Sabe aquele tipo de documentário criminal que te deixa com um gosto amargo na boca e te faz questionar a sanidade humana? Pois é, Instinto Materno, a nova aposta da Netflix dirigida por Jessica Dimmock, é exatamente assim.
No meio de um oceano de produções do gênero true crime, o longa se destaca não por ter um mistério difícil de resolver, mas por mostrar o quão longe uma pessoa é capaz de ir para sustentar uma mentira.
É um filme pesado, sombrio e que definitivamente não é recomendado para estômagos fracos, provando que, às vezes, o mal absoluto está escondido atrás de um sorriso amigável no interior do Texas.
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Sinopse
O documentário já nos joga direto no caos: em outubro de 2020, uma mulher ensanguentada é parada pela polícia do Texas, alegando ter acabado de dar à luz na beira da estrada enquanto tentava reanimar um recém-nascido no banco do carro. Essa mulher é Taylor Parker. A partir daí, a história volta no tempo para nos mostrar como ela chegou até ali.
Em 2019, Taylor conheceu o caçador Wade Griffin e, para agradar a ele e sua família, inventou que era uma herdeira milionária ligada à indústria do petróleo. Quando o relacionamento começou a esfriar, ela jogou sua cartada mais extrema: fingiu estar grávida.
Usando uma barriga de silicone, falsificando ultrassons e sustentando a farsa por absurdos 10 meses, Taylor se viu encurralada pelo tempo. Para não ser desmascarada, ela tomou uma decisão macabra e assassinou brutalmente sua amiga, Reagan Simmons-Hancock, uma jovem de 21 anos que estava grávida de 35 semanas, apenas para roubar o seu bebê.
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Crítica do documentário Instinto Materno, da Netflix
A escalada do absurdo e a vista grossa
Uma das coisas mais revoltantes em Instinto Materno é acompanhar a passividade de quem estava ao redor de Taylor. O documentário gasta boa parte de sua duração construindo o relacionamento dela com Wade Griffin. É impressionante ver como Taylor conseguiu manipular toda uma comunidade, chegando a comprar tratores e carros para a família do namorado com um dinheiro que simplesmente não existia.
Mesmo quando as pessoas notavam os sinais de alerta — como a mãe de Wade, Connie Griffin, e a amiga Stephanie Ott, que sabiam que Taylor não podia ter filhos devido a uma histerectomia prévia —, a situação continuava a escalar. O filme mostra como a vontade de Wade de acreditar na mentira acabou pavimentando o caminho para uma tragédia.

Tensão constante, mas sem sangue na tela
Se há um grande acerto na direção de Jessica Dimmock, é a escolha de não apelar para o chamado “gore” gratuito. Apesar do crime envolver 113 perfurações (sendo 15 facadas e 98 incisões) em uma mulher grávida, nenhuma imagem explícita do assassinato é mostrada.
Em vez disso, a diretora utiliza um excelente material de câmeras corporais de policiais e intercala com entrevistas de pessoas próximas e o histórico de bizarros de buscas de Taylor no Google (que incluíam coisas como “barrigas falsas de silicone” e “vídeos de cesarianas”). Isso cria um clima de tensão sufocante, em que você sabe que a bomba vai explodir, mas o terror é construído muito mais no aspecto psicológico do que no visual.
Onde o documentário escorrega
Apesar de prender a atenção, Instinto Materno sofre com problemas de estrutura e montagem. O filme gasta tempo demais esmiuçando a relação e as mentiras financeiras de Taylor e Wade. Quando finalmente chegamos ao ponto central — o assassinato de Reagan Simmons-Hancock e suas consequências judiciais —, tudo soa meio corrido, embalado em cerca de 15 minutos finais muito apressados.
Além disso, a obra peca por não tentar entender a mente da criminosa. Fica faltando uma investigação mais profunda sobre o passado de Taylor, sua infância e a raiz dessa necessidade patológica de mentir e agradar. O documentário se contenta em mostrar o como as coisas aconteceram, mas perde a chance de explorar o porquê de uma mente humana chegar a um nível de psicopatia tão irracional.
Instinto Materno, da Netflix, é bom?
No fim das contas, Instinto Materno é um verdadeiro soco no estômago. É uma obra cruel que expõe os perigos da mentira e serve como um lembrete aterrorizante de que, às vezes, as pessoas mais perigosas são aquelas que convidamos para entrar em nossas casas.
Mesmo com alguns tropeços de ritmo e uma certa superficialidade psicológica, a história bizarra e o final estarrecedor — que culminou na condenação de Taylor Parker à pena de morte, tornando-a a mulher mais jovem no corredor da morte no Texas — fazem deste documentário uma experiência inesquecível e profundamente perturbadora.
Onde assistir ao documentário Instinto Materno?
- Netflix
Trailer de Instinto Materno, da Netflix
Ficha técnica de Instinto Materno (2026)
- Título Original: Maternal Instinct
- Direção: Jessica Dimmock
- Gênero: Documentário / True Crime
- Duração: 94 minutos
- Data de Lançamento: 12 de junho de 2026















