mais discutidos da produção.

Ao ser questionado sobre a violenta cena de arremesso de pedras entre os personagens Ryan e Hunter, que serve como um prelúdio ao terror, Chiarella revelou que a passagem faz alusão direta à prática de apedrejamento descrita no livro bíblico do Levítico:

“Originalmente, tínhamos um monólogo de Hunter que acabou sendo cortado, onde ele explicava que eles costumavam atirar coisas pequenas um no outro quando eram mais jovens. Quando esses sentimentos começaram a aflorar, eles jogavam canetas, sapatos e coisas do tipo, até que isso gradualmente se desenvolveu para o ponto em que estavam atirando pedras. Mas sentimos que não precisávamos explicar demais isso; a expressão física do ato já era forte o suficiente por si só.”

Sobre a escolha estética das locações e as paisagens melancólicas da Austrália, o cineasta explicou a colisão temática que buscava alcançar:

“O diretor de fotografia, a designer de produção e eu tínhamos uma estética muito específica em mente. Ela era impulsionada por essa ideia de um choque entre a humanidade e a natureza — estruturas industriais desgastadas contra a vegetação nativa. Isso tinha a ver com o tema principal de discutir o que há nesses textos antigos: eles vêm do universo ou são apenas regras que impomos uns aos outros?”

Chiarella também comentou sobre a trágica vulnerabilidade de Hunter, o filho do pastor que acaba sendo a primeira vítima fatal da entidade:

“Eu precisei entender quem seria o mais vulnerável ao que esse monstro de filme de terror representa. Pensei que teria de ser Hunter (…), que expressa seu desejo e seus sentimentos por meio da violência. Portanto, o monstro seria totalmente capaz de atacá-lo: quando a criatura viesse atrás dele, ele estaria com as defesas completamente baixas.”

Final Explicado de “Leviticus“: o amor prevalece na dor? (ALERTA DE SPOILERS)

O clímax do filme se desenvolve no moinho abandonado onde o romance começou. Naim descobre que o fogo é a única fraqueza temporária da criatura, usando uma chama para encurralar e queimar a versão demoníaca de Ryan. No entanto, a vitória é amarga. No dia seguinte, ao confrontar sua mãe sobre o sofrimento que ela causou, Arlene dispara a frase mais terrível de todo o filme, expondo a frieza do dogma:

“Nós precisamos de medo, Naim. É como sobrevivemos.”

Ela revela que sabia que as consequências do ritual seriam irreversíveis, mas preferia ver o próprio filho amaldiçoado e vivendo sob o terror constante do que aceitar a sua homossexualidade.

Nos momentos finais, Naim abandona sua casa e encontra o verdadeiro Ryan na rodoviária. Eles entram em um ônibus e fogem juntos da cidade. Enquanto compartilham fones de ouvido ao som da melancólica canção “Self Control”, do cantor Frank Ocean, Naim olha pela janela e enxerga a cópia demoníaca de Ryan parada no campo, observando o veículo se afastar.

A mensagem é agridoce e dolorosamente clara: o monstro (que representa a vergonha, a culpa e o preconceito social) nunca deixará de persegui-los. Contudo, ao escolherem fugir juntos, os dois decidem que viver um amor autêntico vale o risco de enfrentar o demônio lado a lado.

Onde assistir ao filme “Leviticus” no Brasil?

Atualmente, “Levítico” não tem uma data de estreia confirmada nos cinemas brasileiros. No entanto, o longa-metragem foi lançado no mercado digital internacional em 21 de julho de 2026.

Quando vão lançar o filme “Leviticus” no Brasil?

A expectativa é que o filme chegue muito em breve para aluguel e compra digital no Brasil através de plataformas populares como Prime Video, Apple TV (iTunes) e Google TV. Entretanto, ainda não há data oficial.

Ficha Técnica de “Levítico” (2026)

  • Título Original: Leviticus
  • Direção e Roteiro: Adrian Chiarella
  • Elenco Principal: Joe Bird (Naim), Stacy Clausen (Ryan), Mia Wasikowska (Arlene), Jeremy Blewitt (Hunter), Nicholas Hope (Deliverance Healer)
  • Direção de Fotografia: Tyson Perkins
  • Edição: Nick Fenton
  • Trilha Sonora Original: Jed Kurzel
  • Produção: Causeway Films e Salmira Productions (Austrália)
  • Produtores: Samantha Jennings, Kristina Ceyton, Hannah Ngo
  • Distribuição Internacional: Neon
  • Duração: 88 minutos
  • Classificação Indicativa: R (Indicado para maiores de 16/18 anos)
Escrito por
Juliana Cunha

Editora na ESPN Brasil e fã de cultura pop, Juliana se classifica como uma nerd saudosa dos grandes feitos da Marvel.

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